<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775</id><updated>2012-01-29T12:37:50.504-08:00</updated><title type='text'>Modaskavalu</title><subtitle type='html'>um blog de música moçambicana vista num outro ángulo.
Verdade que os leitores fazem os significados, mas que se diga tambem que os significados enquanto categorias culturalmente constituídos acabam fazendo os leitores. 
procuro aqui, não uma visão comum de interpretação, mas sim a adversidade, algo que não produza nada de especifico ou único, mas sim o publico e convencional.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>63</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-6445792148283794173</id><published>2011-11-30T00:30:00.000-08:00</published><updated>2011-11-30T00:32:11.364-08:00</updated><title type='text'>Ferido regresso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ferido regresso &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era feliz aqui, tinha neste lugar o meu paraiso, este lugar era para mim o derradeiro local de exercício da rebeldia literária, aqui escrevia sem regras de forma sentida, de dentro para for a, como que ouvindo sons novos e densos.&lt;br /&gt;Aqui Zeburani ganhava vida e cantava bava anga psalanga, Mahecuani cantava suas nóias e pemanencia vivo, Fany arrebentava o bandolim aqui , aqui no Modaskavalu, Pedro Langa prenunciava meu regresso: um ferido regresso ao meu próprio blog, um regresso marcado pela ausência e claro, para haver regresso deve haver partida, mas facto é que nunca cheguei a partir, nunca senti e de forma sentida a separacação entre mim e a música moçambicana.&lt;br /&gt;Gosto da ideia de ouvir Al Jarreau de dia e no final da noite restar um espaço por preencher e chamar por isso Zeburani, Alexandre Langa, Hortêncio Langa, Aurélio Khowano, gosto deste aparente conflito que existe em mim, gosto da energia que vibra em mim quando piso Ntxamwane, terra de Zeburani e Alberto Mhula com a que carrego quando no final do dia o Jazz, essa neura me invade a privacidade.&lt;br /&gt;Vitaniwa, vitaniwa, mi ta vona mamba leyi ingakona lane, ya malepfu-Pedro Langa, Mamana Maria unga rile, nwana wa wena afikile lamuntine, -Salimo muhamad, nyoxanini, nyoxanini hi nkerhu lani, mi nyoxela lweyi wanuna wa mpandla, a buyile niti simu taku xonga-Fany Mpfumo...estas canções aqui evocadas são todas de celebração de volta, de chegada de onde nunca se partiu, de alegria, pena que o meu regresso equipare-se ao de Pedro: ferido regresso.&lt;br /&gt;Vim aqui me consolar e me sentir mais humano, vim curar minhas feridas, vim ao local onde me sinto puro, esta, é a minha zona liberta da humanidade;concerteza.&lt;br /&gt;Este, é o meu ferido regresso, in totto, de como o canta Pedro Langa, um dos meus poetas da cabeceira. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-6445792148283794173?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/6445792148283794173/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=6445792148283794173' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6445792148283794173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6445792148283794173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2011/11/ferido-regresso.html' title='Ferido regresso'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-8516487367426262040</id><published>2010-08-17T03:02:00.000-07:00</published><updated>2010-08-17T03:07:46.420-07:00</updated><title type='text'>GHORWANE O MITO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ghorwane, o mito de uma geração&lt;br /&gt;Quando assinei uma pequena matéria de exaltação deste grupo com este título no pequeno fórum de discussão que partilho com amigos na internet, o meu amigo Nhecuta Phambany khossa, fez questão de me lembrar que o meu título era inspirado no filme dos “The doors.”&lt;br /&gt;Respondi-o que não, que este título era e somente inspirado em Ghorwane, um mito que me parece que se há-de tornar de gerações. É que Ghorwane é símbolo de nós mesmos, é nosso irreal real, nossa utopia, nosso enigma tangível. As músicas de Ghorwane esculpem cada instante das nossas vidas, são de uma estrutura poética igual a nós, de um esquema metafórico profundamente moçambicano, uma espécie de versos de sugestão de saudade de nós próprios quando ainda éramos puros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma música que propõe-se a focar toda a gente dentro de si, uma sublimação dos nossos valores, o melhor equilíbrio conseguido de um povo que luta incessantemente para se afirmar como ele é: moçambicanto. Sim, nós somos feitos de canto, quem de nós não é cantor e até da sua própria desgraça? Quem? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ghorwane é Moçambique em letras maiúsculas, nosso espírito alicerçado pelos seus poetas, aliás, tanto o Zeca Alage, o Pedro Langa, e Chitsondzo, são um dos maiores letristas que o pais possui.&lt;br /&gt;Zeca Alage tinha aquela veia rebelde e extraordinária coragem de dizer o que sentia, tinha todo o seu lastro de inconformismo puro, inconformismo que se fazia sentir nas suas músicas; quem não se lembra de Massotchua, onde as armas que nos dizimavam eram mais caras que os sacos de arroz, onde as guerras infindáveis teimavam em acontecer mesmo que sem propósito (), mesmas guerras que e recuando no passado dizimaram nossas gentes no Gwaza Muthine (estava o Zeca a colocar Gwaza Muthine como prenúncio? Ou então o nosso sacrifício por aqueles que tombaram a defenderem o pais?) “iwu siwana linga nguenela matiku yava ntima, hitoti nyimpi taku kala ntlamuxelo …..tinhimpi taku kala tinga heli nito yini ….tiheti ni va tukulu va minooo vatukulu ningava siya gwaza muthini….). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mesmas dores que sente em mavabyi, (doenças), doenças que dizimam homens, que o faz perder esperança e o torna céptico em relação ao futuro, isto porque quando olha para os seus filhos vê que a tendência é de piorar(loku ni txuwuka nghamu ya mina mbai mbai swo tlula mpimo), e o pior cenário diz ele, é aquele que está por vir (kambe leyi ingatata bassopani madjaha). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dói-me o corpo, tenho o estômago inchado, e onde está o médico, afinal, onde está o médico? (muzhimba wa mina wa vava dokodela aye kwino aye kwini dokodeloo?) Ao que se segue o desespero em fracção apocalíptica: nitofa ni siya maxaka ya mina( vou morrer e deixar meu familiares?). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sujeito poético em mavabyi, percebe-se que viveu tempo suficiente para ver a guerra colonial (yama putukesi) e a civil(ya dhoropa), e daí que adverte: a que vem será pior (a biológica, mavabyi). Não estarão aqui inclusas as HIV/SIDA e companhia? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem não se lembra do poeta do sublime; o Pedro Langa? Pedro era fiel aos problemas do pais, e mamba ya malepfu talvez seja o relato mais fiel dessa fidelidade, porque o chamativo que faz para que se venha contemplar a “mamba de barbas”(vitaniwa nwina vitaniwa mita vona mamba leyi ingakona lani ya malepfu bava), não é mais que um pretexto para chamar os dezasseis anos de guerra civil, é ele a dizer vinde cá meu povo, aproxime-se para ver esta cobra que ficou dezasseis anos a encubar seus ovos, mas que hoje está entre nós. É preciso lembrar que Pedro escreve esta música (1992) numa altura em que pairava grande incerteza da durabilidade da paz, mas, como que profetizando o futuro dizia (aku rhula kutave kona, lita yandza tiko leli), haverá paz, estabilidade e desenvolvimento neste pais. Quer dizer, num cenário de precariedade da paz e de incerteza sobre o futuro Pedro soube buscar a esperança, soube chamar o povo para uma mensagem positiva soube exorcisar em mamba ya malepfu os fantasmas da guerra. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Guerra que também destruiu em “Ferido Regresso” onde até a árvore mais bela perdeu a folhagem, demonstração clara de que no pais havia pranto, onde Pedro depois de enfrentar um longo e tortuoso caminho finalmente chegou a casa mas tudo estava queimado. (Nambi n’sinha lo wo sasekaa Ni ma tluka Sê mawile Waku komba ku Lani kaya kuni xirilooo, Ndzi fane ni ngwana ya mulungusi yinga luma tinwni mai, Ndzi kwele maganga ndzi yelha munkova ndzita kuma ku lani kya ku pswiléé), mas reparem, mesmo com estes revezes que sofre, mesmo que o seu regresse seja ferido pela guerra que obrigou seus familiares a deslocarem-se, a partir, mesmo que o passado tenha sido desastroso, Pedro pinta um quadro de esperança no sentido de que não podemos nos amarrar a dor, não devemos olhar para ontem senão para buscar forças para enfrentar o futuro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na verdade Pedro faz uma ponte entre o passado e o presente no sentido de que por mais duro e sofrido que tenha sido o passado é preciso acreditar no amanhã. Daí que pede que olhem para o seu regresso como prova de que o amanhã pode florir e o “recebam-me meus familiares: (Ndzi yamukeleni va ndueni Malembe yaku tsaka ma twasilé Ndzi yamukeleni maxakó Malembe ya lirhndzo ma fikiléé), é uma mensagem de fé de um homem capaz de encontrar consolo na dor. Pena que o Pedro não viveu o suficiente para ver em parte o que ele predizia, pena que o maldito projéctil não o tenha dado tempo de olhar para seus filhos antes de partir como pedia em uyo mussiya kwini (ni vuyisseleni vana va mina ningatafa ningava vonanga), para os legar ensinamentos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chitsondzo é o poeta de pregação do social nu; das tragédias como Katina P, do Xitxuketi onde uma roda-viva de interferência sexual nos expõe e fragiliza, do akuhanha onde o peso da vida nos faz renunciar de poderes até irrenunciáveis como o do médico que foge do paciente, dos polícias que fogem dos criminosos, um Chitsondzo que apela para um conformar-se como quando diz que loko uva kuma va tirha, tirha nawenawu, mesmo quando se sabe que de conformista nada tem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em Terehumba Chitsondzo brinca com o social, contando a história de uma menina que usou a caneta e o caderno apenas para contabilizar os homens, menina vovô tal qual definida nas crónicas de João Craveirinha, porque quando seus seios se equiparam a (madinwa sinheni), a frutas numa árvore, já temos a ideia de como estas se apresentam. Esta menina que quando engravida só pensa em abortar e porque o faz em segredo quando a dor começa finge segurar a cabeça, contorcendo a barriga (porque é aqui onde realmente dói mas que não pode segurar porque pode denunciar suas manhas) [a suluvanya hi kwirhi na a kombeta ka nlhoko mamani a ku kuvava lani, ho terehumba, ku vava lani mamani] é o preço que paga quem mal brinca com rapazes (hiku tlanga ni vafavana). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A morte levou os dois primeiros poetas; o Zeca Alage e Pedro Langa, mas, os mesmos vivem e na perspectiva daquilo que eles eram, o álbum vana va ndota é testemunho de que aqueles não morreram e David Macuácua, tem o condão de saber traduzir em letra e espírito as vozes destes poetas que, quanto mais o tempo passa, vão alicerçando os pilares que criaram no nosso comum existir: o gosto e a preferência por eles como uma banda que marcou uma geração e que dá agora sinais de marcar outras gerações, porque quem olha para o público que hoje vai ao Ghorwane, para os jovens que se interessam por este grupo, saberá dizer que não são só os jovens da década 80, mas também os de hoje. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ghorwane é o grupo onde reside a nossa moçambicanidade, é quem carrega o âmbar da nossa cultura, um grupo que um dia saberei cantar com as pérolas palavras que merece.&lt;br /&gt;Viva Ghorwane, verdadeiro mito de uma geração. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-8516487367426262040?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/8516487367426262040/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=8516487367426262040' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8516487367426262040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8516487367426262040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2010/08/ghorwane-o-mito.html' title='GHORWANE O MITO'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-7517667087779775344</id><published>2010-06-01T02:40:00.000-07:00</published><updated>2010-06-01T03:12:56.379-07:00</updated><title type='text'>XIDIMINGUANA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O eterno Xidiminguana&lt;br /&gt;Quando um dia perguntou-se ao Xidimnguana, quando haveria de se chamar Domingos uma vez que Xidiminguana era diminutivo de Domingo e assim fazia sentido quando ainda era jovem, este, respondeu que o Baobá que dá nome ao Bairro Ximphamanine (Ximphamanine significa pequeno Baobá, tal como Xidiminguana significa pequeno Domingos), já era crescido e nem por isso o Bairro e/ou a árvore passaram a chamar-se Mphama.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resposta melhor que esta não se podia esperar de um Xidiminguana satírico, e com um sentido de humor de se lhe tirar o chapéu. Esta resposta acaba sintetizando em parte a obra de Xidiminguana: um homem satírico e com um sentido de humor acima da média.&lt;br /&gt;Diz o bom maengane, o António Marcos numa das suas músicas que “a viola ya mina ya vula vula mayo”, isto no sentido de que a sua guitarra fala e, como fala.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta de a guitarra falar não é estranho porque já falava a guitarra de Feliciano Ngome(ouvir a música kodwa aswibassanga), já falava a guitarra de Zeburani, o rouxinol de Tchanwani, mas que se diga, se naqueles encontrávamos uma espécie de seguidismo entre a palavra dita e a tocada, em xidiminguana, encontrámos um diálogo onde a sua Guitarra toma o lugar de um personagem e ele do outro, e o inevitável diálogo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quantas vezes já ouviram o Xidiminguana questionando a sua guitarra onde vivia para ouvimo-la responder “a Ba-za-ra n’componi” e, se bebeu mal coado para aquela responder que bebeu não mal coado mais sim cerevêja….é o Xidiminguana fazendo o que mais sabe fazer: rir-se do social até quando se impõe que chore.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando diz em “mamani nwamungoro” que “urhandza punga unga tirhe wena”, difícil torna-se conter o riso, no entanto, analisando mais a fundo, não deixamos de nos auto-questionamos a procura do significado último daquelas palavras porque perenes e, ajustam-se ao actual estilo de vida onde queremos tudo o que é bom, sem nos esforçarmos para merecer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Podia recuperar a estória da mulher cantada por este, que dorme no mabanguene encharcada de álcool e que, quando lhe colocam a hipótese de ter tido relações sem saber e nem consentir desmente dizendo que tomou as necessárias precauções antes de dormir: a “nixi phindzelile”,(phindzela siginifica passar uma peça de vestuário pelas pernas e atá-la na cintura-Sitoe, Bento, Dicionário changana-português, p. 188) no sentido de que tinha coberto cuidadosamente os seus órgãos genitais. Nunca deixei de soltar uma terrível gargalhada sempre que me lembro de tais palavras, mesmo que esta seja uma realidade triste e que assola várias mulheres e com os HIV’s que por ai andam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Xikhona é outra canção que nos faz pensar em como é complexa uma relação a dois, pois se o homem larga a mulher “hambe” ali bonita e/ou clara, certamente que viu qualquer coisa. E não vale a pena questionar porquê sem ter vivido a relação do qual se foge, porque a pessoa sabe do que foge.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Podia demorar-me na vastíssima temática de Xidiminguana, mas, a música que hoje me proponho a abordar e de forma brevíssima, é a música “nkatanga”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mesmo sem o saber, Xidiminguana é influenciado na sua música por Zeburani, influência esta, que se faz sentir nesta música, onde tal como em Zeburani, o seu eu lírico, é o feminino sofredor chorando as dores de um amor não correspondido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesta música, (nkatanga) a mulher chora um choro real, e o yiuwii, yiuwiii yiuwiiiiii”, é tão profundo que não se pode ficar alheio ao mesmo, porque bater com o cinto até cortar o mamilo, o mesmo mamilo que a mulher amamenta os filhos é de todo irracional. Dai que entre choros a mulher questiona: “ a vana va wena xidiminguana, vata yanwa kwini murhandziwa”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que mais impressiona nesta mulher e no questionamento “onde e/ou como vou amamentar os seus filhos”, é o facto de ela renunciar da sua dor, para senti-la pelos filhos que segundo ela não terão onde e como ser amamentados. É o mesmo que dizer que me cortasses qualquer outra parte, que me batesses como quisesses me bater porque se pagaste lobolo sou tua mesmo, mas, que não o fizesses em prejuízo dos nossos filhos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta, é uma das vozes em que Xidiminguana soube e bem emprestar o sofrimento da mulher da sua época, soube acima de tudo, pôr o homem a reflectir e a auto-questionar-se se vale a pena a violência contra a mulher, quando se pode dialogar. Mostrou também o lado sacrificado da mulher, onde cabem as dores de todos menos as dela. Bem-haja o Xidiminguana, este cantador/contador das estórias da minha terra.&lt;br /&gt;Amosse “Modaskavalu” Macamo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-7517667087779775344?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/7517667087779775344/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=7517667087779775344' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7517667087779775344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7517667087779775344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2010/06/xidiminguana.html' title='XIDIMINGUANA'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-1647585144334045246</id><published>2010-04-22T12:24:00.000-07:00</published><updated>2010-04-22T12:26:00.979-07:00</updated><title type='text'>Tony Django</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align:center"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size:14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;; mso-ansi-language:PT"&gt;Tony Django: uma voz que transbordava&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;A voz do Tony era demais para ele só. Verdade; a impressão que a sua voz nos dava era a de não caber em si. Facto, é que a mesma nos saciava e nos criava a vontade de a ouvir e mais. Em bom tom diria que estávamos viciados, dependentes, que nos curvávamos sem medo e vergonha de parecermos súbditos daquela voz meio femenina, meio masculina, meio frágil mas ao mesmo tempo forte, quente, vibrante que sabia se exceder mas sempre dentro do limite do belo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Uma voz que não cabia naquele corpinho franzino, que se exprimia de forma tão singular, voz de uma ânsia do absoluto, voz de insatisfação e insansiabilidade, de uma voluptuosidade tão gritada, voz de aromas frescos de Gondola. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Não se procurava arte naquela voz; encontrava-se. E encontrava-se de forma tão cristalizada e lapidada porque manejada de forma a fazê-la render o máximo de si, uma voz tão expressivamente nossa, moçambicana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Se Ghorwane tinha o Zeca Alage o K10 tinha o Tony, se fugindo um pouco e para um dos grupos pelo qual a banda e particularmente o Tony se inspiravam,(Stimela), se este grupo tinha o Chikhapa, o K10 tinha também o Tony. Se em N`tchanwane tinha Zeburane em Maputo tinha o Tony. Engraçado porque a última vez que o vi e ouvi foi no festival de Marrabenta e este fazia uma parelha com Bernardo Domingos onde, com mestria esboçaram o Zeburani este Rei das terras de Chibuto (terra hoje anexadas ao distrito de Mandlhakazi para a tristeza das gentes do Régulo Muzamane) que sei influenciava grandemente o Tony. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Voz de talento métrico que trascendia seu dono. Um dos duetos que sempre imaginei e numa canção com asas de saber voar seria o de Wazimbo e Tony, mas a morte não me avisou porque teria insistido com os dois para que o fizessem rápido antes desta cobardemente surpreender. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Neste momento o silêncio é a única voz que ousço do Tony, aliás, silêncio tão perigosamente traçado na magia de grande arte que é a vida; que é a morte!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Engane-se quem pense que estas palavras constituem um elogio fúnebre. Engane-se quem pense que são palavras para engrandecer a quem nunca foi grande, que são palavras para criar um mito. Pois o digo que não o são. Aliás, estas modestas palavras, não saberão tomar a forma e grandeza que foi o verbo cantar enunciado na doce voz do Tony.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Este é o meu livro de mágoas que acrescenta mais um nome e pior; um nome precocemente ido como o foi de Eugénio Mucavele, de Jeremias Ngwenya, de Nanando, de Chonil, de Zaida e Carlos.....&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Quem hoje vai cantar “Hita sala hi mu khumbula marhumbine”, fazendo referências ao Zeburane, Baza, Mandlaze, e outros? Quem se vai lembrar de cantar estes mortos se quem os cantava e com mestria foi-se? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Eu vou cantar e para si Tony neste meu livro de mágoas que “nita sala niku khumbula marhumbine”, vou sempre te recordar e melhor, cantar-te porque a homens como você não se esquece. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Deixem –me chamar uma música que o Alexandre Langa fez para o Fany um dia onde dizia: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;“yetlela hiku rhula Fany Mpfumo a nsinya lowu ungawu byala uta kula hiku rhula &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;nikhoma n’hloko ni hlakata ni ziviza, ni khonguela xiviri xawena ninguehe xivoni”, como quem diz: descanse em paz Fany, a árvore que plantaste vai florescer em paz. Reflicto, abano a cabeça, bato-me, rezo, facto é que jamais voltarei a ver-te. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Canto Alexandre neste momento e tendo na mente a transbordante voz do Tony Django, esta voz de doces pétalas de um vale de lágrimas que se transformou o meu coração. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;“Kassi a va sati vanga tala ixi hlaula mani, xi hlaula mani, he xi hlaula mani...” sei que por aí, no último céu outros olhos assistem o seu concerto de estréia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Amosse “Modaskavalu” Macamo &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-size: 14.0pt;font-family:&amp;quot;Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-1647585144334045246?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/1647585144334045246/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=1647585144334045246' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1647585144334045246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1647585144334045246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2010/04/tony-django.html' title='Tony Django'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-1588441813418746285</id><published>2010-03-24T02:48:00.000-07:00</published><updated>2010-03-24T02:50:44.780-07:00</updated><title type='text'>Modaskavalu e eu na Roda da Vida</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family:Verdana;mso-ansi-language:PT"&gt;Eu e o Modaskavalu somos hoje aniversariantes &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Verdana;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Verdana;mso-ansi-language:PT"&gt;Sem precisar de dizer datas ou lugares por onde andei, devo dizer que já andei alguma coisa: 33 anos não é pouca Estrada não. Uma coisa que posso partilhar convosco nesta caminhada é o gosto pelo bom tempero de música e músicos da minha terra. De facto, diante da música moçambicana e “daquela música”, sinto o peito a bater com frenesim, com a sombra amorosa da paz, com vontade de viver, mais 33 e mais 33 anos que me bastem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Verdana;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Verdana;mso-ansi-language:PT"&gt;A música é a minha bandeira erguida na mais alta haste deste navio que se esfuma a cada dia com pandzas e queijando, é a minha liberdade, a minha independência, meu caminhar firme, mesmo que em chão de espinhos e micaias e o Modaskavalu, o veículo que transporta e deixa transbordar todos os meus sonhos, toda a epopeia, é a minha redenção social contra a babel de sonoridades que ofuscam a estrela dos verdadeiros fazedores da música moçambicana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Verdana;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Verdana;mso-ansi-language:PT"&gt;Hoje, saúdo a todos vocês meus bons amigos, que, entre tantos afazeres da vida fazem-me a caridade e não sei se justiça de passarem por aqui para juntos cantarmos os nossos heróis, para juntos declamarmos as nossas poesias de guerra, para juntos acendermos este estranho lume de poder que nos aquece e nos faz caminhar mesmo quando a caminhada é dura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Verdana;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Verdana;mso-ansi-language:PT"&gt;Não podia terminar, sem saudar a RM, que soube na sua Gala, homenagear um homem que com firmeza e garra segurou as pontas da nossa música com inegualável mestria: Alberto “Manjacaziano” Mhula, a quem o prémio carreira vem alisar o meu e vossos corações ávidos de reconhecimento aos verdadeiros protagonistas &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;da nossa cultura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Verdana;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Verdana;mso-ansi-language:PT"&gt;Sem que ninguém o diga, autorizo-me a dizer: Viva Amosse Macamo e Viva o Modaskavalu, viva também vocês e os nossos lídimos tocadores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Verdana;mso-ansi-language:PT"&gt;Viva a Cultura, símbolo e mais alta bandeira de uma nação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-1588441813418746285?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/1588441813418746285/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=1588441813418746285' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1588441813418746285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1588441813418746285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2010/03/modaskavalu-e-eu-na-roda-da-vida.html' title='Modaskavalu e eu na Roda da Vida'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-4375959724667057292</id><published>2010-03-03T05:47:00.000-08:00</published><updated>2010-03-03T05:58:54.119-08:00</updated><title type='text'>MALE YA PHEPHA</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;b&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;Male ya phepha &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;A male ya phepha, meticale ayina khombo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;Vakone la vadlaka va xuza vatlela va lalela &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;Kuvi mine na wene n’kata ho sika hi nd’lala &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;Hine hi kone hi hanha hiswi tsakatu hi dhuama tindende nkata &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;Vone vadla mpunha mpunha&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;Munwani ungamu vona a kuluka kuluka kuluka a phinheta, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;Uku utwa ani timale kuvi i mizi wa siwana &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;Wamuvona kulala nhana awumu voni ku lala nhana a minnta yinga tchai&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;Nili nwananga vuya utani swekela&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;xi dana nkaka kuvi xa bava tiyisela utanwa mati –Eugênio Mucavele&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Não se sabe porquê mas muitos acreditam que o dinheiro não tem azar. Para estes, basta que o seja, independentemente da proveniência e do meio pelo qual se obteve. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;O meu velho pai Macamo tem a mania de dizer que “dinheiro não é tudo meu filho” e eu, respondo que “nunca o experimantaste para saber se o é ou não”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Meu pai responde a esta minha deixa sempre com um sorriso. Nunca tive interesse em vasculhar o que esconde e se, esconde alguma coisa aquele sorriso, verdade é que acredito que dinheiro opera milagres. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Os que tudo possuem acreditam que os outros (os que nada tem) devem acreditar que dinheiro só traz infelicidade. Meu Professor de economia diria: “Barreiras a entrada de novos concorrentes”, porque fazer crer que o dinheiro só traz infelicidade, equivale a teoria de que a religião é o ópio do povo e esta, já escangalhamos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Seja como for, o dinheiro, “Meticali ayina Khombo”, não tem azar e desbloquea tudo e/ou quase tudo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;E Eugénio Mucavele sabia disto e sabia-o tanto que criou este docce milagre de canção: “Male ya Phepha” (Dinheiro (em notas) de Papel). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Mucavele agigantou a criança faminta que somos e chorou com esta música; chorou justamente porque sabia que nem todos estavam condenados à sua sorte, pois, havia os que comiam a fartura e até com refeições extras quando ele e a esposa minguavam de fome. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;E enquanto minguavam de fome e viviam de verduras sem condimentos, havia sim quem tinha direito a um regabofe e agrava este facto, porque quando a brisa soprava,(basta olhar para a vizinhança perigosa das casas de chapa e caniço da zona da escola Portuguesa, com as mansões que ali abundam), vem-lhes o cheiro das iguarias e com ele a cíclica revolta dos oprimidos sociais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Porque lhe dói isto, chega a fazer troça do Magricela e diz” não se deixe enganar por ele ser um magrelas, porque come que se farta. E graceja, no sentido de que, podes ver quem engorde e sem parar e pensar que é o senhor dos dinheiros, quando é gordura de probreza; é o jogo dos contrários. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;O mais importante nisto, é que esta fome não o separa da sua amada, pelo contrário, cimenta neles mais amor, de forma que desafia a mulher a cozinhar qualquer coisas como cacana que se sabe amarga, mas pede a mulher e naquele paz sofrida que vivem, que seja forte e beba água para atenuar a amargura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Está pois claro que, ele equipara a amargura do alimento a da vida dura a que está condenado e sei que lhe rói a falta de dinheiro porque se o tivesse e lubrificante que é, do problema dos manjares eles não teriam. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;O apelo a comida, não é no sentido de que saco vazio não fica de pé, mas sim, um subtil paralelismo que este cria, entre os que tem (de comer) e os que nada tem (passam fome), onde a comida ganha o corpus de todos os bens materiais e a falta dela, a pobreza que sufoca os demais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Eugénio sabia nas suas letras ascender, sabia definir e escolher o tema para o canto, sabia criar sucessivas palavras poéticas que faziam o perfeito canto das nossas dores e alegrias, sabia se reencontrar na haste mais alta dos problemas sociais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;E foi-se precocemente, deixando suas músicas que sabem pouco sempre que se escutam, porque sublimes. E foi-se pobre, empobrecido e sem o dinheiro de papel!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;E hoje, sempre que o escuto, sei que faltou o dinheiro de papel nos momentos decisivos da sua vida, porque doutra forma, ainda estaria vivo e a nos deliciar com o gracejo que eram suas cançÕes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Como faz falta Male ya phepha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:13.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/b&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"  style="Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"  style="Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"  style="Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"  style="Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"  style="Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"  style="Bodoni MT&amp;quot;;mso-ansi-language:PTfont-family:&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-4375959724667057292?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/4375959724667057292/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=4375959724667057292' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/4375959724667057292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/4375959724667057292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2010/03/male-ya-phepha.html' title='MALE YA PHEPHA'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-7424191603235965019</id><published>2010-02-26T03:32:00.000-08:00</published><updated>2010-02-26T03:34:51.183-08:00</updated><title type='text'>HALAKAVUMA</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black; mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;Dizeres dos nossos tocadores &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black; mso-ansi-language:PT"&gt;Ntonganhane Wa ka Nkowane (Aurélio Kuwano)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language:PT"&gt;Halakavuma &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;hi Elisa N’tanhani hoya bikela le kaya nwana mamani &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;hi Elisa N’tanhani hoya bikela le kaya nwana mamani&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;ho dara mahala nile ndzaku awu nako &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;a phambeni ni ndzaku swo fana nwana lwiya &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;nimi nengue a nga hlambi&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;nimi nwala anga tsemi &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;apandza nima volwe hi minwala &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;ulanguta a ma sema hingui i Ngwenya a ma tsapa hingui hi bandzala (gafanhoto)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;Halakavuma Halakavuma Halakavuma Halakavuma Halakavuma&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;yi welile masinwini ka M’bulu, hi welile massinwini ka M’bulu leyi Halakavumaaaa &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;yi welile massinwini ka M’bulu, yi welile Massinwine ka Macie Nwananga &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;mi ta byela Mandjonjo, mita byela Mandjondjo, Mandjondjo i Nduna ya mbulu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;ulanguta massemani ingui i bandzala va handzula mavola hi manwala vali i Halakavuma&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;Halakavuma Halakavuma Halakavuma Halakavuma &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;nima vele anga nawu a phambeni ni ndzaku swo fana inguiki voio mbhonha hi parati wova Halakavuma&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;Halakavuma, Halakavuma ayie Elisa Ntanhani hova Halakavuma &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black;mso-ansi-language:PT"&gt;nima vela anga nawu niko hala anga nako, nile ndzaku awu nako ingike voio mbhonha hi parato hova Halakavuma amassema ingaku i bandzala &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="color:black; mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Uma das perplexidades que as páginas da música moçambicana viveram foi com a música Dadinha do irreverente Joaquim Macuacua. Ante o seu amor não correspondido, Macuacua fez uma música cujo título e temâtica era o seu romance e a razão do seu falhanço. E falhou porque segundo ele, dedicou seu amor a quem nunca o mereceu isto é, a uma mulher que somente servia para a cama. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;E porque o Macuacua não queria dar o dito por não dito sobre a identidade de tal mulher, identificou-a de tal forma que não restassem dúvidas de quem era: “nirhandzani ni tombi ya Xamanculo iaku tsama kussuhi ni Beira Mar...”, (enamorei uma rapariga de Chamanculo que vivia perto do Beira Mar), para quando encostado nas barras da Justiça dizer que a aludida Dadinha era uma tal que foi levada para a Operação Produção, isto porque a Dadinha se sentiu lesada aliás, antes o noivo dela que se preparava para a levar ao altar mas que com a ultrajante música teve que recuar.(se bem que tinha todos motivos para recuar). &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;E ajuizou certo o Magistrado que julgou o caso condenando o Macuacua, porque todo o relato que ele fazia apontava para a queixosa, que por sinal também vivia perto do Beira Mar, que frequentava a discoteca Hidromoc, aliás, onde largou o Macuacua (heleketa alirhandzo la mina, leli ungali siya Hidromoc), pelo que não havia espaço para uma outra Dadinha, na verdade nunca existiu uma outra; ao chamar outra, a supostamente levada para a Operação Produção, usava Macuacua do seu direito de defesa que o autoriza até a mentir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Além da condenação, a música foi intedita de ser tocada em lugares públicos. Não havia pois, necessiade de a ir buscar não fosse, o recuo que fiz até aos anos 50 para encontrar um disco que traz nomes dos nossos bons sabores e com temperos de tocadores que influenciaram toda uma geração: trata-se do disco “The forgotten guitars from Mozambique” do etnomusicólogo Hugh Tracey.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;É que, na análise da temática do disco ressalta logo à primeira e em todas as músicas, salvo as de Feliciano (N)Gome(s) Mutano um discurso reductor da figura da mulher. Tem inclusive uma música intitulada “Kerestina”, onde o autor, depois de falar da sua ex, a localiza no espaço e diz “Kerestina lweyi ni balaka yena hi lweyi waku tsama a xinhaguanine..”, como quem diz a Cristina que referencio é a que vive em Xinhanguanine, isto para dizer que Macuacua teve em parte onde se inspirar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Mas a canção que me proponho a abordar hoje, é a Halakavuma popularizada se não me engano pela Orquestra Djambo, como Elisa N’tanhane(?). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Pelo que voltemos ao N’Tonganhane(Aurélio Kuwano), de quem a destreza na guitarra não se duvidada, de quem os avanços poderosos na entoação eram acentuados, de quem se reconhecia a língua afiada quando o assunto eram as mulheres. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Só para terem uma mínima ideia, ele equipara o corpo escamoso do Pangolim (Halakavuma), ao da Elisa N’tanhane. Uma Elisa que chega a rasgar manta com as unhas (não se enganem as nossas manas que até as acrescentam hoje, ontem, unhas grandes era sinónimo de “futa”, porquice e/ou mulher destrambelhada), uma Elisa que só jinga e não se sabe porquê quando de cintura para baixo não se distingue onde é a frente e onde é atrás. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Chega o Ntonganhane, a propor que se chame o Induna (Regente, o que na hieraquia do Muganga, vem antes do Régulo), para que venha testemunhar a aparição desta Halakavuma (lembrar que só o chefe tinha a faculdade de receber as boas novas do Pangolim), mas repare-se, neste caso, era mesmo para fazer pouco da Elisa, no sentido de levem-na ao Chefe para que ele contemple e comprove pelos seus próprios olhos o subtrair da mulher que é Elisa N’tanhane.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Devo dizer que evoluimos tanto de lá para cá, embora com alguns sinais de recuo como em “Nixi djula hi Doggy Style e companhia, mas regra geral, a mulher é hoje enaltecida como o emblema da vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Todavia, lanço o convite para ouvirem este disco, que como disse um dia, representa a gesta de uma nova era: a de marrabenta, n’fena, Dzucuta (refiro-me ao Dzucuta de ontem) Magika, Xingomani, muthimba e outros estilos que se evidenciam ao ouvir este disco, que quanto a mim as autoridades da cultura o desviam raesgatar, como também resgatar tudo quanto foi produzido pelos nossos na África do Sul principalente, em editoras como a His Master Voice, Trobadora, Gallo, Columbia etc. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Termino dizendo que o exemplo de N’Tonganhane, não é de certo o melhor, mas, marco de um periodo que devemos estudá-lo para melhor compreendé-lo. E, mesmo a fechar, não me admirava se soubesse um dia que a Elisa, tal como Dadinha, foi um dos grandes amores (não correspondido) da vida do Aurélio Khuwano e daí o facto de inspirar a música cheia de graça que é Elisa Ntanhane. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Amosse Macamo &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-7424191603235965019?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/7424191603235965019/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=7424191603235965019' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7424191603235965019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7424191603235965019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2010/02/halakavuma.html' title='HALAKAVUMA'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-4220632587710617311</id><published>2010-02-04T07:43:00.000-08:00</published><updated>2010-02-04T07:47:16.811-08:00</updated><title type='text'>NANANDO</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;“Confessa que nosso destino é estranho, extraordinário!”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Em conversa dizia à uma amiga que nunca matei os meus mortos. Sim, eles vivem todos os dias no meu imaginário e, à noite, “...debaixo do medo dos feitiços e dos deuses”, meus mortos me espreitam de todos os cantos. E, nessa altura, um misto de medo e aventura me invadem, o estranho e o maravilhoso, o desconhecido e o inexplicável fundem-se numa realidade fugaz, mas realidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;E isto, não pode ser obra do acaso; se é alucinação, sonho, delírio, real e/ou irreal não sei e nunca exigi outra verdade de mim, porque o estranho e o maravilhoso sempre me fascinaram. Quantas vezes e no meio da noite, conversei com o meu falecido avó Mavonho e, inquirindo-o, pelo facto de me procurar mesmo que morto? Quantas vezes, revi semblantes de ente queridos que partiram? Quantas vezes e quantas dores que esconjuro, mas que voltam em catadupas no meio da noite?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Bom, não foi para falar de mim que escrevo estas linhas lúgubres, escrevo, para esconjurar mais uma morte, destas que só a crença na imortalidade nos pode aliviar de tamanha dor; falo da morte de Nanando.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Colheu-me de surpresa e não porque esta costuma avisar, mas, porque, nos nossos bons costumes a velhice cura qualquer morte. Custou-me aceitar, mesmo sabendo que a morte é um facto certo para qualquer homem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Cimentou em mim esta morte, a impressão de que a vida não nos pertence, sim, tem quem a controla, quem nos dá e tira quando bem entende.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Porque se fosse para esperar a data certa, não nos tirava ELE seja quem fôr, o prazer de redescobrir na distância inevitável entre o consciente e incosciente, aquela guitarra de acordes únicos, a que se toca no Montreal de Chamanculo, aquela que nos fazia crer imortais, que nos dava a ilusão de trascendéncia, que nos tornava primeiros entre os iguais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Guitarra do mistério real dos pés que sentiram o chão quente do sol do Chamanculo, de Mafalala, de Namutequeliua, de Paquite, pés que sentavam em seus joelhos e seguravam a guitarra firme para a alegria do meu povo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Sim, a guitarra do Nanando era uma transição entre a pura espontaniedade do que seus dedos aprenderam com os espíritos dos refinados tocadores de Chibuto e de uma mente que constantemente partia em busca de um mundo ideial no jazz, funk, gospel, blues rock...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Aos inonconsoláveis pelo facto do Nanando não ter deixado um disco, devo lembrar que o Sócrates, quando condenado a beber cicuta, dizia que não se podia matar a verdade. Assim o dizia, porque já a tinha transmitido aos jovens.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Não pretendo assim, minimizar o facto de Nanando não ter gravado um disco e nem o facto de a cultura não ser agenda no nosso país, mas sim, enaltecer o facto deste ter deixado semente que sei germinar a toda a hora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;A minha raiva neste momento é uma Hiena que devora a presa, mas engane-se quem pense que do meu semblante caiam lágrimas. E nem podem cair, porque no meio da noite, Nanando volta em brancas plumas negras para tocar sua guitarra directo para o meu coração. Volta para embalsamar meus quentes lencóis frios. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;E não sou imortal? E não será Nanando este Deus que me invade para alentar minhas noites sofridas?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Minha mente brilha uma clara luz neste momento e, no céu incorruptível dos espíritos da cultura moçambicana nem os que boicotam os nossos lídimos sabores podem hoje me aborrecer, porque vivo neste momento sons de uma guitarra concreta, que marca seu espaço em outros lugares. Acredito que haja Chamanculo no Céu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Viva a cultura, viva o Nanando e viva a República. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;não encontrem erros neste texto, porque o mesmo não foi revisto; foi escrito de dentro para fora e com lágrimas que teimam em cair, e ninguém as vê. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-4220632587710617311?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/4220632587710617311/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=4220632587710617311' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/4220632587710617311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/4220632587710617311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2010/02/nanando.html' title='NANANDO'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-8810529100163506029</id><published>2009-11-26T03:13:00.001-08:00</published><updated>2010-03-12T04:23:09.594-08:00</updated><title type='text'>MALANGATANA</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Malangatana, o músico &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Não sei o que este título poderá sugerir aos que conhecem a linha do &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Modaskavalu.&lt;/i&gt; Contudo, na urgência de encontrar respostas, um primeiro pensamento há de se colocar: o que tem Malangatana a ver com a música? (eu penso que tudo).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Há em Malangatana um músico meus amigos, um músico que se revela não só nas suas pinturas, nos esconjuros mágicos e poéticos das suas aguarelas, na verdade humana imprimida no seu pincel, mas também na sua essência, na sua revelação como homem.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Tenho muitas questionamentos por fazer ao Malangatana, questionamentos estes, que em parte encontraram resposta no filme &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Ngwenya, o Crocodilo&lt;/i&gt;. É que, confessou Malangatana neste filme, o seu amor pela música, aliás, numa disputa (disputam estes uma mulher) entre ele e um amigo seu (no mesmo filme), revela e de forma espontânea o seu lado cantor, cantando, e para a feliz mulher, se não me engano &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;ka tiku dza zonga ni langui wene nwanhana&lt;/i&gt; (na terra dos rongas escolhi a si rapariga...), pena que no final, a mulher ficou (?) com os dois.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;E questionarão alguns que instrumento Malangatana toca?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Para além do autêntico baixo-baritono (sua voz) que o Malangatana é, tem na sua barriga, (sim, barriga, esta, que quando a sua música o invade e de tal sorte que acredita viver na consciência das suas pinturas, na espiritualidade das suas cores e olhares, no ouvir os segredos do camaleão que teima em aparecer nas suas pinturas, toca-o qual batuque), o instrumento que toca o saboroso e lídimo batuque da sua terra Matalana. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Mas no mesmo filme, Malangatane trouxe a mística canção que diz acompanhar a sua vida:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Niwone niwone niwooooneeee &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Niwooneee ahe ahe ahe ahe&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Niwooonneee nkodjo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Niiiiwwoooonneeee, niwoooonnneee, &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;aie ahe aie ahe&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;niwone nkhodjo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Malangatana, diz ter ouvido esta canção na sua juventude no canto de uma &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Nyamussoro&lt;/i&gt; (lembrar que Malangatana foi aprendiz de nyamussoro, onde, nada acontece, sem o batuque e o canto), e que por alguma mística a mesma, o apaixonou de tal sorte que o acompanha &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;até hoje; que sem se aperceber, a canta quando pinta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Devo imaginar como Malangatana, recua no tempo quando a canta, devo imaginar as mil&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;e uma explicações que tenta dar ao canto,mas ao mesmo, imagino que a mesma seja, talvez, o exprimir do objecto intencional que o trascende, a mesma antevisão que dita as suas cores, os olhares em seus desenhos, a ressureição da sua obra, as projecções de si mesmo, como homem que, esteja onde estiver, sente-se sempre no mesmo local: Matalane.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Esta canção é para Malangatana o poder de sentir de todas as maneiras, é o medidor do artista que ele é, mistério de si mesmo, equilibrador da relação triangular, pintura, homem, mundo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;É sim músico o Malangatana(atrevo-me a dizer dos mais internacionais do pais), não de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;hits&lt;/i&gt;, nem de músicas registadas em &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;bobine&lt;/i&gt;, é sim, músico da nossa curiosidade psicológica, da nossa rica metafísica, da exploração da nossa espiritualidade,do nosso amadurecimento poético, dos aromas do dedilhar sentido nos dedos longos do Jaimito Machatine, dos versos geométricos de Alexandre Langa e Fany,da expressão vibratória do Modaskavalu do Mahecuane Makhuvele, do respirar a música na perversão sensual de Zeburane em &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Tsunela Seyo, &lt;/i&gt;nos cantos embebidos de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;mphongolo&lt;/i&gt; de Aurélio Kuwano, das cores endoidecidas e transitivas de Djambo 70, no emergir dos versos de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;ntumbuluko&lt;/i&gt; de Zeca Alage....&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;No final, sou obrigado a dizer; primeiro o músico e depois o pintor, é que, acredito que seja no canto que Malangatana se auto-direcciona para a pintura, na certeza de que a obra será concluida com o sucesso desejável.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Meu ode a este cantor não só de cores, mas também do nosso cancioneiro e do sonho utópico de o manter incólume para que a nova geração o estude e o eleja como o sabor da nossa espiritualidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;Ode ao músico Malangatana.&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language: PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"   style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-8810529100163506029?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/8810529100163506029/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=8810529100163506029' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8810529100163506029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8810529100163506029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/11/malangatana.html' title='MALANGATANA'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-3400109669510343455</id><published>2009-11-20T02:01:00.000-08:00</published><updated>2009-11-20T02:12:59.038-08:00</updated><title type='text'>José Mucavele: o ícone do resplendor africano</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"  style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;José Mucavele: o ícone do resplendor africano&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Zé é para mim a expressão mais poderosa e desenvolvida da concepção renovadora e vanguardista africana.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;De facto, para Zé, África é a expressão mais densa das suas obsessões; a obsessão que aponta para um despertar, para um diálogo de reinveção profunda do que somos e pretendemos ser, de militância epopéica, do protagonismo que se impõe para que a solução dos nossos problemas sejamos nós mesmos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Zé na maiora das suas músicas, progride rapidamente e de forma profunda; eleva-se de forma nobre e indaga-se: &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Hi dlayana hi yivelana hili vaxi kanwe...&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;como quem diz, porque nos matamos se mesmo povo? Porquê nos autoflagelamos se filhos do mesmo ventre: Africa?!.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Zé busca por uma espécia de panteão das glórias africanas extintas pelo modernismo que assimilamos sem nunca o perceber; Os dizeres &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;hi dloku utivi lava lungu, hi lheka bedjua la kokwnani...&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;(vestimos a capa do ocidente e rimo-nos da nossa tradição), nos ajude a perceber essa busca, a mesma que Zé encetou no &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Xigutsa xa utomi.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Ele esboça uma espécia de valores trascendentalistas que sabe que o povo africano tem demais. Procura em suas canções evidências concretas e substantivas de uma África que ainda se pode reerguer. (&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;loko ho yaka lirhandzu linwana, xikwembu xa hina xita pfuka urhongweni&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;), no sentido de que se construirmos uma nova união, nosso Deus [negro] vai despertar da (longa noite de sono a que está votado) letargia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Quando coloca a ideia de que &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Hi lava va taku vadla teres parato kuvi hina mamanoo hidla hafo prato&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; ..ou melhor; os que vem comem três pratos, quando a nós servem metade, longe de ser uma exaltação xenófoba, Zé,coloca as coisas no sentido de que o principal beneficiado pela riqueza que o pais (África) produz, deve ser antes os nativos, mas não; temos aqui o &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Xighontlo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;, este pássaro esperto e egoísta, que se dá ao luxo de comer todos os pratos, deixando-nos com a metade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Há quem diz, que os versos de Zé, traduzem uma insatisfação com a vida real, na medida em que com a ideia da “aldeia global”, África, mesmo que queira, não pode pela conjuntura guardar as suas raizes, dominar o conhecimento sem fugir das suas crenças, mas eu penso, que o Zé, vive sim num mundo real, porque um povo sem auto estima, dignidade, cultura e sua forma de estar, não se pode arrogar povo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Numa ambiciosa partitura musical&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;e poliritmia que o caracteriza, Zé, faz da fusão e da diversidade cultural uma constante ocasião para a exortação heróica do nosso povo, a quem em algum momento e numa outra música diz que os que profetizaram a partilha do continente taparam a sua estrela cintilante, numa clara alusão a escravatura e domínio colonial sobre África, no sentido de que esta, retirou-nos toda a sorte, toda a oportunidade de brilhar, todo o resplendor africano.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Zé procura por uma existência concreta que não se pode achar e nem aproximar do conceito que o ocidente quer de nós; na verdade é no retorno a nossa espiritualidade que renasceremos para o resplendor, porque nós sabemos e bem onde a nossa estrela da sorte brilha.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Zé é protagonista de uma África real que ele aprendeu no chão da sua terra e que se lhe escorrega hoje a sua vista sem que grito nenhum possa dar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Mas grita o Zé, grita e bem fundo nas suas músicas, traduz (ainda que intraduzível) o brado africano, a eloquência da nossa heroicidade, o lapidar de uma pedra angular onde nós seremos donos e mestres da nossa própria sina, onde, seremos os mentores das nossas políticas, onde, seremos o despertar das nossas próprias consciências, onde, seremos concebidos e percebidos pela nossa mística e não pela capacidade de renúncia da mesma mística, onde, o nosso orgulho, sim orgulho africano será a perseguição incansável dos nossos valores.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Zé caminha pelos corredores de sonho e pronuncia as últimas palavras que um dia acredito serão as primeiras: África surge et ambula.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Vim, uma vez mais, enaltecer a luta consciente do Zé pelos valores africanos, vim aqui, traduzir o seu discurso apaixonado pelas nossas coisas, vim aqui, trazer o resplendor africano sempre presente na sua canção.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Bem haja o Zé, a quem ainda vou cantar neste espaço à minha maneira, a quem vou dar sempre odes, porque guerreiro incansável da nossa luta. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"  style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"  style="mso-ansi-language:PT;font-family:Garamond;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-3400109669510343455?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/3400109669510343455/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=3400109669510343455' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/3400109669510343455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/3400109669510343455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/11/jose-mucavele-o-icone-do-resplendor.html' title='José Mucavele: o ícone do resplendor africano'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-507689816602092629</id><published>2009-11-09T09:54:00.000-08:00</published><updated>2009-11-10T09:42:21.812-08:00</updated><title type='text'>ELSA MANGUE</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Elsa Mangue&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Elsa Mangue é uma mulher de sentimentos intensos, de uma espiritualidade angustiante e sentimental. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;É curioso verificar que a Elsa, canta os seus prantos, e penso que não para os espantar, mas, para tentar percebé-los. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;É que, a Elsa, é uma mulher sofrida, sofrimento este, que ela deixa transparecer nas suas músicas, um sofrimento que se detecta em cada verso e palavra cantada, um sofrimento que se nega a morrer, isto porque ainda vive o sujeito da acção: a Elsa Mangue. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Para mim, a Elsa canta na primeira pessoa, sim, todo o seu discurso responde aos seus problemas, aos seus questionamentos, e é importante realçar que a sua dor não morre, pelo contrário, transita de música em música, é resistente, permanente, emerge a qualquer altura.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Na música “Fim da estrada”, várias foram as vezes que a Elsa, (tomada pela emoção, pelas lembranças sempre recentes da sua vida, pela dor que incomoda e traz a superfície coisas invisíveis), chorou. E chorou justamente porque ao cantar a música, ela, revive o problema que canta tal e qual o faz quando canta que ”...siku leli kaya unga lava kuni txukumeta/ murhandziwa wanga, indje wa khumbuka wena?, passando a ideia de que ”lembras-te do dia que quiseste me atirar? Lembras-te meu amor?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Aquele pronunciamento sugere mágoa, mas sugere acima de tudo um momento do passado que a Elsa quer a todo custo tomar como passado (lembras-te), mas quem repara no que ela diz logo à seguir, percebe que o seu amor não é nada do passado e é fácil perceber quando ela questiona “lembras meu amor?”&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Caso para afirmar, tão longe, mas tão perto. Na verdade, Elsa nunca esqueceu este homem, aliás, a Elsa pertence a geração de “um só homem”, na vida de uma mulher. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A Elsa não faz a viragem, e nem se permite que ela aconteça, pois, quando pensamos que ela canta para exorcizar a dor e por isso mesmo esquecer, na próxima música, a temática volta e com a mesma carga de intensidade e emotividade próprios de quem chora constantemente, de quem diz “Tindjombo lava kandzaka, vatitsamela niva nkatavu kaya(/sortudos os que conseguem manter um lar, vivem felizes), não foi por acaso, que a Elsa escolheu esta música, do Rei Fany Mpfumo (no disco ao seu tributo), porque esta, reflecte o que ela pensa.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Elsa vive uma vida muito encolhida, encolhimento este que não a permite olhar para si e acreditar que é uma das melhores fazedoras da nossa música, que é dona de uma voz meticulosa, traçado com precisão notável, sensível, e que se exprime de um modo singular, uma voz que se deleita, uma voz que surpreende pela sua cor e valor. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Vejam que Elsa e mesmo para atestar que ela não esqueceu o anterior companheiro,em “Joshua” dá recados no sentido de que se queres falar comigo venha de dia e não de noite....vens a noite para me enganar pela segunda vez? (lakuta ka mina, ungati niwu siku uzama zama kuni phazamissa ulava ku phinda ka umbirhe...). &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Se estivesse segura da decisão de passar este homem para trás seria indeferente que este homem viesse de dia e/ou de noite, porque passado, mas ela adverte: venha de dia se queres falar, e justamente porque ela sabe que a noite pode fraquejar. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Mas se pensam que é precipitada a minha conclusão, caminhemos juntos para uma outra música, em que ela diz “...ni ta famba hi kwini kaya ka mamani....ni kwatissiwa hi lweyi waku tsuka ani gwela ku hunguka ingu o tsuka ani kuma nani hlongolissa ndlela” (entristeçe-me que alguém me chame de louca, como se alguma vez tivesse me encontrado a vaguear e/ou a caminhar sem destino). &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Para dizer que ainda lhe incomoda o facto de o ex, a chamar nomes. Numa outra música diz “wagwira munghana wa mina...vuya nitaku gwela ku duma ka hloko ya mu pfana lweyo....”, onde a Elsa, quando se apercebe que a “outra” que preencheu  seu lugar tenta se meter com ela sugere um encontro para a esclarecer o quão difícil é compreender a cabeça do homem que ela tem como marido. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Mas se alguém pensa que este facto retira o carâcter estético das músicas da Elsa engana-se, aliás, este exercício, foi em parte, para defender a tese de que a Elsa canta na primeira pessoa.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Sim, a Elsa é tão verdadeira quando canta, é tão reflexiva, tão precisa, tão doce e original, porque não canta coisas contadas, canta sua vida (amargurada), na primeira pessoa. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Podia me alongar mais, contudo, chamo a sua voz mesmo que no pensamento para continuar a alisar o meu coração, para trepar os ramos mais altos e frágeis do meu coração, para me banhar de lágrimas e mesmo que ninguém as veja. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Longa vida a Elsa, e, tomara que uma destas empresas que dá ao acaso quando se trata da verdadeira música moçambicana a contemple um dia porque ela merece.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;P.S. deixe-me lembrar o meu avó que dizia que a “música desta mulher tem sal”. E não tem? &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-507689816602092629?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/507689816602092629/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=507689816602092629' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/507689816602092629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/507689816602092629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/11/elsa-mangue.html' title='ELSA MANGUE'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-369303128649942523</id><published>2009-10-18T12:42:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T12:47:30.282-07:00</updated><title type='text'>Chico António, o cidadão do mundo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt;Hantlissa Maria ulonguela timpalha kuni mova wa muxolole &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt;Uya ka gaza&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt; Siyela Zulmirane timpahla leti taku made in united state ti hlanhissaca vava nuna oh ha &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt;Unga kwati Maria ha swo uta Byala mitsumbula ....hi fuya ti homu hi rima &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt;Lomu hiyaka kone/nahi khoma axi komu hi rima&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language:PT"&gt;...Chico António &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language:PT"&gt;Chico António, o cidadão do mundo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Há em Chico António um sentido de moçambicanidade ainda não explorado. Já me explico: se podemos esperar o que as melodias e músicas de Wazimbo,&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Mingas, Hortêncio, Cabaço, Chihau e outros podem produzir, isto porque lhes conhecemos a linha e daí prevesíveis, já não podemos encontrar a mesma coisa em Chico, aliás, a sua imprevisibilidade, iguala-se à de Salimo, José Mucavele (basta lembrar que a guitarra de José, pode quando quer se esconder na densa savana de Chibuto, para meia volta, reaparecer e atravessar rios deste diverso moçambique num acelerar de ritmo que lembra os ataques de surpresa dos Guerreiros Chopes aos soldados Ngunis).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Chico, embarca em cada canção numa espécie de viagem sem destino previamente preparado, aliás, como o bem fazia o Ramsome, Fela Anikulapo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;A sua versatilidade, o marca não como músico moçambicano, mas africano, digo do mundo. É que, se o Chico subir um pouco até ao Centro de Africa, talvez não mexesse nada e/ou pouco nas suas canções para se confundir com artista daquelas bandas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Se subisse um boucado mais, para a França, seria visto como um músico contemporrâneo forte, do qual não se deve atribuir país, porque do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;O que gosto no Chico, é o respeito que este tem pelos momentos de avanço e pausa nas suas músicas, já me explico: quando este canta, sente-se que faz um avanço envolvente do qual não se pode ficar indeferente, pelo contrário; envolve-nos com a sua música. E quando sua voz cala, a combinação perfeita dos instrumentos desenha um cenário tal que completa o vazio que sua voz deixa e quando esta volta, a intensidade da combinação instrumentos/voz, torna-se tão intensa que o sentido de marcha da música passa a ser controlado pelos nossos sentidos onde podemos pegar por exemplo no trabalho do viola baixo e embarcarmos numa viagem na nossa própria melodia, no nosso próprio rumo e ritmo; fazendo a nossa música na do Chico. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Na veradade, revemo-nos na sua música, sentimo-nos naquele instante parte integrante, dela, sentimo.nos &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;parte de um ritual que em algum momento da história da nossa vida aconteceu e que por reminiscência, o presente chama.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Nós africanos desconhecemos a alquimia, pelo que, ao homem capaz de nos envolver transformando nossas angústias, anseios, alegrias e sonhos em música envolvente, só pode ter um nome: um feitiçeiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Mas Chico, é também um homem do campo, a quem a tranquilidade rural lhe faz muita diferença, de maneira que na música acima, renuncia da vida da cidade, e, convida a mulher para juntos embarcarem no sonho de voltar ao campo para cultivarem a terra e criarem gado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Neste convite, chega a propor a sua amada que deixe as suas roupas fabricadas no ocidente (que enlouquecem os homens), &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;para a sobrinha Zulmira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Um retorno as raizes entende-se, que não se esgota nesta música e naquela situação. Na verdade sinto nesta música, no convite ao retorno e no pedido que Chico faz a mulher, um pouco daquilo que o José Mucavele, faz e bem (apelo ao Renascimento africano), no sentido de volta em tudo que faz de nós africanos; ao orgulho africano.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Uma volta à necessidade de olharmos para nós dentro dos nossos próprios parámetros, para depois lançarmo-nos ao mundo com os pés firmes no chão, como Chico faz na sua música.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Este retorno, de quem já provou os prazeres da luz da cidade, confirma o que defendo acima; Chico é versátil, imprevisível, e a qualquer altura, sua música pode indicar uma direcção nunca antes enunciada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;A música do Chico tem uma dimensão cultural transcendente, tem condimentos para vencer e até para largar esta terra e caminhar no mesmo sentido que sua música incide (imprevisibilidade), e se deixar surpreender com o que o caminho vai produzir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Modaskavalu &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-369303128649942523?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/369303128649942523/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=369303128649942523' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/369303128649942523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/369303128649942523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/10/chico-antonio-o-cidadao-do-mundo.html' title='Chico António, o cidadão do mundo'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-7653922040037588692</id><published>2009-10-15T06:15:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T06:18:52.682-07:00</updated><title type='text'>Wazimbo, o nyànyànà</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family:&amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Wazimbo, o &lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;nyànyànà&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Neste mês de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Nhlàngùlà&lt;/i&gt;(Outubro), vos trago o canto do legítimo pássaro da minha terra Chibuto: Wazimbo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Mas antes disso, deixem-me traduzir nyànyànà, para quem não fala changana: nyànyànà, significa em changana pássaro. Bom, ao entrarmos no campo do Português, (se bem que em changana também podemos encontrar esta conotação) quando se fala de&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;pássaro além da ideia ave pequena, surge a de homem astuto e manhoso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Longe de mim querer trazer estes termos para classificar o Wazimbo. É para mim pássaro, por duas ideias fundamentais: primeiro pela sua bela, doce e inegualável voz e, segundo pela capacidade que tem de ascender&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Wazimbo tem uma voz com um traçado geométrico forte, voz de exigência concreta de um milagre chamado canto. Se Wazimbo não fosse cantor, seria cantor. Se não cantasse cantava. Isto, porque dono de uma voz que não permite outro ofício senão o canto. Diria o mesmo de Djecko Maria, do Dua Maciel, do João Cabaço, de Arão Litsure, Hortêncio Langa, de Gabriel Chihau, de Zeburane, ha Zeburane este rouxinol de Ntxanwane. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Mas bom, voltemos ao Wazimbo e ao fulgor que é sua voz; uma voz como disse acima não permite outro ofício, senão cantar. (ainda sonho com o dia em que o artista moçambicano, terá na sua arte a profissão).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;A voz do Wazimbo refaz histórias que me foram contadas na infáncia, faz me voltar ao paraiso rural que é minha terra Chibuto, a sua voz, se distingue porque é concreta e canta uma terra concreta: Moçambique. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Convido-vos uma vez mais a ideia de nyànyànà, para um pequeno exercício de reflexão: certamente que o pássaro tem emoções não? Certamente que no seu voo tropeça, cansa-se, certo? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;E agora o questionamento: alguma vez e por isso mesmo, ouviram o mudar da tonalidade do canto de um pássaro? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;A resposta será não, isto porque, o canto de um pássaro é sempre o mesmo, inalterável, seguro de si, doce, cintilante, denso....é justamente como a voz do Wazimbo: verdade, desde que o Wazimbo é, sua voz nunca mudou, nunca! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Ela eleva-se e supera o seu dono (capacidade de ascender), voa versos concebidos para nos chamar a atenção de ouvir suas canções com todos os ouvidos que nosso corpo possue, como em &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Maria Nwahulwana&lt;/i&gt;, onde desencadeia com o seu canto, uma série de sentimentos, que só o despetar do terminar da música nos chama atenção: arrepios, ansiedade, paz, mesmo quando conta nesta música a estória comum de uma noctívaga; a &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Maria&lt;/i&gt; que não sabe o perigo que espreita ao levar a vida a contar farras .&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Esta música, é para mim a década final do imaginário da canção moçambicana, uma música que tem a capacidade de contar uma estória comun transformando-a em doces pétalas que quedam no rio, de uma intenção poética tão forte, de uma obsessão perfecionista incrível, uma música fugaz, música feita com paixão, com crença com forças inesgotáveis, uma música que inspira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;Eu não sei dizer Wazimbo com as palavras merecidas, como não sei dizer Simeão Mazuze, José Mucavele, Feliciano Ngome, Alexandre Langa, Cabaço e outros, mas nesta página, procur-lhes com olhos emprestados de todos os moçambicanos para lhes agradecer a força incomensurável que tem de remar contra a maré e que maré. De serem gigantes no seu sentir, isso, é para mim uma autêntica expressão da fé. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;E a fé move montanhas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'Century Schoolbook';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: &amp;quot;Century Schoolbook&amp;quot;;mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#CC0000;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;Wazimbo, o nyànyànà.   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-7653922040037588692?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/7653922040037588692/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=7653922040037588692' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7653922040037588692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7653922040037588692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/10/wazimbo-o-nyanyana.html' title='Wazimbo, o nyànyànà'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-1005416771311981014</id><published>2009-09-09T07:45:00.000-07:00</published><updated>2009-09-09T07:47:11.956-07:00</updated><title type='text'>UM TUTANO CHAMADO JOSE MUCAVELE</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language:PT"&gt;Um tutano chamado José Mucavele&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" align="center" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language:PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Quando falamos de tutano a ideia que logo ressalta é a de “essência, parte mais íntima, e/ou âmago de uma coisa”. Pois, é esta a ideia que me ressalta sempre que falo de José Mucavele.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;É para mim este, um dos mais lídimos e resistentes símbolos da nossa música e cultura, a santa ceia espontânea e natural da nossa tradição e dimensão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Desconheço as dores deste poeta, mas as minhas, as conheço, porque as sinto de forma tão óbvia, tão incisiva, tão resistente, de tal forma que se torna impossível de delas me livrar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;São as dores de não reconhecimento destes homens (como o José), que carregam o âmbar da nossa cultura mas, mesmo assim, ostracizados até de quem tem o dever especial de os suportar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Uma voz, guitarra e temâtica que lutam contra a surdez da música que se faz hoje. Música sem preocupação de estética, de ritmo, de mansagem, uma música que dá a sensação de bloqueio dos seus fazedores, porque executada da mesma forma e me atreveria a questionar; música? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Só o absurdo pode traduzir a maioria do que se faz hoje em dia como música, mas, esta é outra história.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Impeliu-me a vontade de escrever sobre o José Mucavele, como um pequeno ode aos meus amigos que ainda acreditam no resguardo dos nossos valores e, neste momento, minha mente desatina, porque, se nos demais actores da nossa música sempre tive o cuidado de um tema para os retratar, custa-me escolher um de e para Mucavele. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Custa-me justamente porque analisada em conjunto a música deste, aponta para uma única direcção: como suporte da nossa identidade como povo, nação, mas, se analizada à parte, encontramos fragmentos do concretismo factual do nosso quotidiano, como tribo, etnia, raça, país e continente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Intrigam-me, com alguma fascínio a mistura, as construções filosóficas de Mucavele, que tem a particularidade de partir da menor premissa para a maior, do campo para a cidade e da cidade para o mundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;As músicas de José vivem um objecto real: um homem do campo, que acaba personificando o homem africano e a imagem que este projecta para o mundo, e da forma como o mundo o vê e acima de tudo como olha para si mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Descobri em “Mupfana wa livala” (Pastor), outras verdades que não se circunscrevem naquele círculo restrito familiar como José dá a entender na sua música e clip (bem interpretado pela parelha Gilberto Mendes e Lucrécia Paco), onde o Mupfana (rapaz pastor de gado), é rejeitado e desprezado pelos pais da sua amada, somente porque é do campo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Redescobri naquela rejeição, a posição do homem africano ante o mundo, que é visto com o mesmo cepticismo, desprezo, rejeição, justamente porque homem do campo (Africa), logo, atrasado, não convicto, lento no pensar, que não transforma, passivo, imediatista, etc.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Esta música é o reivindicar sempre perene de um espaço pelo homem africano e a sua inserção no mundo. É a constante negação de que não precisamos nos transformar, de adequar os nossos hábitos ao ocidente para que sejamos iguais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;O “mupfana wa livala” se perdesse o que o caracteriza, esvaziava toda a sua essência, sua vida, passaria a uma auto flagelação moral, de crise identitária que só abonaria, a quem o quer fragilizar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Se tivesse que resumir a música e obra de José diria, que constituem uma negação deste estado de coisas, porque o africano, sabe olhar a si com belos olhos, sabe olhar a si com exigência de quem participa num projecto que uma dia há-de se cumprir: de uma ÁFRICA igual a si mesma, uma ÁFRICA que vai quebrar inteiramente o vírus da dependência, porque enquanto isso não acontecer será a mesma situação que o José canta: “hilava va taka, vadla tres pratos kuvi hina mamani hidla hafo prato”(eis os que vem comem três pratos, enquanto que nós mãe, comemos apenas a metade), para bom entendedor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Está ai a tutanez do José, este embondeiro que resiste a todas intempéries.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Será que resiste? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT" style="mso-ansi-language: PT"&gt;Amosse Macamo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-1005416771311981014?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/1005416771311981014/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=1005416771311981014' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1005416771311981014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1005416771311981014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/09/um-tutano-chamado-jose-mucavele.html' title='UM TUTANO CHAMADO JOSE MUCAVELE'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-2832607027916419413</id><published>2009-08-14T06:52:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T07:00:25.434-07:00</updated><title type='text'>ODE A VIDA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Ode à vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Bom, no sábado passado o meu amigo Nero, chamou-me a sua casa. Disse-me ele: irmanito, venha almoçar comigo e por favor traga a sua família. Era o começo deste pequeno escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fui eu, a Zena (minha esposa) e a Zahra (minha filha), e uma vez que ia a casa do meu irmanito, e porque a um assobio da minha casa, fiquei à vontade: chinelos, gangas, uma camisete polo e um assobio estridente cantarolando Zeburani.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bati a porta e o meu irmanito ao abrir gozava-me: chegou o Jalaludine (pudera se o Jalaludine tivesse a minha massa cinzenta), e rimo-nos por todos motivos que este nome evoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconcheguei-me na poltrona e reparei que mesmo ao meu lado esquerdo, no canto da sala, estava o tripé, com duas garrafas de um bom vinho gelando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que estou com meu irmanito, regrido no tempo, igual à aquela criança irrequieta que mesmo roubada a infância, ainda se lembrava de brincar. Juntos celebramos o riso, riso puro das mil estórias de vida, gargalhamos a valer, e claro, às vezes me irrito, zango mas meu irmanito, tem o dom de me aturar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas bom, não foi para falar das minhas nóias que vim aqui. Queria era, dar-me por feliz, não só eu, mas também o meu irmanito e nossas famílias, em conseguirmos o que muitos procuram (esta vai para o Julio Muthisse=vingança tarda mas não falha), e se encontram, nunca em igual oportunidade como a nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que, a uma certa altura do convívio, liguei para o meu amigo a quem chamo de “poeta das boas essências”, a pedir que se juntasse a nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já agora, deixem-me trazer-vos o testemunho de um homem que aprendo a admirar a cada dia: Hortêncio Langa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem soberbo sem soberba (arranco as palavras de Júlio Mut(H)isse), duma modéstia impressionante, afável, de trato fácil, respeitador, sempre actual, calmo, sempre disposto a ouvir, até quando devia falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E bom, dizia que liguei ao meu amigo Hortêncio e ele veio como sempre vem quando o peço e trouxe consigo, e atendendo ao meu pedido, a sua guitarra, musa que ele sabe tratar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tocou; tocou um tema que nunca havia tocado, tocou ainda “Maputo”, “Alirhandzo”, “Hodi”, e eu e o meu irmanito sempre a fazermos os coros. Verdade que a desafinar, mas acreditem, estava ali o forte daquelas canções: o trato fino na guitarra e voz de Hortêncio, e as nossas trapalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oportunista como sou, tive o cuidado de registar estas canções no meu telemóvel e um dia, não estranhem se aparecer numa das tantas “labels” da capital, um CD de Hortêncio, Nero e Modaskavalu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem se atrevam a questionar se Nero e Modas, cantam porque nós gritamos menos que alguns MC’s da praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, sexta feira, dia catorze de Agosto de dois mil e nove, a menos de dezasseis dias do primeiro aniversário da minha filha, acordei com vontade de ouvir as canções que captei naquela noite memorável e enquanto escutava, apercebi-me como a vida é bela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ode aos meus amigos Hortêncio e Nero a Zahra minha filha (Zena e minha esposa), que sabem me devolver o sorriso, até quando a vida me nega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ode aos fazedores de cultura desta terra, poetas destinados a castigos imerecidos de não reconhecimento, mas que resistem mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta ode, também se estende aos outros meus amigos que estão sempre comigo, mesmo quando distantes: Duma (filósofo mor), Júnior, Baúque, Mutisse (irmão na causa), Ouri (das trincheiras), Ximbi, yndo, Nyiki(irmanitas), Ndapassoa, Machel, Mapengo, Shir, Chacate, Saiete,Bayano, Nyabetse, Langa, Macamo, Muthisse mais velho, Vaz e a todos que escrevo em off para meu coração sentir, a mensagem é de vivas a nossa cultura, a nossa espiritualidade, nosso optimismo como nação, nossa força e garra, ode também extensiva, a todos fazedores da cultura, homens de verdadeira neura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. não pensei este post, ele nasceu do nada, igual ao meu caminho. Um post que me mete medo...será que vou morrer?&lt;br /&gt;Nada, hoje é sexta catorze. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Amosse Macamo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-2832607027916419413?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/2832607027916419413/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=2832607027916419413' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/2832607027916419413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/2832607027916419413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/08/ode-vida.html' title='ODE A VIDA'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-516272304374779097</id><published>2009-07-27T07:42:00.000-07:00</published><updated>2009-08-03T03:34:36.677-07:00</updated><title type='text'>AS GUITARRAS ESQUECIDAS DE MOÇAMBIQUE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;As Guitarras Esquecidas de Moçambique: o preludiar da marrabenta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é o título em Inglês (The forgotten guitars from Mozambique); e quanto a nós, um título a condizer se levarmos em conta que as guitarras lá contidas são de facto esquecidas, tão esquecidas que ninguém se digna a falar delas, mesmo quando se sabe que transcendem os limites dos seus executores, mesmo que guardado neles a gesta da nossa música popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São guitarras preludiosas de nomes que embora não muito referenciados, constituem o resguardo da nossa música. Estas guitarras foram captadas nos finais dos anos 50, pelo etnomusicólogo Hugh Tracey, onde desfilam as vozes e guitarras de músicos como: Feliciano Ngomes Mutano, Aurélio Kowano, Andrea Sitole, Nacio Makanda, Américo Kossa, Aurélio jefe, Alberto Mwamosi, Gabriel Bila, Alberto Fulani, Armando Muwane e Mahecuane Makhuvele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquelas guitarras, reside o horizonte proclamado da nossa música contemporânea, o optimismo não apenas da condição do percurso dos guitarristas, mas também uma linha revolucionária cuja expressão de maior fôlego se encontra nas músicas de Feliciano Ngome (aliás, pertence a este, metade das 21músicas que compõem o disco) e Aurélio Khuwano (tem o maior número de músicas logo à seguir ao Feliciano Ngome).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando refiro-me a condição de percurso dos guitarristas, tem a ver com o facto de quase todos eles, descenderem da mesma província (Gaza), e acharem-se todos na altura da captação do disco a trabalharem nas minas de Rand, na África do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode deixar de lado este facto, porque sabemos (e este disco evidencia as guitarradas), que os guitarristas nascidos em Chibuto são em regra, exímios tocadores e que se diga, autodidactas e mais curioso ainda, o facto de todos terem aprendido a tocar com as Guitarras de lata de azeite e sempre se dirá que África do Sul era o espaço de iniciação da vida adulta destes guitarristas, espaço de intercâmbio e de alguma competição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem procurar trato vocal apurado no disco, talvez não encontre, (salvo a excepção do Feliciano Ngome Mutano que tinha um trato de voz fino e apurado, digo, meticuloso) mas o pecúlio das vozes tipicamente nossas, as guitarradas, a temática (sátira e amores não bem resolvidos) que se aborda, e os sinais que se dão, em termos de execução rítmica já apontavam para o estilo próprio que se desenhava (marrabenta) e que se diga, nas músicas de Feliciano, Aurélio e Mahecuane, já se mostra concebido o ritmo, aliás, numa das músicas (Kodwa aswibassanga), o Feliciano enuncia a marrabenta, como estilo de música que fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto quem escutas as músicas de Feliciano Ngome, e Aurélio Khuwano, sente a perenidade interferente da gesta da marrabenta, o compasso, o ritmo vibrante e pulverizador ainda que abstracto e latente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vibrações bem conseguidas de cordas daquelas guitarras, o ritmo sempre contagiante, a deixa das falas (do nosso saber linguístico) sempre por analisar, o fulgor, o alcance estético, o fascínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um disco que se deve ouvir e atentamente, porque numa análise ainda que não especializada, percebe-se por exemplo nas cordas do Feliciano, o traço de José Mucavele, de Eusébio Johane Tamele (sobretudo na combinação entre a guitarra e a voz), dos Gallotones (Abílio Mandlaze), da música tradicional Chope, nas lucubrações de Khuwano a marca de Xidiminguana, em Wamusse o fio do Manjacaziano Alberto Mhula, Lisboa Matavele, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ritmo contagiante da música “Maluzano” (Aurélio Kowano e Alberto Fulani, uma dupla de se tirar o chapéu), esta Maluzano que é uma Nwahulwana (noctívaga) ou então de “Halakavuma” que conta a história do pangolim que desceu na machamba de Mbulu, Bilene, na altura sob jurisdição do Induna Mandjondjo, mesmo se sabendo que o pangolim serve de intróito, aliás nem é o regulado o tema principal, mas sim a Elisa Ntxanwane (música esta que foi interpretada pela Orquestra Djambo 70), que “ndzhaku ni ferente swo fana” (mulher sem atributos físicos de tal sorte que se confunde a parte frontal com a traseira, isto na zona da cintura para baixo.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então a “uta rungula wamamane lekaya, que é um verdadeiro hino as guitarradas (mas sobre a temática deste disco, prometo ainda fazer um post.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre se dirá, que vivem naquelas guitarras a nossa moçambicanidade, a nossa espontaneidade, perspectiva de progresso da nossa música, a nossa militância tanto que nação que acredita na sua cultura, a nossa feição naturalista e inspirada, nossa providência, nossas contingências, nossa força espiritual, nosso testamento filosófico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos passado sim, um passado musical igual a nós: homens de tempera rija, de perfeição concebível, de um ideal de luta imanente, de sons que suprem nossas impotências, nossas dores e misérias, nossos mitos, nossas odes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquelas guitarras, ainda que esquecidas, somos nós em ponto maior e a nossa missão hoje, é resgatá-las, para que não sejam nunca as “guitarras esquecidas de Moçambique; é mostrar que temos um passado cultural e que é preciso preservá-lo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva a República, digo, a cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amosse Macamo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-516272304374779097?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/516272304374779097/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=516272304374779097' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/516272304374779097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/516272304374779097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/07/as-guitarras-esquecidas-de-mocambique.html' title='AS GUITARRAS ESQUECIDAS DE MOÇAMBIQUE'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-8232324709627642317</id><published>2009-07-10T02:27:00.000-07:00</published><updated>2009-07-10T02:33:28.750-07:00</updated><title type='text'>João Cabaço: A luminosidade de uma voz</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;João Cabaço: A luminosidade de uma voz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorreu-me o titulo de uma forma esporádica, mas que se diga, logo que me ocorreu, virou quase que uma obsessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João é dono de uma voz de todas as cores belas, voz viva de um milagre real chamado vida, voz de pura escarlate, de um estatuto puramente verbal, de refinados acabamentos, do mistério da sua própria criação poética, doce e acima de tudo iluminada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim; uma voz de luz, não daquelas que ofuscam, mas peculiar, sobretudo de uma contextualidade forte, voz de transes, delírios, de concreta poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reparem, não preciso inventar palavras, nem me confundir em vocabulário de difícil acesso para evocar esta voz porque ela se confunde com a leveza das palavras comuns da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ouvi João Cabaço cantando várias músicas, aliás, há pouco (e me condeno por ter sido tardio), tive que fazer um recuo ao Rabadab Zam´thaka, para ouvi-lo cantar e com o mesmo pecúlio e quiçá perceber donde vem o trato fino na voz, a luminosidade, o brio, o doce, o choro, o requinte e a soberba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente ouvi-o numa das estacões de televisão local cantando e com o esmero que sempre o caracterizou uma música do Fany com requintes de Jazz e blues. Trata-se da música “niwa makhombo”, que parece resumir a vida de Fany, a sua vida, a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a música que me proponho a abordar hoje é a música “mamana waku”(sua mãe), uma música que para mim, merece estar no top das músicas mais bem conseguidas de sempre no pais, sim, porque nesta música, há um formidável e resoluto casamento entre o homem da cidade que se tornou o João, e o rapaz rural (do subúrbio se o preferirem) a quem José Mucavele concebeu como “mupfana wa livala”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, estes dois personagens, não resistem, não divergem, pelo contrário; convivem, mesmo que numa série de dificuldades, como é afinal a relação entre mãe e filho. Criam uma única força, para cantar a mãe na língua que ela melhor entende, para conseguirem ajoelhar suas almas e chegar lá, lá onde vive o coração de uma mãe que ama seus filhos e os quer tornar melhores possíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma forma luminosamente superior, diz o João que “...mamana waku i shihiwa sha mussava oh wene Manuna mata”, como quem diz: sua mãe é a dádiva do mundo, meu caro Manuna...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta música, João encontra nos sábios conselhos que dá a Manuna (porque ele já consegiu chegar ao coração da mãe), uma gruta para se refazer a si próprio, mostrando aos outros o valor do respeito, da humildade, do génio que sabe reconhecer o ventre gerador e renasce em belas falas para perfumar com a sua voz a simbologia da vida, do amor, do seu lugar como filho, e desperta nos outros o sentimento de questionamento; o que representa para si a sua mãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta música, me causa sempre algumas barreiras que parecem intransponíveis, porque sinto que ainda não encontrei a posição que o João dá a sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que, tenho a impressão que meu coração tem esconderijos, verdadeiras grutas onde me escondo, e, sem que eu saia de lá, será difícil senão impossível encontrar em minhas falas o lugar para a minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade é que sempre foi difícil uma conversa entre mim e minha mãe e talvez, este seja o erro da educação de ontem, a falta de diálogo, a questão da fala que remete ao olhar no olho e descobrir outras verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez me pareça com o João, porque acredito que em algum momento, houve uma renhida luta com ele mesmo e depois um despertar filosófico, onde, deve ter passado por todo este processo, até descobrir na canção a melhor forma de dizer as coisas à sua mãe e porque eu não tenho o dom do canto, vou-me socorrer das suas palavras e da sua linda canção para dizer que a minha mãe é a alma, a dádiva deste mundo, meu farol em noites de pranto, a mulher que tenho certeza de que manterá seus braços sempre abertos, minha direcção quando me perco, minha inspiração e mensagem de esperança até quando o mundo parece não querer me dizer nada, meu alicerce, esta dádiva e mesmo que minhas falas não o digam, meu coração sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ode ao Cabaço, esta voz fresca, relevante, de invenção alquímica, construída não em nenhuma academia, senão, a de oralidade popular, do comum existir, onde o simples é belo, como o amor de mãe para com o filho e vice-versa.&lt;br /&gt;Amosse Macamo&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-8232324709627642317?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/8232324709627642317/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=8232324709627642317' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8232324709627642317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8232324709627642317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/07/joao-cabaco-luminosidade-de-uma-voz.html' title='João Cabaço: A luminosidade de uma voz'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-1300840706913551155</id><published>2009-05-18T04:58:00.000-07:00</published><updated>2009-05-18T05:09:39.512-07:00</updated><title type='text'>Modaskavalu, Ghorwane, Gallotones, Mingas e eu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;Modaskavalu, Ghorwane, Gallotones, Mingas...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O meu amigo Custódio Duma é testemunha: não poderei sair de casa nas proximas 3 semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diria eu, “médico cura-te a ti próprio”, porque quem criou esta condição fui eu, já me explico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta feira sai para ver os Gallotones (Ximanganine e companhia), no lançamento do seu álbum, na AEMO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade ligou-me o meu amigo Hortêncio, chamando-me atenção. Lá fui a correr e cheguei a tempo de ouvir quase todas as músicas do novo álbum daquele grupo que tem como título Hanya (viva), mas sobre este, falarei no momento certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente, quando saio às sextas, não posso mais sair no sábado, (família, e a questão dos créditos conjugais que não podem degenerar em débitos, quando a classe dos madlaya nhocas cresce de forma galopante), mas tinha na mente que Ghorwane iria tocar no sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai lançado para a AEMO e é lógico que não poderia perder a oportunidade de ver o espectáculo, comprar o disco, caçar os autógrafos, bater um papo embalado pela boa música da minha terra....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do espectáculo eu e meu amigo Hortêncio ficamos a cavaquear e levamos algumas horinhas que pesam em longas horas quando se chega a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei para casa e para acalmar a minha “Dilikaze”, como ousa chamar Zeburani à sua amada, comprei umas Redd´s e até consegui alisar tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o dia seguinte.....&lt;br /&gt;Meu Deus como dizer que voltaria a sair, no sabado?&lt;br /&gt;Quando devia fazer aquele papel já conhecido de ajudar nos deveres de casa (arrumar a sala) e brincar com a nossa caçulinha, cantando e dançando para ela Marracuene vamu tekeli Podina de Dillon, o Nkutumula, sim, esse meu irmanito malandro, tirou-me de casa e voltei quase às 20 horas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esta?&lt;br /&gt;Bom, devo dizer que na saída que tive com o Nkutumula, fomos a tempo de apanhar um larápio que acabara de roubar e violentar um turista brasileiro e conseguimos como bem diz a nossa Polícia, “neutralizá-lo”, só não recuperamos o telefone (pena).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contei estas emoções à minha mulher e logicamente que ela não acreditou, mas o mais difícil vinha: informá-la que tinha de ir ver Ghorwane.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única forma, pensei comigo, era fazer promessas (e sou bom pagador de promessas) e fí-las, prometi dia seguinte mesmo com ressaca levar-lhe o mata-bicho na cama, arrumar a casa toda (com a casa de banho inclusa), fazer almoço e ainda visitar a mãe dela (minha sogra) e prometi mais e desta promessa me arrependo: prometi não sair nos próximas três fins de semana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus!&lt;br /&gt;Como farei me digam, como hei-de eu viver nas próximas três semanas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não achem que reduzo o aconchego do meu lar e /ou pensem que não tenho amor suficiente em casa; pelo contrário: só que, na Rua d´arte, Gil, Africa Bar e alguns outros cantos desta cidade onde tocam os bons músicos da minha terra, vive o Modaskavalu, o outro “eu” e este, é preponderante para o equilíbrio emocional de Amosse Macamo, o diligente chefe de família.(ou que se quer).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, se minha mulher não ceder a minha cara de pena, vou ter que ficar em casa porque prometi. Far-lhe-ei os desejos porque ela merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sempre direi que valeu à pena ter saído neste fim de semana, porque os Ghorwane, deram um espectáculo gigante como eles e eu cantei muito, (e delirei quando cantaram u yo mussiya kwini de Pedro, Mavabye de Zeca, Txongola de Chitsondzo, Massotchua....,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os Gallotones foram iguais a si mesmo, cantando temas que me fizeram recuar a minha colorida infância, como o Ximeliana Dzukuta e mais, no espectáculo destes, tive a oportunidade de conhecer a voz que invade os meus deuses em noites de grande meditação: a Mingas e fiquei mudo, igual aquela sensação que tínhamos em adolescência, quando colocados pela primeira vez em frente da mulher que queremos...(mas, ainda deu para falarmos de Mamani e fiquei feliz, mas muito, por saber que a Mingas tinha lido o meu texto e gostou).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda no mesmo espectáculo, pude privar com a Paulina Chiziane e ouvir os seus legítimos desabafos sobre o estágio da nossa cultura (conversa interessante esta e que prometo vos revelar aqui)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pude ainda, apertar à mão ao Marcelino dos Santos (e acham pouco isso? Acham? Bob Marley, quando voltou de Zimbabwe, onde fora dar um espectáculo na comemoração de independência daquele país, um grupo de jornalistas ocidentais o interpelou, para saber como fora a experiência ao que respondeu que para além do bom espectáculo, lhe foi dado uma parcela de terra. E sobre este facto, dizia Bob: “fui dado terra, por quem a libertou”. E eu digo: fui dado a mão, por quem libertou esta terra e isso não é pouco meus amigos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu mesmo e as próximas três semanas, (meu Deus), as próximas três semanas, serão dedicados à minha família, outra parte do Modaskavalu que é preciso preservar, aliás, se tiver que vencer uma parte nesta guerra (que deve inexistir), vencerá a minha família...mas Modaskavalu......hei vakithi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. me desculpem as gralhas neste texto, foi tirado de dentro para fora e sem cuidada revisão e se não encontrarem neste texto, o nexo causal entre ele e o Modaskavalu, não se preocupem meus amigos e nem tentem me perceber...devia neste espaço, entrar o texto que escrevi sobre João Cabaço e a música mamana waku, mas quis o maldito computador, complicar minha vida: o texto sumiu e nenhum pensamento, vai superar, ainda que defeituoso, o que tinha imprimido para escrever sobre João...raios, parece que as três semanas já começam a surtir efeito....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-1300840706913551155?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/1300840706913551155/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=1300840706913551155' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1300840706913551155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1300840706913551155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/05/modaskavalu-ghorwane-gallotones-mingas.html' title='Modaskavalu, Ghorwane, Gallotones, Mingas e eu'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-1593965870688960367</id><published>2009-04-27T02:25:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T02:28:59.899-07:00</updated><title type='text'>Ghorwane: o Pêndulo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ghorwane: o Pêndulo&lt;br /&gt;O pêndulo é “um corpo suspenso na extremidade inferior de um fio ou vara metálica, servindo para aprumar ou realizar o movimento de vaivém”&lt;br /&gt;O pêndulo sugere, oscilação e vibração. É na verdade a seta de tempo, que vai vagar entre o passado, o presente e o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, que pertinência tem a questão do pêndulo, quando o assunto é Ghorwane?&lt;br /&gt;Tem toda a pertinência, isto porque Ghorwane, é este pêndulo, que sempre que o ouvimos, buscamos muito do seu e do nosso passado, embrenhamos no sonho acordado do presente e porque o rigor está sempre presente nesta banda, antevemos o seu futuro de fulgor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na nossa cultura, os nossos mortos nunca partem, como sombras, nos perseguem, vivem connosco, e em algumas ocasiões, cantam e dançam connosco e Ghorwane tem este efeito evocativo, porque sabe e muito chamar seus mortos e nunca os deixar morrer… dai que, mesmo somando anos de desaparecimento do Zeca e Pedro, os mesmos sempre vivem e quinta-feira, vão sempre viver connosco e quando ouvirmos as suas músicas, não vamos chorar, vamos sim, vibrar (ideia de vibração do pêndulo), e nessa altura com certeza de termos vencido a morte, porque lembraremos o Pedro/Zeca, com alegria e com certeza de que eles vivem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a costela de Ghorwane, a quem Mia Couto apelidou e com um cunho certeiro de “fazedores de alegria” e não tem razão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, a banda vai actuar na quinta-feira na Rua d’arte, numa actuação de reencontro com o seu público e de preparação de um outro espectáculo, em outras terras: Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então meus bons amigos, quinta-feira está marcado o encontro na Rua d’arte….. e porque não terminar evocando uma musica que serve de intróito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ghorwane hewenoooo ho hoo, Ghorwane heweno ho ho&lt;br /&gt;Na ye Zeca Alage hewene ho hooo, Ghorwane hewene&lt;br /&gt;Na ye Pedro Langa hewene ho hoo, hewenoooo&lt;br /&gt;Hambi na Macuacua hewneoo he he he…….&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se segue a esta introdução é uma festa inigualável e de tamanho das nossas alegrias....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-1593965870688960367?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/1593965870688960367/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=1593965870688960367' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1593965870688960367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1593965870688960367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/04/ghorwane-o-pendulo.html' title='Ghorwane: o Pêndulo'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-206664712512239186</id><published>2009-03-31T23:51:00.000-07:00</published><updated>2009-04-01T06:48:21.213-07:00</updated><title type='text'>Mingas, a Diva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Mamani&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Hambi no vona waku ni nyoxissa&lt;br /&gt;Timbilu to banana loku ndzi dzimuka wene mamani&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lava hinkwavo valanguiwike hi mbilu yanga&lt;br /&gt;Akwaku ava lunganga mamani&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh hiyo io io io io&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Niza ni tsama lani ni siku lani niya tsama le&lt;br /&gt;Nani navela ku zhulissa moya wanga mamani&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh hiyo io io io io&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh mamani&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kassi udjula niku yini mamani&lt;br /&gt;Swaku nienctha hikuni tsotsitela swanga nova ngwana&lt;br /&gt;Swaku nienctha hikuni possita, swanga nova papela&lt;br /&gt;Swaku yientcha hikuni chavissa swanga nova mpahla mamani&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nili vona hi wene’/nili vona hi wene/nili vona hi wene mamani&lt;/em&gt; -Mingas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mingas; a diva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mingas é uma voz feminina de alcance estético inigualável. Uma voz que me lembra a harmonia do voo e canto dos pássaros; sim, o encantador voo livre, sem ruídos, sem acidentes, sem tombos; deslumbrante como o último fio de luz do sol que o pássaro atravessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma voz fresca, intima, de um existir autêntico, explicita, permanente, sólida, que sabe tirar partido de suas falas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, dirá o amigo leitor que é muita poesia para classificar uma única voz e concordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hesitei muito para escrever sobre Mingas, pois, não reconheço em mim propriedade, para falar de uma poetisa de rigor como ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessam-me agora arrepios: mas porque comecei? Agora já não tem volta: devo levar esta tarefa até ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa sociedade como a nossa, exageradamente simplista nas análises e nas categorizações, em que qualquer cantora é considerada e/ou se considera diva, me questiono o que será a Mingas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tensão que a resposta carrega, impede-me de dizer metade do que ela seja porque, tal como nas primeiras palavras em que a tentei descrever, dirão: poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, mais do que a tentativa de dizer quem é a Mingas, escolhi uma canção de nomeação cuja carícia de voz me empolga; trata-se de mamani.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamani, simboliza o eterno conflito das mães quererem mandar nos amores das suas filhas (filhos). Em mamani, Mingas questiona: o que queres que eu faça minha mãe? (&lt;em&gt;U djula niku yini mamani?)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Este questionamento põe a descoberto, um pássaro que se quer libertar mas, ao mesmo, sente que não está pronto para o voo. É a voz de uma filha que quer contestar, mas sabe que deve ouvir a voz da razão: a voz materna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este questionamento é a queda de uma gota de quem reclama o seu próprio espaço, o livre arbítrio, um visível existir que a mãe a nega, tudo porque sua filha e, logo, com dever de ouvir sua voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que queres que eu faça mãe, porque, mesmo que encontre quem me agrada, meu coração bate quando me lembro de si (&lt;em&gt;hambi no vona…..)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Um dos traços mais evidentes da sociedade e época em que cresceu a Mingas (falo da sua juventude), tem a ver com a valorização extrema da figura materna que encarna(va) toda a sabedoria, experiência, uma imagem dominante do social, onde as filhas tinham pouco ou nada a dizer na escolha das suas relações afectivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta mulher que Mingas retrata, já tenta, embora não contrariando, questionar esta sociedade quando diz a mãe que “chegas ao ponto de me atiçar como se fosse cão, me envias como de papel me tratasse, e me vendes, como se de roupa me tratasse!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, não há dúvidas, que esta música é a negação da perspectiva redutora da mulher, da tendência super protectora das mães, dos postulados de extremos em nome do bem-estar dos filhos quando, muitas vezes, o bem-estar pode evocar abismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que queres que eu faça mãe, se meu coração me diz o contrário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, esta pergunta a Mingas não a lança explicitamente, mas o seu canto, tange a isso, porque seus olhos, seu coração, seu desejo irreprimível de mulher, a indica uma direcção, quando a mãe, quer que ela vá noutra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz ou infelizmente, grosso de mulheres da geração da Mingas, aceita todos os opróbrios ao lado de um homem que as espezinha por completo, isto porque as mães, mesmo que nessa condição, as convencem de que aqueles são seus homens, quando na verdade são os homens que as mães escolheram para elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este sentimento, está patente na música quando a Mingas, segura de si, diz a Mãe &lt;em&gt;Nili vona hi wene’/nili vona hi wene/nili vona hi wene mamani,&lt;/em&gt; no sentido de que olhe o exemplo que és mãe, achas te mulher feliz? Agiu certo a sua mãe em escolher o marido para si? A sua vida de prantos demonstra o contrário, agora; como podes querer o mesmo para mim mãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamani é um hino contra a repressividade e autoritarismo desse tempo em que as mães ordenavam e as filhas, cegamente, obedeciam numa situação que em nada que se parece com o modernismo que se vive hoje, onde o sonho, a ideia do sexo descomprometido, a ferrada romântica, a ideia de liberdade, não deixam que os pais opinem, tanto mais mandarem no amor dos filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom fica aqui em mamani a ideia de oscilação entre dois períodos; um de autoritarismo, mas que mantinha coeso a família, outro de liberdade que hoje se vive mas que a fragiliza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez o mais importante nesta música seja a forma sofrida com que a dona a trata. De um timbre que impõe luta, Mingas vai fazendo desta, dor das demais mulheres, vai celebrando sua dor com o canto, e traída pelo sopro majestoso do Matchote não se contém e chora, mesmo que no silêncio, &lt;em&gt;yio, hio, yó yó yó, yo yo mamane/kasse u djula niku yini mamani&lt;/em&gt; “o que queres que eu faça mãe?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mingas é sim uma diva, uma verdadeira diva, de têmpera rija, de encanto no canto, meu rouxinol em noites sofridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amosse Macamo&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Arranjo do texto: Dr. Júlio Mutisse, o &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Subversivo.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-206664712512239186?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/206664712512239186/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=206664712512239186' title='36 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/206664712512239186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/206664712512239186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/03/mingas-diva.html' title='Mingas, a Diva'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>36</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-7096199376183423702</id><published>2009-03-26T00:01:00.000-07:00</published><updated>2009-03-26T00:11:14.320-07:00</updated><title type='text'>Impacto da Urbanização sobre as Práticas Musicais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;O que se segue, é um trabalho, efectuado por um grupo de estudantes do Curso Superior de Música da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane e me foi entregue pela mão de Horténcio Langa (o poeta das boas essências), um dos integrantes deste grupo, denominado “Grupo 3”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não estranhem que assim seja, porque um dos compromissos do Modaskavalu, quanto que Blog de música, é de trazer reflexões de diversos pensadores sejam eles estrangeiros ou moçambicanos, sobre a nossa música, matéria que se sabe, pouco explorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amigo leitor, vai perceber que o texto é um bocado longo, mas não se preocupe, porque de uma escrita ágil e de um tema que é actual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não mexi nada no trabalho de forma a manter a sua fidelidade. Este texto inaugura uma outra fase do Modaskavalu, que se pretende de comparticipação, de envolvência, de troca de informações, de busca de fontes sobre a nossa música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deliciem-se e acima de tudo, comentem, para que os fazedores desses estudos, sintam que não fazem nenhuma travessia de deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto, o texto vai falar por si&lt;br /&gt;Modaskavalu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impacto da Urbanização sobre as Práticas Musicais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abstracto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este trabalho foi efectuado por uma equipa de estudantes do 1o ano do Curso Superior de Música da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane, com o objectivo de ser apresentado em seminário no contexto da semana intercalar do calendário académico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele visa, sobretudo, lançar uma luz sobre as questões referentes ao fenómeno da urbanização e sua influência sobre as práticas musicais tendo como exemplos os casos ocorridos nas cidades de Maputo, Beira e Pemba, sem deixar, contudo, de referir os casos de outros países estudados por cientistas das mais diversas áreas de estudo do comportamento das sociedades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele teve como base fontes bibliográficas existentes. Lamentavelmente, no caso do estudo da música moçambicana, várias foram as dificuldades encontradas, devido à escassez de fontes.&lt;br /&gt;Com este trabalho o grupo pretende:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Lançar uma luz sobre as questões referentes ao fenómeno da urbanização e sua influência sobre as práticas musicais;&lt;br /&gt; Fazer uma reflexão sobre as características da urbanização, suas causas e efeitos na cultura e comportamento social;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Introdução&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A urbanização é um fenómeno cuja compreensão nos remete à época da formação das primeiras sociedades sedentárias e na definição de respectivos caracteres identitários como a raça, o parentesco, as afinidades religiosas e culturais, formas de produção, interesses comuns, partilha, etc… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A descoberta pelos navegadores europeus do chamado Novo Mundo, nos meados Séc. XIV, ditou o estabelecimento de rotas marítimas, criando condições para trocas comerciais e tráfico de escravos bem como para uma movimentação migratória de pessoas dos diversos continentes, de diferentes culturas, crenças e estratos sociais, em busca de oportunidades nos territórios recém-descobertos. Assim, os grandes aglomerados populacionais eram constituidos por distintos micro-grupos étnicos, com as respectivas identidades e práticas culturais. Como consequência, a urbanização no novo Mundo deu-se de forma sui generis, particularmente pela mistura e sedimentação de valores culturais que, posteriormente, viriam a caracterizar, entre outros, o meio musical urbano destas novas sociedades. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Falar da urbanização hoje implica falar da história da humanidade, da formação das cidades criadas em consequência do crescimento e movimentação de grupos humanos. Segundo Bruno Nettl (1930:xx), esta matéria está condicionada a novas disciplinas tais como a antropologia urbana, sociologia urbana e o planeamento urbano. A afirmação se circunscreve no facto de que o ambiente urbano determina a actividade humana e a interacção entre diferentes grupos populacionais em tudo o que diz respeito à sua condição social, cultural, professional, económica etc… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A concentração de pessoas provenientes de diversas etnias e grupos culturais tem como resultado a troca de valores culturais que, por consequência, produzem uma miscigenação cultural. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O presente trabalho cingir-se-á nas seguintes áreas de estudo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estudo da música urbana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Casos estudados&lt;br /&gt;- Música brasileira;&lt;br /&gt;- O soul music dos EUA;&lt;br /&gt;- A música de Moçambique: Norte, centro e Sul&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;2. Música urbana&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bruno Nettl no seu artigo Musique Urbaine, refere que o termo música urbana designa a que caracteriza a cultura e correntes musicais das sociedades urbanas. A principal característica das sociedades urbanas é a sua dinâmica que consequentemente influencia as práticas culturais (2005). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta interacção cultural resulta na adopção de valores ocidentais ou na manutenção dos géneros tradicionais com mistura dos elementos ocidentais adquiridos. Os processos em que esta interacção ocorre são variados, sobrepõem-se e são facilmente confundíveis. Um desses processos pode ser designado de ocidentalização. Na sua forma simples o conceito é usado para descrever a absorção de elementos ocidentais dentro da música, muitas vezes, em detrimento das características naturais do género… ela consiste na introdução de instrumentos, harmonias e anotação, bem como as tecnologias de gravação e de radiodifusão, o outro consiste na adopção de elementos da cultura ocidental sem, contudo, alterar os elementos essenciais da música tradicional (Nettl, 1930:10). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muller e dos Reis, (2005) afirmam que a cultura tem como características transformações graduais, diferenciação com a distância de origem e homogeneização com a proximidade social. E questionam, a dado passo, se é possível a preservação dos elementos tradicionais da cultura, apesar dos impactos provocados pela globalização...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;2.1. O caso do Brasil&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tomando a Cidade Brasileira do Rio de Janeiro, como exemplo, podemos ver reflectida a presença das culturas: ocidental, através dos colonos portugueses, e a africana, transportada pelos escravos idos do continente negro. Se bem que estas sejam marcantes, é digno de nota que outros povos aportaram a costa do território brasileiro levando consigo suas danças, sistemas musicais, instrumentos, religiões e crenças. Assim, a música brasileira é resultado de um caldeamento de vários sistemas musicais e teve a miscigenação como factor cultural da construção da sua tradição musical, forjando a coesão de elementos constitutivos da sua nacionalidade musical.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo Luiz Otávio Braga, “as crónicas de 1910 sobre Chiquinha Gonzaga já a ela se referiam como personagem de grande importância na evolução da música popular urbana do Brasil”. Outros estudiosos procuram demonstrar a originalidade da música carioca, primeiro, através do samba e no segundo caso, do choro (BRAGA, 1978). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Carlos Sandroni refere que “o samba carioca tem inúmeras variantes, mas uma diferença especialmente importante tem sido sublinhada pelos historiadores do género entre o samba que se fez nos anos 1910 e 1920 e o que foi feito dos anos 1930 em diante. No início do século XX, quem falava de samba no Rio eram sobretudo as pessoas ligadas à comunidade de negros e mestiços emigrados da Baía, que se instalavam nos bairros próximos ao cais do porto, a Saúde, a Praça Onze, a Cidade Nova. Estas pessoas cultivavam muitas tradições da sua terra natal” (SANDRONI, 2004).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;2.2. A música nos Estados Unidos da América&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Outro exemplo digno de referência é a música Soul, dos estados Unidos da América, que nasceu durante o final dos anos 50 e início dos anos 60 entre os negros norte americanos, cujo desenvolvimento foi acelerado graças a duas tendências: a urbanização do R&amp;amp;B, e a secularização do gospel. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Socialmente a grande audiência de adolescentes brancos que ouvia cópias ou covers brancos do R&amp;amp;B e sucessos do Rock, começou a demandar gravações originais dos artistas negros. Nos fins dos anos 50, este movimento originou uma busca de versões vendáveis da música, por parte dos agentes discográficos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante os anos 60 o soul music era popular entre negros nos Estados Unidos da América, Europa e África. Artistas do chamado Blues, “eyed Soul” (soul branco, músicos brancos que tocavam para plateias brancas). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O blues é um estilo musical vocal e instrumental que evoluiu dos espirituais, cânticos e canções de trabalho afro-americanos e tem a sua raiz estilística na África Ocidental e tem exercido, actualmente, uma grande influência na música popular ocidental, com expressão no ragtime, jazz nas Big bands, Rithm &amp;amp;Blues, rock’n roll, na música country, na música Pop convencional e até na música clássica moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.3. &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;A música urbana em Moçambique&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por seu turno, em Moçambique um importante factor que favoreceu a mudança de comportamento cultural foi a migração das populações rurais para os centros urbanos bem como para as minas e plantações da República de África do Sul. Aqui, os músicos que antes usavam instrumentos artesanais, substituem-nos por outros de fabrico convencional, como a guitarra acústica, bandolim, concertina e acordeão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No meio urbano, sob governo colonial, haviam músicos populares, nativos das zonas rurais próximas das cidades, que usavam já instrumentos convencionais, que por serem uriundos do campo, praticavam uma música que se caracterizava pela manutenção do estilo genuinamente tradicional, recorrendo apenas à transposição das harmonias para uma instrumentação moderna, nalguns casos, transferindo células rítmicas dos instrumentos tradicionais, como a mbira e a timbila, para os instrumentos modernos (LANGA, 2002). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com a introdução de novas tecnologias de comunicação, a música ganhou expansão através da transmissão radiofónica e divulgação discográfica. Como exemplo podemo-nos referir à criação, no ano de 1933, do Grêmio dos Radiófilos, posteriormente transformada em Rádio Clube de Moçambique, cuja função foi bastante relevante na divulgação de gêneros musicais estrangeiros e ainda no registo fonográfico das músicas feitas por músicos locais (LANGA, 2002).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;2.3.1. O caso de Maputo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De referir que devido à sua localização a Cidade de Maputo foi a que mais se notabilizou no processo rápido de urbanização cultural e musical, e a que mais influências externas sofreu. A convergência cultural resultante da vinda de povos dos mais variados quadrantes do mundo, bem como a proximidade da República da África do Sul, foram factores que muito contribuíram para o efeito. Importa ainda dizer que os compounds foram um lugar de interecção cultural que favoreceram o florescimento da miscigenação cultural musical.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A baixa da cidade, zona ferro-portuária freqüentada por prostitutas e marinheiros, estivadores e boêmios, representava a vida nocturna e é lá onde se assiste ao surgimento de “... uma classe de músicos profissionais versáteis, habilitados no acompanhamento de conçonetistas e bailados. Aprendendo e adestrando-se com músicos vindos das mais diversas partes do mundo.” ibid&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sungura, vulgarmente denominada xingwerengwe, foi um gênero musical fundamentalmente executado nas zonas suburbanas e rurais, tendo a zonas periurbana e urbana adoptado preferencialmente gêneros de influência latino americanos, norte americanos e europeus tais como o soul music, o baião, o samba, a rumba, apenas para referir alguns exemplos dos vários estilos cuja influência se fez sentir nos meios artísticos moçambicanos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hortêncio Langa no seu artigo “desenvolvimento do panorama musical em Moçambique” afirma que as associações culturais e recreativas, bem como os clubes desportivos tiveram um papel extremamente importante na preservação de uma cultura popular isenta, incentivando e promovendo a música, a dança, o teatro e o desporto no seio das colectividades, contribuindo assim (...) para a formação da identidade e consciência nacionalista (2002).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;2.3.2. O caso de Pemba&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado no Norte do pais, é constituída por quatro principais grupos étnicos, sendo eles Macuas, Macondes, Muani e Màkwe, pode ser tomada como mais um exemplo do processo de urbanização. Aqui, assiste-se à convergência de vários segmentos destas etnias, devido à guerra, a factores climáticos e ainda à atracção exercida pelas actividades económicas (portuária ou pesqueira). Neste seu êxodo para a cidade estes grupos transportaram as características próprias da sua cultura de origem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O litoral da província de Cabo Delgado é, predominantemente de influência árabe nos usos e costumes e na prática da religião muçulmana. Assim, a interecção entre estas culturas do interland e a cultura de origem árabe e ocidental prevalecentes na cidade, originaram uma fusão cultural. Por exemplo, a dança tufo, que era inicialmente praticada por homens em cerimónias religiosas denominadas “maulide”, festejos do 6º mês do nascimento do profeta, ou no ritual da saída dos jovens dos ritos de iniciação, ou ainda em cerimónias nupciais religiosas “chuo”, passa a ser praticada por ambos os sexos. No período da Luta de Libertação Nacional, e no pós-independência, foi também usada como canção de mobilização popular.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na zona planáltica de Mueda, encontramos a dança mapico, que em tempos mais recuados o lipico (dançarino) era preparado com antecedência de uma semana após o que voltava a subir ao palco sem o conhecimento de outras pessoas. O lipico era considerado um ser místico vindo das montanhas e só podia ser representado por um homem que tivesse passado pelos ritos de iniciação e com uma coreografia natural. Actualmente, o mapico perdeu o seu significado mítico, chegando até, a sua instrumentação e ritmo a serem integrados em canções e música urbanas e a sua dança a ser praticada por todos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em Pemba, a dança niketche, da região sul, é também um exemplo que mostra ter perdido o seu rigor. Os jovens tendem a moderniza-la com acompanhamento de intrumentos de origem ocidental, resultando daí uma autêntica fusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;2.3.3. O caso da Cidade da Beira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Localizada na província de Sofala, a Cidade da Beira cujas populações são predominantemente das etnias Sena e Ndau que, movidos por factores socio-políticos e económicos, entre outros, viram-se obrigados a abandonar o seu meio rural em busca de melhores condições de vida nas cidades e vilas, levando consigo todo o seu repertório definido por hábitos e costumes característicos do seu meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para uma melhor compreensão daquilo que são os resultados do processo da urbanização, no modo de fazer a arte musical naquela cidade, tomamos como exemplo dois estilos musicais tradicionais: a mandoa praticada pela etnia Ndau e o Utse, pela etnia Sena. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A mandoa é, no seu contexto social, praticada normalmente no mês de Julho depois da colheita. E é caracterizada pelo uso de instrumentos tipicamente tradicionais como a marimba, a gocha, os batuques e apitos, sendo este último o que guia a troca de pares no acto de dança. A indumentária consiste no uso de capulanas por parte dos homens e, das mulheres o uso de qualquer roupa indispensável para dar uma estrutura sólida à dança. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todo este conjunto de atributos caracteriza a mandoa original da região povoada por esta etnia. Hoje pode-se ouvir na mandoa executada por jovens músicos beirenses, elementos significativos que constituem as bases que sustentam a sua originalidade. Deste modo, sem contudo perder o seu sabor, ela tende a ser requintada, com a substituição dos seus instrumentos artesanais por convencionais, com vista a torna-la mais moderna e capaz de responder as exigências do mundo cultural urbano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro exemplo é a Utse. Esta é tocada e dançada maioritariamente por mulheres jovens. Os homens ficam encarregues do manejo dos instrumentos acompanhantes, (sendo, por vezes, manejados pelas mulheres). A indumentária dos praticantes é constituída por capulanas de chita para as mulheres, e saias de folha de palmeiras ou de bananeiras para os homens. Ela é tocada em grandes celebrações cerimoniais, servindo de suporte ao ritual. Porém, hoje ela é também executada nas zonas urbanas, num contexto social diferente com utilização de instrumentos convencionais, não escapando assim às consequências impostas pelo processo de urbanização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;3. Conclusão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos nossos dias, a cidade tornou-se num entreposto de troca de saberes, ideias e padrões comportamentais que sumarizam identidades dentro da aldeia global em que o mundo se transformou, pela utilização de tecnologias avançadas de comunição que permitem estabelecer contactos imediatos e directos com realidades e práticas culturais entre povos e pessoas distantes. Por ser, a cidade, uma unidade populacional caracterizada por um contacto constante e activo entre pessoas de diferentes culturas e estratos sociais, segundo Muller e Reis, (2005) “é possível encontrar influências resultantes destes intercâmbios culturais, que, por vezes, levam ao esquecimento das práticas tradicionais provocando, consequentemente, um progressivo desaparecimento dos aspectos fundamentais dos valores culturais” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Todavia, da bibliografia consultada, e do que é comummente conhecido, o grupo constatou não haver, até hoje, dados evidentes de que povo algum tenha sido sujeito a um processo de assimilação cultural acabado e definitivo, por via da colonização ou por qualquer outra via. Assim, considerando que a cultura não é motivada por factores biológicos e que os seus caracteres identitários são elementos de valor espiritual que determinam no ser humano a predisposição natural de os preservar como tradição, concluiu que o ser humano é, simultâneamente, criador e fiel-depositário da memória colectiva que comporta o seu “Ser” cultural que deve ser transmitida de geração em geração. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta constatação do grupo encontra suporte em Jung o qual presume que os elementos estruturantes da psique são motivos míticos “que correspondem a elementos estruturantes colectivos da psique humana em geral e, tal como os elementos morfológicos do corpo humano, são herdadas.” Tais elementos estruturais psíquicos exigem a presunção duma reemergência “autóctone.” (PATAI, 1972).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se bem que as novas tecnologias sejam instrumentos de difusão massiva de culturas alheias, ou de uma massificação globalizante dessas culturas, por outro lado, são também instrumentos extremamente úteis na recolha, preservação e difusão das culturas que, no espaço e no tempo se manterão como marcos indeléveis da identidade dos povos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;4. Bibliografia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRAGA, Luís&lt;br /&gt;1910 “Música Urbana no Rio de Janeiro entre 1930 e o final do estado novo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HACALIZE, Domingos et alii&lt;br /&gt;2005 Canção, dança e instrumentos de música tradicional&lt;br /&gt;Nos Distritos de Búzi, Dondo e Marromeu. Província de Sofala&lt;br /&gt;Casa da Cultura da Beira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LANGA, Hortêncio&lt;br /&gt;2002 “Desenvolvimento do panorama musical em Moçambi&lt;br /&gt;que” Lusografias Imprensa Universitária. pp125 - 132&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MULLER E DOS REIS&lt;br /&gt;2005 Revista Ágora - www.fes.br/revistas/agora/ojs/ - Campo Grande, v.1 n.4.Página 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NETTL, Bruno&lt;br /&gt;2005 “Musique Urbaine” in Musiques: Une encyclopedie&lt;br /&gt;Poor le XXIe siécle. Musiques et cultures (3) 593-611&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SANDRONI, Carlos&lt;br /&gt;2003 “Transformação do samba carioca no séc. XX”. Textos do Brasil – Música popular brasileira no 11 pp 78-83&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PATAI, Raphael&lt;br /&gt;O Mito e o Homem Moderno, Editora Cultrix, São Paulo p 31&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maputo, 2006-10-04 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-7096199376183423702?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/7096199376183423702/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=7096199376183423702' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7096199376183423702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7096199376183423702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/03/impacto-da-urbanizacao-sobre-as.html' title='Impacto da Urbanização sobre as Práticas Musicais'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-4975389623853247456</id><published>2009-03-24T01:06:00.000-07:00</published><updated>2009-03-24T03:03:44.566-07:00</updated><title type='text'>Modaskavalu faz hoje 1 ano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Modaskavalu faz hoje 1 ano e seu autor 32 anos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando Mahecuane e Fany, gravaram em 1955 a melódica e estonteante música modaskavalu, por sinal nome do Blog, podem tê-lo feito na espontaneidade e neura que lhes caracterizava, mas, o que não podiam calcular, é que, volvidos 54 anos, a música, mantivesse o mesmo sabor e encanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, a música modaskavalu recusa-se a decadência em massa da nação cultural, e é este, o espírito do blog, que é de trazer o sentimento de imortalidade dos nossos lídimos sabores musicais, traduzir a voz dos seus fazedores, vasculhando-lhes os sentimentos, o interesse social, a faceta poética, a beleza e estilo da sua composição, dor, alegria, sofrimento; a verdade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, Modaskavalu é uma compensação para as minhas dores. Dores de toda a babel de sonoridades inexpressivas que nos invadem diariamente, na rádio, televisão, na rua e mesmo quando dormimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o blog, faz hoje 1 ano de vida, idem, para o seu autor, que faz, 32 anos, os dois nascemos no dia 24 de Marco.&lt;br /&gt;Ora, não seria de bom alvitre, que os dois, não viéssemos aqui, neste baile, onde sempre dançamos a boa música com os bons amigos, para juntos festejarmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta altura, que o tempo me escasseia e mesmo assim, não pude evitar passar por aqui, para celebrar convosco, meus bons amigos do Modaskavalu, (que quando o tempo, permitir, farei a questão, de trazer o nome de cada), e dizer obrigado, por vocês estarem sempre ai, e sempre dispostos, a darem pouco do vosso precioso tempo para o Modaskavalu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu eterno Khanimambo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-4975389623853247456?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/4975389623853247456/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=4975389623853247456' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/4975389623853247456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/4975389623853247456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/03/modakavalu-faz-hoje-1-ano.html' title='Modaskavalu faz hoje 1 ano'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-3534313446300251986</id><published>2009-03-10T02:27:00.000-07:00</published><updated>2009-03-18T06:21:51.424-07:00</updated><title type='text'>Crónicas de Alexandre Langa: Madlaya Nhoca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Madlaya Nhoca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Mamani nishi khumile mina&lt;br /&gt;Hiwo nengue lowu&lt;br /&gt;Mayo nishi kumile mina&lt;br /&gt;Hiwo nengue lowu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ungama kuma madoda mayetlele unga ma pfucha wena&lt;br /&gt;Haikhona&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Loku ndzi fulela a ti hindlo vale nima dlaya nhoca&lt;br /&gt;Nitaze nissukela amissava mina nandzo hlupheka&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamani nishi kumile mina/may vavo nishi kumile mima/nyandayeyo nishi kumile mina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aku heleliwa hi bonance vali nima dlaya nhoca (…) – Alexandre Langa&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Langa é um exímio tocador de sino do nosso país. Com suas músicas, sempre soube tocar no mais saboroso e lídimo sabor moçambicano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é por acaso que já foi arranjista das músicas do mestre Fany. Isso para dizer que só alguém com mentalidade de Rei, para assessorar o Rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresci a ouvir suas músicas e mais, histórias de vida que jamais se apagarão da minha memória. A que hoje vos vou transmitir é fruto desse tempo passado, que teima em assombrar o meu presente; e ainda bem que é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta-se que os Régulos de ontem eram verdadeiras autoridades, aliás, só o &lt;em&gt;Induna&lt;/em&gt; (Regente), o que em termos de hierarquia vinha logo abaixo do Régulo era uma verdadeira autoridade (quem conheceu o &lt;em&gt;Induna Hubu Hubu&lt;/em&gt; de Chibuto, sabe do que falo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia que os Régulos de ontem eram verdadeiros conhecedores das suas gentes, da sua terra, dos costumes, tradições; autênticos pacificadores, a quem importava, acima de tudo, a concórdia do seu povo e a manutenção dos bons costumes e das boas práticas sociais. Logicamente que tinham seus erros, porque humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo para o qual recuo, os homens passavam entre um ano/ano e meio nas minas e suas mulheres eram deixadas atrás. Vale a pena observar que o adultério naquela altura, não andava em voga como anda hoje; não que não existisse, mas era raro, porque a sociedade era vigilante e severa contra esta prática.&lt;br /&gt;Ora, perante este cenário, como se arranjavam as mulheres, nas suas necessidades e reconhecendo-lhes a fragilidade própria dos Homens?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a família naquele tempo era um instituto a preservar, e para que esta não se corrompesse ou corresse o risco, isto pela ausência dos maridos, o Régulo adoptava esquemas próprios, para manter a sua comunidade em convivência sã e pacífica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Régulo tinha seus infiltrados em todas as áreas e, às massungukhatis incumbia, fazer o controlo cerrado das esposas dos homens que estavam nas minas, escutando-lhes as dificuldades, os anseios e, quando se apercebessem que uma, duas ou mais mulheres andavam com os nervos à flor da pele, com intrigas desnecessárias, sempre nervosa e com dores de cabeça típicas, tratavam de comunicar ao Induna e este por sua vez ao Régulo que tinha a missão de mandar um homem para a casa daquela (s) mulher (es) para matar a cobra (&lt;em&gt;dlaya nhoca&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este homem ia lá no final do dia e matava de facto a cobra (vá lá a mulher ser picada por uma cobra enquanto há homens para matá-la?) e dia seguinte a mulher que andava com nervos à flor da pele, irritadiça e tudo, já estava toda sorridente e já não era foco de tensões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasceu daí a expressão &lt;em&gt;madlaya nhoca&lt;/em&gt;, para designar aqueles homens que não iam às minas da África do Sul, lugar onde era reservado a homens viris, para, em terra, ficarem a resolver os problemas fisiológicos das mulheres e mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o termo &lt;em&gt;madlaya nhoca&lt;/em&gt; (o que mata a cobra) era pejorativo, isto porque, estes homens eram tidos como fracos e, ao mesmo tempo, invejados pelos magaizas que no fundo sabiam que qualquer um deles podia ter passado pelas suas casas, com pretexto de matar a cobra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se engana quem pense que o &lt;em&gt;madlaya nhoca&lt;/em&gt; poderia ser qualquer, pois, estes, eram criteriosamente seleccionados, de tal sorte que não se aceitava, que este, depois de matar a cobra o revelasse a alguém: era um segredo, que deveria levar a cova, isto porque as mulheres tinham seus maridos e, na verdade, o Régulo, com aquela medida, matava um mal maior com o menor (não enveredasse a mulher por esquemas de adultério, quando por algum esquema oficial a podiam oferecer uma espécie de brinquedo, para satisfazer as suas faltas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram, na verdade, esquemas que garantiam uma certa tranquilidade social, uma estabilidade no lar, um arranjo que ante a fragilidade humana, pedia um meio-termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Alexandre canta esta realidade; na verdade, diz que só pelo facto de ter caducado o seu visto de trabalho (bonanci) “&lt;em&gt;vali nima dlaya nhoca&lt;/em&gt;”, o rotulam de “&lt;em&gt;madlaya nhoca&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reivindica o Alexandre, o estatuto de homem, pois, a sociedade naquele tempo, tinha no mineiro, o homem típico, onde o resto, não passava de resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só lembrar uma música que andava em voga e o amigo leitor deve se lembrar que dizia&lt;strong&gt;”awu yanga djoni bavo/ yi-ó, utsamela ku hala makoko /yi-ó”&lt;/strong&gt; (não foste a África do Sul, para ficar a raspar a codea na panela). Fica aqui claro, a ideia que se tinha do homem que não ia as minas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os homens que ficavam em terra tinham a sua importância, tinham a sua tarefa e contributos reais na sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vezes sem conta, eram os mesmos que arranjavam as coberturas das palhotas &lt;em&gt;(loku nifulela a ti hindlo vali nima dlaya nhoca&lt;/em&gt;), alimentavam com histórias mirabolantes os filhos dos magaizas, povoavam seus imaginários com contos das terras onde seus pais estavam a trabalhar, resolviam os desafios reais do momento, e, meia volta, eram tidos como &lt;em&gt;madlaya nhocas&lt;/em&gt;, até, na inevitável situação em que o homem não mais podia retornar as minas, porque caducado o seu visto de trabalho (&lt;em&gt;ni heleliwa e bonanci vali nima dlaya nhoca).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Num gesto de desespero remata e quase a finalizar que “acabarei partindo desta terra a sofrer” (&lt;em&gt;n’taze nissukela a missava na no hlupheka&lt;/em&gt;); o que hei-de ver por andar minha mãe, o que hei-de ver por ter nascido/por viver (…&lt;em&gt;mamani nishi kumile mina/hiwo nengue lowu…).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Alexandre nega, com esta música, a perspectiva redutora de que o homem que não ia as minas, não era homem e se homem, um &lt;em&gt;madlaya nhoca&lt;/em&gt;, desprezível a quem era incumbido resolver nenhures.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo &lt;em&gt;madlaya nhocas&lt;/em&gt;, estes, tinham ou não a sua função social? Era de todo desprezível o trabalho que faziam? Até que ponto, aqueles contribuíram para a estabilização dos lares dos magaizas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que respostas, apenas questionamentos, porque vale a pena questionar até aonde não se deve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mesmo a terminar, porquê não chamar uma outra música de Alexandre que em tempos virou hino não dos madlaya nhocas, mas de magaizas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vali nimu djoni djoni mina&lt;br /&gt;Hi ndlala hingaku rhuma djoni bava hi ndlala&lt;br /&gt;Vani tchula nima vitu/hi nldala hingaku rhuma djoni bava hi ndlala&lt;br /&gt;A djoni aniku lavanga/hi ndlala hi ngaku rhuma djoni bava&lt;/strong&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como quem diz: não quis ir as minas, a fome é que me obrigou…rotulam-me, dão-me nomes (mamparra magaiza, mafundha djoni, um djoni djoni), mas a fome é que me obriga a ir à África do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve o amigo leitor, perceber que o magaiza, não tinha grandes escolhas e mesmo que essas significassem deixar por trás a família e esposa com todos os riscos, principalmente dos &lt;em&gt;madlaya nhocas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Amosse Macamo/arranjo de texto do Dr. Julio Mutisse &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-3534313446300251986?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/3534313446300251986/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=3534313446300251986' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/3534313446300251986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/3534313446300251986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/03/cronicas-de-alexandre-langa-madlaya.html' title='Crónicas de Alexandre Langa: Madlaya Nhoca'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-8139405408424030842</id><published>2009-02-24T22:56:00.000-08:00</published><updated>2009-03-09T00:11:30.683-07:00</updated><title type='text'>Hortencio Langa, o poeta das boas essencias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;Kudakabanda, um disco que deve ser reeditado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Admiro a autenticidade dos fazedores da boa música moçambicana. Cada executor tem a sua linha. É lógico, que esta se encontre algumas vezes com a linha de um outro, mas, mais distancia-se do que encontrar-se.&lt;br /&gt;É só pegar, a linha de execução de José Guimarães por exemplo, é uma linha única e é isto, que faz dele o excelente executor que é, e o torna diferente dos demais, embora se possa encontrar algumas linhas comuns, com alguns artistas, exemplo da música “&lt;strong&gt;masseve&lt;/strong&gt;”, que se confunde com a música “&lt;strong&gt;ho hanha kuti vonela&lt;/strong&gt;” de José Barata.&lt;br /&gt;Hortêncio Langa tem também a sua linha característica, uma fórmula única, uma forma musical difusa, marcada não só por estilos nacionais, como a fuga para o jazz e mais outros estilos internacionais. Costumo chamar o Hortêncio Langa, de poeta da vigília e de boas essências.&lt;br /&gt;De vigília, porque sempre lúcido, sempre acordado para a intensa actividade que é a vida artística, aberto a novas tendências, sem contudo se desviar da sua linha.&lt;br /&gt;De boas essências, porque, a sua música é perfumada por falas tão doces e leves cujo trato, lhe segue José Barata.&lt;br /&gt;Sim, estes homens têm um verbo poderoso e leve, têm claro, formas de execução diversos, mas planos estéticos idênticos.&lt;br /&gt;Eles cantam suas letras e melodias, como se estivessem a descarregar, constantemente a música de algum peso que a sufoque. Como se escolhessem as palavras que compõe as letras pela sua beleza e não pelo significado.&lt;br /&gt;Hortêncio sabe lapidar suas canções, sabe analisar o social com um toque de classe, concretiza seus temas com uma execução rítmica própria de quem conhece a escala.&lt;br /&gt;Semana passada, despertado pelo encontro do acaso que tive no Gil Vicente com ele, decidi rebuscar suas músicas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Kudakabanda&lt;/strong&gt;, foi a primeira música que ouvi e que se diga, a riqueza multiforme de melodias ali exploradas, levou a necessidade de ouvir o álbum todo e surpreendi-me:&lt;br /&gt;Hortêncio fez no &lt;strong&gt;Kudakabanda&lt;/strong&gt;, um álbum futurista.&lt;br /&gt;Aquando do lançamento do álbum, e talvez influenciado pela fraca capacidade de análise, não encontrei, o peso estético que esperava encontrar do Langa, isto porque naquela altura, interessava-me apenas ouvir e não analisar e alisar. Não achei o álbum tão forte, como a personalidade do seu criador.&lt;br /&gt;Mas o tempo, este nivelador, me provou o contrário; &lt;strong&gt;Kudakabanda&lt;/strong&gt; é um álbum e tanto, é uma frescura de palavras ditas com maturação de um homem que aprende progressivamente, é uma mescla de sons marcados pela perfeição.&lt;br /&gt;O desafio maior e certamente o mais estimulante no álbum situa-se nas letras do Hortêncio que constituem um infinito jogo de palavras que se espelham reciprocamente.&lt;br /&gt;Rompe no seu cantar com o tradicional e com os seus próprios limites tradicionais e sob uma bandeira de poetização do seu discurso, vai construindo letras leves reveladoras de um certo nível de investigação literária, o que não é de estranhar, pois Hortêncio é também para além de músico, poeta confesso e com obra no mercado.&lt;br /&gt;No entanto, não se trata de um discurso preocupado somente com os níveis estéticos, pois, há nas suas letras, outras verdades que devem ser descobertas, como quando diz na música Gha Tchotchovolo que ….&lt;strong&gt;swaku phuza niku gha tchotchovolo/kambe mundzuku ka siku loku ni pfukile/ni yinguela vanana vani kombela shinkwa/pawa. Shiriloooo&lt;/strong&gt; (a mania de beber até cair quando no dia seguinte ao acordar ouve as crianças a pedirem pão e são prantos.&lt;br /&gt;Quantos de nós nos revemos nesta música e se não, quantos amigos e familiares que conhecemos, que tem essa mania de esticarem o máximo, (bebendo até cair de costas) quando sabem que em casa falta até pão.&lt;br /&gt;Outro factor é o arranjo desta música e honestamente, se tivéssemos no país, um top 10 das músicas mais bem produzidas, esta havia de constar.&lt;br /&gt;Ou quando diz numa outra música que “…&lt;strong&gt;é preciso encher de mundos, esses olhos ocos/que flutuam perdidos na cegueira do pensamento (…)&lt;br /&gt;É preciso espantar a morte/sacudir os vendavais/abortar a fome na terra grávida/terra grávida de 12 meses/ e mãe por mil vezes,”&lt;/strong&gt;quanta poesia aqui existe? Quantas verdades ditas em duas palavras apenas?&lt;br /&gt;Esta, é sim, a face poética do Langa a que fazia referência acima, poesia que se pode sentir e viver na música que dedica a cidade das acácias, onde diz entre outras palavras que “&lt;strong&gt;Maputo.cidade, como tu não há/com toda vaidade…/cidade surpresa/quem não te quer cantar/se tua beleza tem tudo para encantar&lt;/strong&gt; (…), é a leveza das palavras a que me referia, que fazem do Langa, o poeta das boas essências.&lt;br /&gt;Segunda-feira, aproveitei e dei um giro nas prateleiras das nossas discotecas e não achei sequer um disco de Hortencio, contudo, a admiração que causa este disco, sempre que é tocado, o menor número de tiragem que teve, a poesia e beleza das músicas, o arranjo fino que deveria inspirar as novas gerações, o som leve e sempre a desaguar no mar da verdadeira canção, leva-me a concluir que o Kudakabanda, deveria ser reeditado, talvez, aditando-lhe umas duas novas músicas, o que não sufocaria o disco, se levarmos em conta, que tem apenas 8 faixas.&lt;br /&gt;Está agora lançado o desafio e espero que o Hortencio me responda e com uma resposta única: reeditar o Kudakabanda.&lt;br /&gt;Então ó poeta da vigília e das boas essências: sai ou não o Kudakabanda?&lt;br /&gt;Amosse Macamo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-8139405408424030842?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/8139405408424030842/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=8139405408424030842' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8139405408424030842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8139405408424030842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/02/hortencio-langa-o-poeta-das-boas.html' title='Hortencio Langa, o poeta das boas essencias'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-6569877908681968252</id><published>2009-02-23T00:09:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T01:39:54.712-08:00</updated><title type='text'>Ghorwane: quem é rei nunca perde a majestade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ghorwane: uma vez rei, sempre rei&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma noite inspirada, uma noite de liberdade, de aventura, de volta, com melodias que proporcionaram aos presentes uma espécie de embriaguez prenhe de entusiasmo e fervor.&lt;br /&gt;É que, não víamos Ghorwane a actuar já faz um tempo, pelo que antes do reencontro com a banda, o receio tomou conta de todos nós, onde não podíamos deixar de questionar, que Ghorwane nos esperava naquela noite?&lt;br /&gt;Os que chegaram cedo, devem ter se apercebido, logo na primeira musica que Ghorwane, continuava a mesma banda de sempre, e que, as longas ausências no palco, só trazem, mais magia, mas espontaneidade, mas vibratilidade, mais profissionalismo, sim, Ghorwane confirmou que quem já foi Rei, nunca perde a majestade.&lt;br /&gt;Infelizmente, não cheguei a hora marcada para o concerto, pelo que escusado falar do que não vi e pelos outros. Na verdade, cheguei as 23 e 10 no momento em que a banda tocava a música Massotchua de Zeca Alage.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Insólito&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não é normal em Moçambique a lotação de um espectáculo esgotar. Mas, o de Ghorwane esgotou.&lt;br /&gt;Encontramos na entrada uma multidão de pessoas de certa forma revoltadas e desoladas, isto porque, não mais podiam entrar, porque os bilhetes estavam esgotados; “isto não pode estar a acontecer”, pensei comigo.&lt;br /&gt;Sorte e fruto de conspiração dos Deuses da arte (sei que existem), um casal de 4 pares, ia desistir de entrar, justamente porque contavam comprar bilhetes para o segundo par no espectáculo. O outro par já tinha os bilhetes e foram esses que comprei para poder partilhar convosco estes bocados.&lt;br /&gt;Mesmo com os bilhetes na mão, a equipe do protocolo, não mais nos queria deixar entrar, porque casa esgotada, contudo, valeu o bom senso do chefe do protocolo que desbloqueou os caminhos para a nossa entrada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;ouvia-se nesse instante Massotchua; eram 23 e 10.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O espectáculo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A Banda Ghorwane, mostrou que não só trabalha com os instrumentos, como têm vontade de os dominar e submeter; sim, no sentido de os instrumentos fazerem exactamente, o que eles querem.&lt;br /&gt;De fora, parecia estar a ouvir um disco a tocar, tive, de entrar na estreita Rua de Arte, que ficou mais estreita no sábado, para confirmar: é a banda a tocar.&lt;br /&gt;Instantes depois, de massotchua, seguiu-se &lt;strong&gt;Majurragenta&lt;/strong&gt; e no fim as pessoas gritavam bis; então podemos acabar com o espectáculo? Questionava o Chitsondzo.&lt;br /&gt;Um não fervoroso e sofrido foi ouvido. Então porquê pedem bis, enquanto ainda estamos a cantar e vamos trazer mais canções?&lt;br /&gt;O pedido de bis, surgiu porque, o David Macuácua, sabe ser e não ser quando canta &lt;strong&gt;Majurragenta&lt;/strong&gt;, já me explico:&lt;br /&gt;Macuácua, quando canta esta música, sai de si, para dar ao seu corpo, a alma de Zeca Alage e meia volta, desperta num esforço inconsciente onde ele mesmo, dá o seu cunho a música: sublime!&lt;br /&gt;Por isso o bis, mas, vibraria mais o público com a música &lt;strong&gt;Xai-Xai&lt;/strong&gt; bem alicerçado por um saxofonista de têmpera rija, que entre sustenidos, ia-nos levando numa viagem de canoa e em águas límpidas, para uma terra que viu nascer estrelas: Xai.Xai.&lt;br /&gt;O facto de ter chegado tarde ao espectáculo, trouxe-me receios fundados: não sabia quantas músicas tinha perdido, e se as músicas perdidas eram aquelas porque tanto ansiava ouvir.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uyo mussiya kwini&lt;/strong&gt; de Pedro Langa, era uma das músicas que espera ouvir e foi, a música à seguir a Xai-Xai.&lt;br /&gt;Em tal imaginário, fui buscar Pedro Langa na voz do Roberto Chitsondzo e percorri distâncias conhecidas e desconhecidas: sim, a da vida e da morte.&lt;br /&gt;Viajei distâncias numa canoa de sons executados com totalidade. Sim, numa completude e perfeição que não me deixou, mais pensar na morte, senão, na celebração da vida e por uns instantes, ressuscitei o Pedro Langa.&lt;br /&gt;Vana Va Ndota foi a música que se seguiu e com ela, seguiu-se também o delírio, pois, a banda, numa interacção com o público, fazia um brake e quem ficava Ghorwane éramos nós o público.&lt;br /&gt;Esta música, carrega também consigo algumas mortes que não consigo matar, como diria a minha amiga Nyabetse: as minhas mortes.&lt;br /&gt;Veio a seguir, &lt;strong&gt;Beijinho&lt;/strong&gt; e fiquei extasiado e ao mesmo, com receios de que aquela fosse a última música da noite. Ao meu lado, desfilava um grupo de estrangeiros, que se diga moças lindas a quem dediquei o &lt;strong&gt;my kisse’s your kisse’s honey&lt;/strong&gt;, tive depois que explicar que era casado.&lt;br /&gt;O Macuacua falou depois que, aquele era o espectáculo de abertura e que seguir-se-iam, muitos outros. E porque entendi, que aquele era uma espécie de mensagem de despedida, eu e os Matines (Jorge e Eduardo), gritamos por mais cinco músicas.&lt;br /&gt;Veio &lt;strong&gt;a Ku hanha&lt;/strong&gt; para fechar a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E no final?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Veio a frustração do espectáculo ter que terminar, o delírio e a apoteose, a lembrança de um tempo que se tornou realidade, a saudade contraditória e paradoxal, a identidade, o orgulho de ter ainda referências.&lt;br /&gt;O concerto, foi como que uma devolução da auto-estima, de identidade perdida em noites do nada fazendo só kahtla, foi assim bem interpretado o momento, pelo próprio Xitsondzo que disse ser aquele, uma forma de isolar a mediocridade, um apelo, forte de fixação e enraizamento.&lt;br /&gt;A ideia final é a de que o espectáculo soube a pouco, porque queríamos mais, mais e mais. Mas, é como diz o poeta de Ndavene que “&lt;strong&gt;xicafo xau lombe va kampfula na shaha lombela”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não vi fixado em qualquer parede da rua de arte e/ou palco, algum dístico de patrocínio do espectáculo de Gorwane, o que me fez, pressupor, que aquele, era fruto do esforço próprio do grupo.&lt;br /&gt;Na verdade, esta informação acabou sendo confirmada por David Macuacua numa conversa telefónica que tive com ele no Domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Trechos da conversa com Macuacua&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Liguei para o felicitar do majestoso espectáculo, mas também, para reclamar do lugar escolhido para o show de inicio do ano.&lt;br /&gt;Macuacua, na sua característica fala mansa, explicou-me primeiro que o espectáculo, era fruto do esforço próprio da banda, e aquela casa, (Rua de Arte) tinha sido, a que se abriu ao espectáculo de Ghorwane.&lt;br /&gt;Explicou-me que o grupo tinha de começar por algum sítio, (valeu a pena naquele espaco, que em nenhum) , para além de que, se pretendia com aquele espectáculo, medir a verdadeira temperatura entre o grupo e público.&lt;br /&gt;Explicou-me ainda que o grupo era contra aos pedidos. Não que não precise de apoio, mas, não deixariam de existir e actuar, só porque os seus espectáculos não eram patrocinados e o ultimo sábado, foi o exemplo.&lt;br /&gt;No fim, era eu a desculpar-me, porque tem coisas que quem está por fora, não pode compreender.&lt;br /&gt;E é difícil compreender que um grupo da dimensão de Ghorwane enfrenta algumas faltas, dificuldades.&lt;br /&gt;Houve superior mestria e perfeição na Rua de Arte sim meus senhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amosse Macamo&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P.S&lt;/strong&gt;. minhas desculpas a Ximbitane, que liguei para ela na madrugada, confiando que estivesse na Rua de Arte…desculpas mana, por te acordar tão tarde ,mas perdeste sabes? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-6569877908681968252?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/6569877908681968252/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=6569877908681968252' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6569877908681968252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6569877908681968252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/02/ghorwane-quem-e-rei-nunca-perde.html' title='Ghorwane: quem é rei nunca perde a majestade'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-3167645134865902814</id><published>2009-02-19T23:09:00.000-08:00</published><updated>2009-02-19T23:19:19.857-08:00</updated><title type='text'>Ha Ghorwane amanha na Rua de Arte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;&lt;span style="color:#996633;"&gt;Ghorwanwe e bejinha la mina para todas mulheres &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;Quem me conhece sabe que tenho Ghorwane como banda de coração. Há em Ghorwane qualquer coisa de outra idade e vida que não vivi mas sinto falta; sim, igual ao amor que nunca tive mas sei que me faz falta.&lt;br /&gt;A boa saúde de Ghorwane me interessa, porque faz reviver a tertúlia que foi a banda e os elementos que dela faziam parte, mas que já não estão entre nós: Zeca Alage e Pedro Langa, barbaramente assassinados.&lt;br /&gt;Ghorwane, projecta em cada canto, um pouco de si e muito de nós. É como se essa banda existisse, para cantar-nos. Para narrar nossas vidas sofridas, para “focar toda a gente e todo mundo dentro de si”, para celebrar nossas noites, mitos, nossas vidas.&lt;br /&gt;Dir-se-á no essencial que Ghorwane é reflexo de nós mesmos.&lt;br /&gt;Esta manhã, acordei com a banda na cabeça e decidi criar esta pequena ponte, para que cada um, deixe o seu testemunho, do que seja esta banda para ele, numa altura, em que a mesma celebra 25 anos da sua carreira.&lt;br /&gt;Quero evocar vossas forças, para a causa que é esta banda, para importância de ela estar de boa saúde e nos deliciar com suas músicas de arranjo estético inigualável.&lt;br /&gt;Mas antes, deixem-me chamar a atenção das vasikates da profundidade de um trecho de música desta banda, um trecho que se acompanhasse nossas vidas, acredito que a paz iria reinar na terra dos amantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#999900;"&gt;Beijinha la mina beijinha lawena nkata&lt;br /&gt;Shi massi sha mina shi massi sha wena&lt;br /&gt;Mubedi wa mina mubedi wa wena nkata&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então em shi nguiza&lt;br /&gt;My kisse’s your kisse’s&lt;br /&gt;My pillow is your pillow&lt;br /&gt;My bed is your bed honey&lt;/span&gt; (se algo estiver errado corrijam-me, é inglês isto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se os meus beijos são teus, se a tua almofada também é minha, se a minha cama também é sua; não é esta a ideia?&lt;br /&gt;Não está aqui patente a ideia de comunhão, de tornar dois corpos em um só?&lt;br /&gt;Não está aqui a transformação do eu para o outro e caminho certo para a tolerância e convivência sã?&lt;br /&gt;Não sei o que vos diz Ghorwane, mas a mim me diz muito, não só por causa desta música, mas sim das demais que cantam, porque eles sabem ser nós e em ponto grande.&lt;br /&gt;Então, porque não marcar um encontro amanhã na Rua de Arte, para celebrar a banda. Sim, Ghorwane vai tocar amanhã na Rua de Arte e a tua presença, talvez fosse o melhor testemunho.&lt;br /&gt;A terminar esta minha provocação, deixem-me evocar a parte final da música beijinho:&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;We lele, we ,lele, até amanhã,&lt;br /&gt;We lele le, lele, ate amanha, dzhe, dzhe, dzhe, no Dzheta phela leswi&lt;/strong&gt;, até amanhã…..&lt;br /&gt;Pois...deixe o seu testemunho e até amanhã na Rua de Arte. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-3167645134865902814?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/3167645134865902814/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=3167645134865902814' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/3167645134865902814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/3167645134865902814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/02/ha-ghorwane-amanha-na-rua-de-arte.html' title='Ha Ghorwane amanha na Rua de Arte'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-5305801606315146660</id><published>2009-02-18T22:43:00.000-08:00</published><updated>2009-02-19T04:28:31.095-08:00</updated><title type='text'>Cronicas de Alexandre Langa (hoyo-hoyo masseve)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Hoyo-hoyo Masseve&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hoyo-hoyo masseve, hoyo-hoyo masseve&lt;br /&gt;Ashi rwalo shawu canhi shi cala ngopfu masseve&lt;br /&gt;Hinga tsama hi lani nitaku rungulissa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nitaku rungulissa&lt;br /&gt;Nitaku rungulissa&lt;br /&gt;A xi nhimu xa wena xa navelissa masseve hinga tsama hi lani niatku rungulissa&lt;br /&gt;Ni ta rungulissa&lt;br /&gt;Ni tarunguilissa&lt;br /&gt;Hoyo-hoyo masseve, hoyo.hoyo masseve.&lt;/strong&gt; &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Alexandre Langa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Hoyo-hoyo masseve; Uma nota de boas vindas que insinua o intimismo.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre se dirá que a música é a cortina de vidro e ferro que mostra e oculta ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;É surpreendente o que se descobre quando se ouve estas músicas com outro ouvido. Mais surpreendente ainda, é pensarmos que as conhecemos e por isso as cantamos sem contudo as questionar.&lt;br /&gt;A simplicidade com que os músicos e maxime Alexandre Langa, trata as suas canções, faz desconfiar, porque logo à partida, não se pode conceber que o Alexandre tenha feito esta música somente para celebrar a época e canhú.&lt;br /&gt;A verdade é que há muito nesta letra, e sempre escondido, nas entrelinhas.&lt;br /&gt;Hoyo-hoyo masseve, não é mais que uma mensagem de boas vindas, onde um compadre diz a comadre que é bem-vinda. (&lt;strong&gt;hoyo-hoyo masseve&lt;/strong&gt;)&lt;br /&gt;É bem-vinda ainda, quando traz o canhú, que se sabe, bebida de época e por isso, não fácil de encontrar a qualquer altura do ano. (&lt;strong&gt;Ashi rwalo shawu canhi shi cala ngopfu masseve&lt;/strong&gt;.)&lt;br /&gt;Justamente por isso que o Alexandre corre, para ajudar a comadre a tirar o pote de canhú de cabeça, para depois conversarem (&lt;strong&gt;Hinga tsama hi lani nitaku rungulissa&lt;/strong&gt;.)&lt;br /&gt;Até aqui está tudo bem, porque é costume entre nós, que quem traz um presente, e de maior valor como o canhú, depois de o receber seja convidado a sentar-se para o desenrolar do habitual ndzava, onde se conta tudo, desde as ligeiras dores de cabeça do tio, do tio do nosso tio, até ao latido de khombomuni, este cão, que não dorme por causa dos valoyis, da Miseriana que comporta-se mal, do Castiguana que com tenra idade já bebe e tira cigarro das narinas, da dura vida, fala-se de tudo ou quase.&lt;br /&gt;Na verdade, este acto é um ritual que pode ser interrompido para saudar quem passa rapidamente e restabelecido assim que as condições estiverem criadas (até parece TVM né?)&lt;br /&gt;Facto é que depois da ndzava, Alexandre e comadre, começam a beber canhú e não nos esqueçamos que o canhú, é um verdadeiro afrodisíaco, e que depois de ingerido umas certas quantidades provoca reacções e é aqui que a música muda de rumo.&lt;br /&gt;Pois, a certa altura, o Alexandre diz para a comadre (&lt;strong&gt;A xi nhimu xa wena xa navelissa masseve hinga tsama hi lani nitaku rungulissa)&lt;/strong&gt;, ou melhor; seu estilo (entenda-se também seu porte, sua maneira de ser, suas formas, curvas) é tão perfeito e/ou mete cobiça, sente-se aqui para a ndzava (saudação) comadre.&lt;br /&gt;Ora, se já houve a ndzava logo que a comadre chegou e com direito aqueles rodeios que nos são habituais, o que faria Alexandre querer repetir?&lt;br /&gt;Há aqui matéria para muita reflexão. A mim, me parece que esta ndzava é bem outra, é que, depois de uns copos a comadre, ganhou novas formas, aliás, as impensáveis de dizer em dia normal, mas que com um copo Alexandre disse e até olhou para dizer “&lt;strong&gt;axi nhimu xawena&lt;/strong&gt;”, ou melhor, as suas formas, a sua pose comadre é de fazer inveja e/ou cobiça.&lt;br /&gt;Reparem, tudo é feito na medida e dose certas, pois, mesmo convidando a comadre para a outra ndzava, Alexandre, teve o cuidado de manter o respeito, porque se a comadre não quisesse alinhar e levantasse alguma problema, era fácil escapulir, justamente porque não faz mal elogiar a pose de uma comadre.&lt;br /&gt;E porque não houve problemas, não tardaria que os dois fingissem ir a casa de banho e resolverem os problemas de canhu, para falarem depois e bem baixo, nos ouvidos de ambos, “&lt;strong&gt;sula nomo&lt;/strong&gt;” ou melhor, “limpe a boca”, em clara referência a que nada aqui aconteceu.&lt;br /&gt;E lógico, o próximo encontro ficaria marcado dali, a mais um ano, na próxima época de canhú, porque “&lt;strong&gt;Ashi rwalo shawu canhi shi cala ngopfu masseve&lt;/strong&gt;”, a prenda de ucanhu é tão rara comadre.&lt;br /&gt;Verdade, o canhu, é esta bebida que autoriza algumas práticas que são impensáveis nos mais velhos, é esse mal que nos pertence e mostra a nossa vulnerabilidade como humanos, nos desnuda, justamente por isso mesmo, que não se pode servir as crianças e que a abertura da festa do mesmo, dá se na casa do mukhulo, do régulo, do induna, para que logo o problema rebente, seja logo atacado e abafado, é o mesmo esquema dos madlaya nhocas (&lt;strong&gt;mamani nixi cumile mina hiwo nengue lowu&lt;/strong&gt;), de Alexandre, mas essa, já é matéria de outra crónica.&lt;br /&gt;Por enquanto, fiquem com este gostinho de canhu, feito na época e por favor, bebam com os vossos homens, para que não cantem hoyo-hoyo masseve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não era poeta o Alexandre ao conseguir emitir um convite para o acto sexual com uma mensagem tão simplista como hoyo-hoyo masseve? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-5305801606315146660?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/5305801606315146660/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=5305801606315146660' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/5305801606315146660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/5305801606315146660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/02/cronicas-de-alexandre-langa-hoyo-hoyo_18.html' title='Cronicas de Alexandre Langa (hoyo-hoyo masseve)'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-1517462080486505082</id><published>2009-02-17T05:55:00.000-08:00</published><updated>2009-02-17T06:03:01.983-08:00</updated><title type='text'>Cronicas de Alexandre Langa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Outro dia liguei para a minha amiga &lt;strong&gt;Ximbitane&lt;/strong&gt;; engraçado, falamos regularmente ao telefone e nunca estivemos num frente-a-frente.&lt;br /&gt;Vão me questionar o que uma coisa tem a ver com a outra e digo, tem a ver sim, lá vai você ter uma amiga e nunca a apertou a mão? (experimente dizer isso a Policia de Moçambique!)&lt;br /&gt;Dizia que liguei para a ximbitane, e o pretexto eram as crónicas de Amélia Mdungaze.&lt;br /&gt;É que, a semelhança do que a &lt;strong&gt;Ximbitane &lt;/strong&gt;faz com as crónicas da Amelia, (enumeradas e seguindo uma certa sequência), pretendo também, criar crónicas de alguns músicos, que dado, a vastidão da sua obra, impossível tratá-los numa só matéria.&lt;br /&gt;Alexandre Langa, por exemplo, tem acima de 100 músicas, de temática diversificada, desde os bares (senta-baixo), onde infelizmente andou na companhia de Kid Malume, dos feitos da revolução, do social e mais.&lt;br /&gt;Do Xidiminguana, que canta as histórias deste pais, do Joaquim Macuacua, poeta da adversidade, do Dilon, Fany. ..&lt;br /&gt;Bom, devo dizer que a &lt;strong&gt;Ximbitane&lt;/strong&gt; concordou, razão pela qual, vos anuncio meus bons amigos do Modas que brevemente, vou começar com as crónicas do Alexandre Langa, este músico que o descubro todos os dias, um poeta social com todas as letras, um colaborador da revolução, um músico com características estéticas de fazer inveja.&lt;br /&gt;Pena que o tempo o levou precocemente como levou, o Joaquim Macuacua, Alfredo Mulhui, Fany Mpfumo, Eugénio Mucavele, Pedro Langa, Zeca Alage, e outros.&lt;br /&gt;Proponho-me a vasculhar a aldeia de pensamentos do homem de Ndaveni, que aquando da sua morte e para mau grado, ficou conhecido como o homem que cantou mabunganine, como se essa música fosse representativa, das músicas e da grandiosidade da sua obra.&lt;br /&gt;Não que mabunganine não tenha a beleza que caracteriza as músicas deste, mas não foi justo, e até por parte de alguns conhecedores da sua obra, que assim o tratassem.&lt;br /&gt;Vamos nestas crónicas, lembrar as suas músicas mais expressivas, comentando-as, criticando-as, descobrindo as suas metáforas, parábolas, no sempre tempero do &lt;strong&gt;Modaskavalu.&lt;/strong&gt; ´&lt;br /&gt;Se conto convosco? Claro, sempre com a vossa mão amiga, pessoas que não vou fazer menção agora porque inoportuna, mas que em ocasião certa vou grafar seus nomes aqui (lembrar que o modaskavalu faz um anito em Março), para que fiquem perpetuados nesta &lt;span style="BACKGROUND-COLOR: #ffff00"&gt;modesta pagina&lt;/span&gt;, da minha (se o quiserem vossa) vida.&lt;br /&gt;Conto sempre convosco, para a celebração do pensamento dos fazedores da nossa boa música, e vamos juntos projectar o presente para a saudade do que foi feito de bom, esperando, que o amanhã reconheça a obra.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hambi va pangui vati ndleve taku leha vata tchina nyamuntla a&lt;br /&gt;Modaskavalu, marrabenta, senta Baixo (Mahecuane&lt;/strong&gt;-dono da música que leva a chapa do blog)&lt;br /&gt;Obrigado &lt;strong&gt;Ximbitane&lt;/strong&gt;, por me deixares roubar a sua ideia a luz de dia.&lt;br /&gt;Amosse Macamo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-1517462080486505082?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/1517462080486505082/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=1517462080486505082' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1517462080486505082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1517462080486505082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/02/cronicas-de-alexandre-langa.html' title='Cronicas de Alexandre Langa'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-2632379514928422424</id><published>2009-02-12T23:56:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T00:01:09.685-08:00</updated><title type='text'>Mawaku a todos voces</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Mawaku&lt;br /&gt;Loku ni hoshile nkata&lt;br /&gt;Ni dzivalele hikussa&lt;br /&gt;Namine swengue nihoshekela nkata&lt;br /&gt;Massiku yaku tala&lt;br /&gt;Ninga hanha na wene&lt;br /&gt;Swa ni kazatela ngopfu&lt;br /&gt;Kussala upswanga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nili mawaku/mawaku&lt;br /&gt;Lava ngani umbilu/mawaku&lt;br /&gt;Nili mawaku/la vazandziwaka&lt;br /&gt;Nili mawakoooo lava tchataka-Joao wate&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo na vida é fruto do Amor.&lt;br /&gt;Quem o tirar e olhar em seu redor&lt;br /&gt;Encontra só tristeza e nada mais. – Rui de Noronha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O eterno amor; o eterno drama vivido e cantado por todos, o supersticioso, o devoto, o picante, o fiel, infiel, ingénuo, doce, puro, sujo, imundo, genica, gana vital, companheiro, solitário, doce com requintes de amargo, rio, fogo, água, que se antecipa, esquivo, fugidio, inocente, emaranhado, o amor é, não é.&lt;br /&gt;Neste mês dos amantes o procurei incessantemente e sempre, na lógica do Modaskavalu e usando as lentes dos bons fazedores da música de casa.&lt;br /&gt;Tive problemas, para seleccionar uma canção de consenso, porque, temos exímios fazedores de música de género, desde Feola, Gabriel Chihau, Lalarita, Avelino Mondlane, José Mucavele, Roberto Chitsondzo, Mingas, Fany, Hortencio Langa… mas bom, tinha de escolher um.&lt;br /&gt;João Wate pensei comigo; e a música, foi o Mawaku.&lt;br /&gt;Se é verdade, que o eu lírico dos marongas (muzongas), é o amor, João Wate, com esta música o confirmou e de forma sublime.&lt;br /&gt;Nesta música, João traz uma mensagem do consciente e do inconsciente, fala de um voo com um único rumo: ao amor.&lt;br /&gt;Há aqui, uma espécie de auto superação, de concretização de todo um discurso de amor, mais ainda, de uma humildade, que só se justifica nos marongas, porque, o bendasporo de Gaza, lá na terra onde as árvores, produzem dinheiro e são do mesmo tamanho, lá onde se cai e se levanta num instante, a palavra perdão não existe.&lt;br /&gt;Qualifico aqui, o consciente e inconsciente, porque neste discurso, há uma intenção clara, que é de pedir desculpas, contudo, há outra que diz e denuncia o amor puro de um homem para com uma mulher onde em maiúsculas diz: te amo, por isso não vá, ou melhor não saberia viver sem ti (swa ni kazatela ngopfu kussala uswanga.)&lt;br /&gt;De facto, neste não querer e/ou não conseguir ficar sozinho, há um milagre real, de um homem que abre seu peito para a mulher que a vida nunca o dera tempo para perceber que amava. E a partida, não podia ser o melhor despertar.&lt;br /&gt;“Se eu errei amor me perdoe, porque (errei), não quis que assim fosse, foram muitos anos de vida conjunta que não conseguiria viver sem ti”( loku ni hoshile nkata/ni dzivaleli/hi kussa, namine swengue ni hoshekela nkata/massiku yaku tala/ninga hanha nawene/swani kazatela ngopfu kussala upwsanga.)&lt;br /&gt;Este pedido de perdão, desperta uma espécie de cobiça, onde, João, chama o outro, e o relaciona com a sua situação, insinuando que “felizes dos que perdoam ou tem compaixão (mawaku lavangani umbilu), e outra; felizes os que são amados (mawaku la va zandziwaka).&lt;br /&gt;Na primeira situação “mawaku lavangani umbilu”, João, exorta a mulher a  abrir o seu coração ao perdão, porque como já bem o diz”sei que errei mulher”, de que adianta, senão, pelo desejo de sofrer, deixar-me se me podes perdoar.&lt;br /&gt;Destaca ele, os longos anos de vida conjunta, a compartilha, a tolerância, que não pode ir abaixo por um mal entendido. &lt;br /&gt;Na segunda situação, num golpe quase que baixo, e numa tentativa de fazer uma espécie de chantagem psicológica com a mulher, faz como que, cobiçando, os que são amados; como se ele não fosse.&lt;br /&gt;Na verdade, este mawaku, levanta um problema de todos os namorados, porque muitas vezes, olham para a felicidade dos outros como milagre, e nunca em ocasião alguma se auto-questionam porquê o outro é feliz; se admiram, quando o outro casa e não se questionam quantos caminhos sinuosos o outro teve que percorrer até chegar lá, admiram a longevidade do casamento alheio, como se o outro tivesse uma varinha mágica, sem perceberem que a capacidade de perdoar, a tolerância, o companheirismo fazem brotar esta semente que é o amor, porque, como diz o poeta das boas essências e perfumes no cantar, “ &lt;strong&gt;a lirhandzo li fana ni nhungue vongo bwala lo missaveni, li mila, li hlovuka&lt;/strong&gt;…”, pois, o amor é esta semente que se cimenta na capacidade de perceber o outro.&lt;br /&gt;O que João percebeu, e precipitado pela partida, é que, aquela era o amor da sua vida. Percebeu, tal como o poeta dos sonetos, que “tudo na vida é fruto de amor e que quem o tirar e olhar no seu redor encontra só tristeza e nada mais”.&lt;br /&gt;Procurei esta música, para dedicar a todos os amantes, um feliz dia dos namorados, e que esta, seja de reflexão, para a forma como nos relacionamos, como sabemos e somos capazes de perdoar, para o companheirismo, para um esforço conjunto de construção de um verdadeiro lar, para uma família que se quer célula base da sociedade, para que não olhemos e digamos mawaku, como se os outros, tivessem uma fórmula para amar e perdoar.&lt;br /&gt;Costumo dizer a minha mulher que um bom amor perdoa, claro, fazendo referência de ela para mim.&lt;br /&gt;Neste mês, neste ano, todos os dias, amem-se com todo o amor que tem para amar, para que sejam os outros, a dizerem mawaku de vocês. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;P.S.&lt;/strong&gt; Há muito que explorar nesta música, muito mesmo, eu, oportunista que sou, pensei na data que se aproxima….&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje, vou fazer a cobertura do espectaculo do Roberto Isaias no Gil e segunda feira, aqui, neste canto, esta marcado o encontro &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-2632379514928422424?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/2632379514928422424/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=2632379514928422424' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/2632379514928422424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/2632379514928422424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/02/mawaku-todos-voces.html' title='Mawaku a todos voces'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-400589918655529643</id><published>2009-02-11T02:06:00.000-08:00</published><updated>2009-02-11T04:20:21.085-08:00</updated><title type='text'>ALEXANDRE LANGA e Jossefa Mukhombo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Jossefa Mukhombo&lt;br /&gt;Utsama u dhakwile&lt;br /&gt;Nigweli lomu uyi kumaka kona male&lt;br /&gt;Ama meticale makumiwa hi vatirhi&lt;br /&gt;Nigweli lomu uyi kumaka kona wena-Alexandre Langa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se enumerasse a classe dos “faz de contas”, teríamos uma lista interminável, isto porque hoje, ninguém está mais disposto a ser.&lt;br /&gt;Todos queremos parecer e neste exercício, é muito difícil distinguir quem é quem.&lt;br /&gt;E valerá a pena a distinção?&lt;br /&gt;Bom não sei; verdade, é que se vive outros tempos. Tempos que quando tentamos compreender os factos e achamos que já os compreendemos, o que era, ou parecia ser, já mudou e como.&lt;br /&gt;Sob comando de uma falsa ideia de liberdade tendemos a conduzir nossas vidas de uma forma corrida, sem respeitar o próximo, valorizamos o imediato, o consumismo, o material, o gosto pelo enriquecimento fácil, muitas vezes sustentados pelo ilícito.&lt;br /&gt;Bom, esta, está já a parecer uma lição de moral quando a questão pode ser colocada no sentido de questionar a que distancia estou do homem que descrevo?&lt;br /&gt;Isto para dizer que não estou aqui, para julgar seja quem for, só que, questionar, nunca fez mal, aliás, aprende-se muito com este exercício.&lt;br /&gt;Proponho-me assim, a apreender com a música de Alexandre Langa, que faz um questionamento que não foge muito do que aqui se escreve:&lt;br /&gt;“Jossefa mukhombo, se estás sempre bêbado, diz-me onde arranjas o dinheiro, porque sabido que este provém do trabalho”.&lt;br /&gt;Bom, a primeira vista, a mensagem resolve-se, porque, o que o Alexandre indaga é pacífico: saber onde Jossefa arranja o dinheiro para beber se, não trabalha.&lt;br /&gt;Mas, se olharmos atentamente, descobrimos que estas palavras vão além do que ali foi dito, isto porque, estar sempre bêbado, é colocado num ponto que caracteriza todas as formas de estar, que contrariam o sensu comum, por ex. estar bem vestido, comer em restaurantes caros, viver em casas arrendadas, a prodigalidade habitual etc, quando se sabe, que o visado, não trabalha&lt;br /&gt;Numa sociedade como a nossa em que o “faz de contas” é que vale, os que vivem desta forma, são os que sobressaem.&lt;br /&gt;São capas de revistas que surgem não se sabe para que efeito ou linha editorial seguem, são constantemente chamados para entrevistas que não se sabe bem que efeito se pretendem produzir no destinatário (dai que alguns aproveitam para exibir os fatos italianos), passam a vida de bicos nos pés, para serem sempre vistos. (eu gosto de ser visto eich? De ser visto!)&lt;br /&gt;Mas a maioria destes até que desenvolvem algum trabalho: não é fácil ser medíocre, isto é; dá trabalho, mexer em computador para apanhar o beat certo e produzir “gosto de ser visto, ou "Kahtla" de Mutisse.&lt;br /&gt;E fazer estas musiquetas não é trabalho? Que vá passear quem pensa diferente, aliás, quem pensa assim, não passa de um “invejoso reguila”.&lt;br /&gt;O Alexandre Langa, questiona sim, os tipos que ele sabe que nada fazem, mas tem sempre dinheiro. Que não se lhe conhece algum ofício lícito, mas andam em brutos carros, que de dia dormem e a noite acordam sem irem a um trabalho verdadeiramente de turnos, aos tipos que desprezam nosso esforço de trabalhadores modestos, porque nos acham honestos demais…&lt;br /&gt;E diz-me; onde tu arranjas dinheiro para tudo isso, se não trabalhas?&lt;br /&gt;Há-de convir, que o ilícito criminal acompanha estes homens. Que o alheio, faz parte de suas vidas, que o gosto pela vida fácil sem esforço, aliado ao enriquecimento sem causa, fazem deles, os homens de momento.&lt;br /&gt;Pena que as minhas irmãs se deixam enganar por estes tipos, pena que lhes interessa assim como estes ver o imediato, pena que estes, ao lado de quem busca o conhecimento sempre sobressaem, pena mesmo, que até a minha mulher desvalorize o esforço dorido de manter um lar, por um destes pelintras.&lt;br /&gt;Mas diga-me então ó Jossefa Mukhombo, onde arranjas dinheiro, se não trabalhas?&lt;br /&gt;E vou lá atrever-me a perguntar onde arranja dinheiro um individuo que não trabalha, quando se sabe que é amigo de um Polícia dos bons?&lt;br /&gt;Jossefa Mukhombo é este hino, que não procura respostas, senão, questionar. É esta música, cantada por um homem a quem apelido de sociólogo musical, sim, Alexandre, com as suas músicas já cantou este pais, o seu pulsar, suas conquistas, derrotas, sem contudo, perder a estrutura estética, que orientava as suas músicas, porque em qualquer coisa que cantava, não faltava nunca o esmero, o toque de beleza, o arranjo fino, o amor, a vida, a dor, angustias, anseios, tudo cantado em maiúsculas.&lt;br /&gt;Maiúscula que pretendo grafar aqui no Modaskavalu, em palavras… modestas palavras.&lt;br /&gt;Amosse Macamo&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P.S.&lt;/strong&gt; a presente, faz parte de um exercício que se pretende mensal, de tentar descortinar no máximo as músicas do Alexandre, isto, porque impossível, em duas ou três matérias, trazer a temática deste homem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-400589918655529643?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/400589918655529643/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=400589918655529643' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/400589918655529643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/400589918655529643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/02/alexandre-langa-e-josseka-mukhombo.html' title='ALEXANDRE LANGA e Jossefa Mukhombo'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-4964554438008525019</id><published>2009-02-02T00:33:00.000-08:00</published><updated>2009-02-04T05:43:16.727-08:00</updated><title type='text'>Marrabenta sim!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Uma noite sublime&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Digamo-lo directamente, a marrabenta é um estilo musical com uma estética, ritmo e poesia de fazer inveja.&lt;br /&gt;Não fosse nosso país de faltas, agudizada por uma agenda cultural inexistente, a marrabenta, como estilo musical, merecia uma melhor inserção num espaço que não se circunscreva somente ao país.&lt;br /&gt;O nível de execução que pude testemunhar na última sexta feira no CCFM, para além de sublime, trouxe-me algumas inquietações lógicas:&lt;br /&gt;É que, todos os bons executores da marrabenta, estão velhos, na verdade, teimo que no próximo festival, alguns deles já não estejam entre nós. Só para terem uma ideia, dos que actuaram no CCFM, na última sexta feira, todos, têm uma média de idade de 60 anos, e o mais velho, dos presentes tem 89 anos, o Moisés da Orquestra Djambo.&lt;br /&gt;Caberá então perguntar: que futuro se reserva para a marrabenta? (O Xidiminguana, já fez um excelente trabalho com o filho, caso para dizer que há alguma luz…)&lt;br /&gt;Bom, não foi para responder a estas e outras inquietações que resolvei escrever. Na verdade, estes escritos, são para partilhar com aos amigos do Blog, as emoções vividas na sexta-feira no Franco.&lt;br /&gt;Já estive em grandes festivais nacionais e internacionais, lembro-me com alguma nostalgia, dos festivais de Baluarte, na Ilha de Moçambique, que fazia desfilar músicos moçambicanos e internacionais com uma vertente tradicional e maravilho-me; Já lá vi coisas muito boas, mas estou certo, que a emoção que tive, não chegará de perto, ao que pude testemunhar na última sexta feira.&lt;br /&gt;Numa noite em que o Alberto Mutxeca foi o elo mais fraco, nem com isso, conseguiu apagar aquilo que seria, a síntese do festival: o sublime, sim sublime.&lt;br /&gt;No meu caderno de registo, tenho os detalhes do espectáculo todo, contudo, por uma questão de economia do espaço, e para não ser enfadonho na apreciação, tentarei sumariar o que foi o espectáculo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Início&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quando entrei na sala do Franco, eram por ai 21 horas, portanto, trinta minutos depois da hora marcada para o inicio, (razoável se tivermos em conta, que os trinta minutos, foram bem geridos, com a apresentação no ecrã gigante dos testemunhos de artistas e algumas figuras de vulto do cenário artístico), e o mestre-de-cerimónias, que na altura não pude identificar, acabava de anunciar que o festival, estava a começar, na mesma altura, apagaram-se as luzes da sala, permanecendo acesas a do palco, foi ai que vi a entrar o Manjacaziano, Alberto Mhula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alberto Mhula e Manjacazianos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O espectáculo, não poderia ter começado de melhor forma, foi mesmo feliz a escolha de Alberto Mhula, para abrir o espectáculo, porque este, mostrou que a idade produz um efeito contrário na sua arte: quanto mais a idade avança, Mhula canta e executa melhor ainda.&lt;br /&gt;Este, apareceu sentado no centro do Palco, com três tambores (Ngomas) bem alinhados, acompanhado, por três bailarinas e começou cantando, &lt;strong&gt;Uta Tsendzeleka ni matiku ulava mina&lt;/strong&gt;, música linda e doce de ouvir, aliás, marca das músicas de Mhula.&lt;br /&gt;Para quem questionou o papel das três Ngomas alinhadas no centro do palco, com a quarta e última música, percebeu, a importância daqueles. É que, no meio da música, Mhula largou a guitarra e fez o tambor rufar e confesso, fiquei sem saber se estava ali um Nyamussoro (Sanghoma), exorcizando os espíritos, ou continuava o Mhula a cantar; e ouvia-se no refrão, &lt;strong&gt;He Mhuloo wena wa xanisseka upfumala ni nwinhi mussaveni&lt;/strong&gt;, e o Franco já estava de pé.&lt;br /&gt;Um dos momentos mais emocionantes, foi quando uma das bailarinas, arrancou a guitarra do Mhula e convidou-o a um passo de dança e este não se fez de rogado, porque se os seus pés não podem mais dançar com o fervor da juventude, as mãos, o podem muito bem substituir e foi, que se viu; gesticulou com as mãos, mas, mesmo com o peso da idade, deu para mexer a bacia, lugar, onde a marrabenta converge.&lt;br /&gt;As 21 e 30 terminou a sua actuação e o mestre-de-cerimónias que desta vez, pude identificar (David Macuácua dos Ghorwanes), que se diga fez um trabalho excelente, ora segurando os espaços de pausa para a afinação das guitarras, ora dando dicas da idade dos executantes. E foi na esteira, destas dicas, que deixou no ar que o próximo a entrar no palco, era um “jovem” de 89 anos, para minutos depois, entrar o Moisés, da Orquestra Djambo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Orquestra Djambo 70&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O Macuácua, teria na ocasião instado o Moisés, a dirigir-se a plateia, para algumas palavras; este, aproximou-se do micro e disse que não tinha nada a dizer, apenas mostrar o seu trabalho: e mostrou, porque a partir da actuação do Djambo, o Franco, pôs-se de pé, num passo de dança, que só cessou com a entrada de Mutxeca.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elisa mambale&lt;/strong&gt; foi o tema de abertura, mas o momento, mais alto, foi quando o elemento feminino da Orquestra, cantou os clássicos &lt;strong&gt;Elisa Gomara saia, e Laurinda awuni&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;khomele vananga mine&lt;/strong&gt;, e o público, não coube em si, de tanta emoção. A propósito desta actuação, eu e dois amigos ali presentes, comentamos que aquela sim, era uma verdadeira diva de marrabenta e não as pseudos que andam por aí e que nem vale o esforço de citá-las, para não mancharem o momento.&lt;br /&gt;Este grupo foi acompanhado, por quatro pares de bailarinos e quatro coristas, e não são uma orquestra?&lt;br /&gt;As 22 e 07, entrava o Antoninho, este maengane, que me chamou atenção, pelo rigor do seu vinco, só lembrar as mulheres, que no tempo de Antoninho, eram mandadas embora para casa dos pais, se não soubessem fazer um vinco a rigor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;António Marcos e banda Real&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Começou cantando &lt;strong&gt;Ntsantsantsa wa mangava,&lt;/strong&gt; e dava recados claros “vá dizê-los que o Ntsantsansta esteve aqui” e não é que esteve mesmo?&lt;br /&gt;A segunda música, &lt;strong&gt;kuta vuya mane kaya murhandziwa&lt;/strong&gt;, acelerou o compasso de dança arrefecido depois com uyo pfumela, este reggae a moçambicano que temperou mui bem as escolhas temáticas de Antoninho, e para terminar, a sua actuação, e roubando pouco do tempo que era reservado a Mutxeca, cantou &lt;strong&gt;Maengane,&lt;/strong&gt; para o delírio da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alberto Mutxeca&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um dos executores de marrabenta que estava ansioso para vê-lo era o Mutxeca, mas este, foi totalmente infeliz na escolha do reportório e pela actuação do viola baixo, que não entrava, e nem a sua mulher (corista), o ajudou, porque para além da voz trémula, ela, não foi o brasão que Mutxeca precisou, para apagar a má impressão da primeira música.&lt;br /&gt;É que, Mutxeca, foi pegar a canção Vacolonhi (para iniciar a sua presentação), de ritmo lento, e a partir dai, estava minada a sua actuação, algo embaraçado, com o seu viola baixo, que não conseguia afinar a sua guitarra, o que fez entrar no palco o Ximanganine, para a afinação devida.&lt;br /&gt;O segundo tema, Nwa xibeulana, tentou resgatar o espírito da noite, mas a moral de Mutxeca, já estava abalado, o que piorou, com a mulher, a pressioná-lo, para que tirasse do palco o bailarino alegórico (trazido por eles), que entrara para dançar somente a música Nwa xibeulana, mas que com a receptividade do público, embalou-se e não queria sair mais. O que a mulher de Mutxeca, não precebeu, é que aquele bailarino, em algum momento, salvou a actuação algo infeliz deles.&lt;br /&gt;As 23 e 06, retomava-se o espírito da noite com a entrada no Palco de Xidiminguana e seu conjunto de sempre, Vutho Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Xidiminguana&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Uma vez, quando questionado, o porquê de não mudar seu nome para Domingos,visto que já era crescido, respondeu que a árvore que servia de referência ao Bairro Ximphamanine (baobá=Mphama em Changane), já crescera, mas nem por isso, mudou-se o nome da zona de Ximphamanine, para Mphama.&lt;br /&gt;Com esta resposta, Xidiminguana, negava-se a ser elevado. A sua modéstia, não o deixava ver o Domingos, mas sempre o Xidimingana. E foi este que se apresentou na última sexta feira, com um reportório de fazer inveja, acompanhado de duas bailarinas com dotes de dança invejáveis. Cantou temas como Ni huma ka vuthu, Xicona (que pôs todo mundo de pé), nkatanga, um dos melhores temas de Xidiminguana….êxtase. falar mais? Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os Galtones&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Guitarrista dos Galtones ia avisando a todos: vocês hoje vão dançar. E não é que o tipo tinha razão, uma das melhores actuações da noite, sem sombra de dúvidas. O grupo, mostrou que é rodado e que ensaia e toca constantemente, o ponto mais alto da sua actuação, foi com a música, &lt;strong&gt;modas khoma /hnloko, katla, vele&lt;/strong&gt;… loucura total.&lt;br /&gt;Momento impar, foi quando os dois guitarristas largaram as guitarras e envolveram-se nuns passos de dança, que extasiaram a todos, mais alto ainda, foi ver o Ximanganine a segurar o ritmo (com a ausência dos dois guitaristas), com o seu bandolim, meu Deus!&lt;br /&gt;Aquando da entrada deste grupo, o mestre-de-cerimonias tinha já anunciado, que o mesmo iria acompanhar o guru de marrabenta, Dillon Ndjidji.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dilon &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dilon, só precisou de fazer uma pequena mexida nos Galtones; mudar o viola solo, pondo no seu lugar, o Bernardo Domingos (filho de Xidiminguana), a tocar. Estava garantido o fecho da noite em apoteose.&lt;br /&gt;Dilon mostrou genica, mostrou juventude, mostrou garra, mostrou saber, mostrou-se líder em palco, mostrou autoridade em cada gesto, algo raro em alguém com 82 anos, juro, que tenho amigos de 30 anos, castigados pelo álcool, que não fariam metade do que Dilon faz, juro.&lt;br /&gt;A música Podina, foi uma oportunidade, para o Dilon, exortar a todos, para dançar a marrabenta nacional, de Moçambique, e não se preocupe amigo leitor em querer corrigir Dilon, porque ele pretendia evocar as últimas forças de quem estava na sala e se preocupava com marrabenta. O que quis dizer, é que não deixem a marrabenta morrer e mais internacionalizemo-la.&lt;br /&gt;A grande prova, que Dilon deu de que a marrabenta é sempre actual, foi quando tocou uma música que valeu pelo espectáculo de guitarradas, onde todo mundo vibrou com a mesma, para depois dizer que aquela, era de 1950!&lt;br /&gt;Esteve o Dilon, bem acompanhado, por duas lindas jovens bailarinas, que a dado momento, harmonizavam os passos de dança com ele.&lt;br /&gt;O Bernardo, filho de Domingos, na última música, acreditem, fez amor com a sua guitarra, ali, em pleno palco, aos olhos de todos… exímio guitarrista, o Macuácua, que estava ali ao lado, saltou para o saudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caia, uma noite inesquecível, queria que minha filha tivesse idade suficiente, para ter assistido e compreendido, o que se passou naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Organizaçao&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não tenho reparos para a organização, senão, o facto de terem também a semelhança do público, posto braceletes nas mãos dos artistas, que eram os verdadeiros protagonistas daquela noite; não fazia sentido.&lt;br /&gt;Bem-haja o Logaritimo produções, e para as próximas vezes, que o festival comece mais cedo, para que não se prolongue pela noite dentro prejudicando o espectáculo e agastando em parte, os seus executores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marrabenta está de boa saúde sim e recomenda-se.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;e outro:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Enquanto o Dilon falava, cantava dentro de mim a música, &lt;strong&gt;Marracuene va dzila/va dzilela Dilon,/Dilone wa famba, mitati vonela&lt;/strong&gt; (Marracuene chora por Dilon, Dilon já vai e que será de vocês…..&lt;br /&gt;Que os anos guardem estes embondeiros, e se eles forem que vão na certeza de terem passado o testemunho, enquanto isso, que vivam mais anos, muitos mais anos, porque eu já espero o próximo festival.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P.S. desculpem-me, não pude resumir mais que isto, não podia&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Amosse Macamo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-4964554438008525019?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/4964554438008525019/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=4964554438008525019' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/4964554438008525019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/4964554438008525019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/02/marrabenta-sim.html' title='Marrabenta sim!'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-2475454991930048248</id><published>2009-01-29T23:07:00.000-08:00</published><updated>2009-01-29T23:13:23.628-08:00</updated><title type='text'>Ximbitane, festival de marrabenta, modaskavalu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Psiu! Ei, tu ai! Ya, tu mesmo! wene pah! Guarda a preguiça e faz uma postagem sobre o festival da marrabenta. wadevô! B’dia-Ximibitane&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Esta mensagem entrou as 06:55:56 no meu telefone hoje. Não tivesse eu a profissão que tenho, borrava-me de medo, a pensar que um dos meus secou o nariz a dormir. Encarei e fui ao “inbox” qual não foi a surpresa, dei-me de caras com esta mensagem que longe de ser um pedido, era uma ordem, um chamamento, na verdade, uma exortação para fazer algo acerca daquilo que digo acreditar: a Marrabenta, modaskavalu, senta baixo axi tlakula guinhá….&lt;br /&gt;A Ximbitane estava a convocar as minhas forças para uma causa que ela sabe que não sou alheio; a marrabenta e pasmava-se com meu silêncio no sentido de “Amosse, se nos incomodas todos dias, com tuas postagens sobre a marrabenta, inquieta-nos o teu silêncio quando sabes que se vai realizar um festival de marrabenta e simplesmente te remetes ao silêncio!!!”&lt;br /&gt;Tens razão mana Ximbitane, impunha-se que dissesse algo neste momento, nem que fosse para reclamar do preço (250 Meticais) e do lugar (Centro Franco-Moçambicano), onde se vai realizar o espectáculo: elitizaçao do que é popular? Nada, que o povo siga depois a carruagem de marrabenta até Guaza Muthine que lá é mahala.&lt;br /&gt;Pude ver na publicidade que é passada na mídia, que vão desfilar entre outros; o velho Dillon, Djambo 70, Manjacazianos de Alberto Mhula, António Marcos, Tio Wazi, Galltones de Ximanganine (há santo bandolim)….e questionei-me, se será necessário, um festival, para ver estes verdadeiros embondeiros da nossa terra? Haverá desespero neste gesto dos realizadores em fazer um festival do que é nosso?&lt;br /&gt;E alguém vai questionar: Amosse, então, trazemos o festival, reunimos as velhas glórias num só concerto e pões-te a reclamar?&lt;br /&gt;Nada vandunwina, não reclamo não, tenho meus motivos, de fundo até, mas que se diga; não há nenhum gesto de desespero por parte dos realizadores, estão até de parabéns, pena que só promovem os festivais, e não os espectáculos regulares, porque estes sim, seriam uma forma de ensaio, e motivo para aqueles produzirem mais canções que povoam o nosso imaginário: temo que os festivais, se tornem, um acto de saudosismo, onde vamos deitar lágrimas e exaltar um passado que alguns de nós, nunca vivemos.&lt;br /&gt;Este festival, ganha sim, por agrupar realidades com características semelhantes, a luminosidade dos anos e homens de grande criação artística, pena que este momento, não seja encarado pelos jovens com alguma seriedade, porque seria, o de passagem de testemunha por excelência.&lt;br /&gt;Lembrar que a maioria das músicas destes Embondeiros que povoam o nosso imaginário, foram gravadas em duas pistas somente, e não tinham todo o aparato tecnológico que os jovens tem, mas mesmo assim, superam em qualidade e como!&lt;br /&gt;Este festival, deveria também conter uma parte, em que jovens comprometidos com a nossa música, pudessem lembrar, alguns ícones de marrabenta que já não estão entre nós, Tony Django, por exemplo, é exímio a buscar Zeburane e outros. Seria uma forma de ressuscitar, grandes intérpretes da nossa marrabenta, porque não faria sentido que no festival não se tocasse, por exemplo, um hino como o Modaskavalu, interpretado por Fany e Mahecuane, aliás, se existisse a trindade na música, dois lugares, seriam ocupados por Fany e Mahecuane e o terceiro por Dilon, Xidiminguana, Alexandre Langa….?&lt;br /&gt;Mas Ximbitane, porque já falei muito, queria lhe dizer que, esperava falar do festival, depois de assistir, porque estarei lá, lúcido e registando cada momento, para os comentários devidos no teu, meu, nosso modaskavalu, contudo, agradeço e como, pelo toque, bem hajas, minha mana….&lt;br /&gt;Então, até logo no franco?&lt;br /&gt;P.S. perdoem, como tem sempre perdoado meus erros, o presente, foi escrito em vinte minutos, e para responder a "provocação da mana"...e dizer que hoje &lt;strong&gt;utapswa mutchine wama nailoni&lt;/strong&gt; (hoje vai mesmo animar)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amosse Macamo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-2475454991930048248?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/2475454991930048248/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=2475454991930048248' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/2475454991930048248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/2475454991930048248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/01/ximbitane-festival-de-marrabenta.html' title='Ximbitane, festival de marrabenta, modaskavalu'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-7243002529422251738</id><published>2009-01-22T01:20:00.000-08:00</published><updated>2009-01-22T23:31:03.237-08:00</updated><title type='text'>Costa Neto e Mandjolo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;(refrão)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mandjòlô&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nd'yà ka Mandjòlô&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Kè m'baku&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nd'yà ka Mandjòlô&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hantlissa mu pfana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;U ta ndy kuma ndlêlêny!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lôku ndy sukaka padêni, minè&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;N'kwãkwãnana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Y n'gwavela kwapa ndlela&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ndy mu zinguiry, minè&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Kòdwa u suka Ximbanguini, muzay&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;N'kwãkwãnana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Y n'gwavela kwapa ndlela&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;U mu ndyndyndy wénè&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ka Zantaca va longolokylè&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ka Zithundu va longa psy djumba&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ku ta buya ny va ka Khatwany&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ndy lêlêtêlêny kôlê ka Tembe&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A xiguila xy kwyni&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ndy ta kina xigubu&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ka mu khulu&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;N'davèzitha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Na ndy tsimbi bèdjwa, kwa ndê!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ndy tlhanguela T'rapezulu&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ndy nhiketêny n'duku&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;N'dy ta vika ma tsôtsy&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;N'dlelêny, ka Madjuva.- Costa Neto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Há ou não saudosismo no Mandjolo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A música tem o dom de despertar sentimentos, dos melhores até piores. Na abordagem ao Mandjolo, não faço, senão, deixar-me levar por estes sentimentos, pela multiplicidade de espaços que o Mandjolo desperta em mim enquanto que canção, e sem fugir claro, a algumas referência a letra da música que me foi gentilmente cedida, pelo próprio Costa Neto.&lt;br /&gt;Para mim, a manifestação mais patente em Mandjolo é, precisamente de rebusque/resgate de imagens de infância, adolescência e espaço que viu nascer Costa Neto.&lt;br /&gt;Há ali, uma espécie de cabra-cega de fixações de espaço, onde se confunde o artista e o homem, divididos entre dois oceanos; uma fixação da saudade pessoal e da terra que o viu nascer.&lt;br /&gt;O enredo psicológico que o Costa traça, obriga-o a segurar o tempo e traz vivências de saudades daquele espaço concreto: Mandjolo, mas também de uma terra que é Moçambique e Maputo particularmente (desde Zitundo, Khatwany a Ka Tembe.)&lt;br /&gt;O refrão, &lt;strong&gt;Mandjòlô, Nd'yàkaMandjòlô, Kèm'baku, Nd'yà ka Mandjòlô&lt;/strong&gt;, (Mandjolo, vou a Mandjolo, irmão, vou a Mandjolo), mostra claramente, a sua ânsia em indicar a direcção da terra onde quer ir, para que rapidamente, o indiquem o caminho.&lt;br /&gt;Nesta sua volta a casa, Costa, deliberadamente cria duas personagens: o do mu fana (rapaz) que tem de o acompanhar e outra, de um autóctone que o dá as coordenadas de como chegar e bem a Mandjolo (&lt;strong&gt;Kódwa u suka Ximbanguini, muzay, N’kwãkwãnana Y n'gwavela kwapa ndlela/ U mu ndyndyndy wénè&lt;/strong&gt;) assim que saíres de Ximbanguini sobrinho é só seguires o caminho (siga em frente), para logo concluir que “você é um ndyndyndy.”&lt;br /&gt;Esta passagem é fundamental para perceber o apego a terra por Costa, pois, logo que chega perto do autóctone e lhe pergunta por Mandjolo, o auctótone, pelas suas falas, apercebe-se logo, que aquele era um ndyndyndy.&lt;br /&gt;Ora, o longo período de tempo que Costa vive na diáspora, o faria certamente perder a sua identidade com a terra que o viu nascer e consequentemente o traquejo da linguagem, mas não, logo que se pronuncia, há um reconhecimento conclusivo de quem ele é; “&lt;strong&gt;U mu ndyndyndy wéné”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Concluiríamos daqui mesmo, que o Costa, nunca se desligou da sua terra, e mais, onde ele vive, vive a ânsia constante de poder pisar a sua terra e isto percebe-se no diálogo que tem com o mu fana, encarregue de o ajudar a chegar a casa, quando diz para aquele: &lt;strong&gt;Hantlissa mu pfana, U ta ndy kuma ndlêlêny!&lt;/strong&gt; ( se apresse rapaz que me encontras pelo caminho.)&lt;br /&gt;Neste pedir para que o rapaz (&lt;strong&gt;mu fana)&lt;/strong&gt; se apresse, chega a sugerir que o mesmo corra para rápido chegarem. É a ânsia, o desejo de rever a terra e logo, rever-se. É ele, a voltar ao mesmo tempo e parecendo que não, revê-se no miúdo que o acompanha e compreende naquela caminhada que não pode mais esperar, porque deu toda a sua alma, lágrimas, sobretudo alegria e força ao seu país: Moçambique.&lt;br /&gt;Neste não querer adiar a viagem a Mandjolo, chega a sugerir que o entreguem o bastão para se defender dos bandidos a caminho de Madjuva (&lt;strong&gt;Ndy nhiketêny n’duku N’dy ta vika ma tsôtsy N'dlelêny, ka Madjuva&lt;/strong&gt;), ficando assim claro, que na sua ânsia de querer chegar a terra, até predispõe-se a afastar os perigos pelos seus próprios meios.&lt;br /&gt;Com Mandjolo, Costa nega-se a reconstruir a sua vida ouvida por terceiros; nesta caminhada, propõe-se ele próprio e por seus próprios olhos ir em busca do espaço e das pessoas que o viram nascer e crescer, mesmo que corra o perigo de se encontrar com os bandidos e com todas as consequências que dai podem advir.&lt;br /&gt;Há aqui, uma ideia de identificação de pessoas e lugares e através desta, recuar no tempo e buscar o que é bom, o Xigubo por exemplo, que era dançado na casa do Régulo/chefe /autoridade local o &lt;strong&gt;N’davezitha&lt;/strong&gt;, referenciado na música. (ao ouvir a música, nesta parte, ouve-se o ritmo de Xigubo.)&lt;br /&gt;Costa esculpe no Xigubo, a dança que simboliza as demais da sua infância e juventude, e Mandjolo, como espaço onde se realizou o homem que fez o artista que ele é.&lt;br /&gt;De facto, Mandjolo é pura projecção de si-próprio, da identidade psicológica, da auto-afirmaçao que o faz justamente voltar a terra, para se encontrar consigo mesmo, dai que não se estranhe, que o Costa, seja tido por muitos, como o representante fiel da cultura moçambicana na diáspora, porque lá onde está, apenas vive o físico, porque o psicológico, está neste momento em Mandjolo, ou duvidam?&lt;br /&gt;Há sim saudosismo em Mandjolo, há o fulgor de volta aos espaços, há um sentimento dominante de auto-identificaçao, bem conseguidos pelo alcance estético da música.&lt;br /&gt;E algo engraçado, sempre que escuto esta música, não sei porque magia, volto, as ruelas do meu bairro Polana Caniço, as velhas historias conseguidas por muito sacrifícios de quem as contava, ao inventar e refazer de histórias de vida, o arco-iris das aventuras de outiva de Bud Spencer e Trinita, das ideias envolventes de fugidas para a pista da ATCM e praia de Costa de Sol, das trepadas as árvores de amoras, no Clube (?) de Golfe da Polana (Caniço), do Castiguana maguidjana duro que empurrava a bola de chingufu a ameaçar todos que se faziam a sua frente, do M’bidji bidji, mandyndynde terrível a fisga, enfim, da minha malta da infância, sim, nós também éramos, como o Costa &lt;strong&gt;zinguirys,&lt;/strong&gt; estes pássaros pequenotes que andam em grupos nas machambas e fazem ninhos com capim e flores.&lt;br /&gt;E a ideia de Mandjolo, não será, senão a volta ao ninho floreado deste pássaro, desejoso, de se encontrar com o seu grupo.&lt;br /&gt;Bem haja o Costa Neto, por este seu apego a terra, por esta evocação a Manjolo, que no fim ao cabo, é a evocação e construção dos espaços onde cada um de nós cresceu. Há sim, saudosismo puro e positivo em Mandjolo.&lt;br /&gt;Amosse Macamo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quiseres ouvir musicas do Costa incluindo Mandjolo va para &lt;a href="http://www.myspace.com/costaneto"&gt;www.myspace.com/costaneto&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-7243002529422251738?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/7243002529422251738/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=7243002529422251738' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7243002529422251738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7243002529422251738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/01/costa-neto-e-mandjolo.html' title='Costa Neto e Mandjolo'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-4264164215559646486</id><published>2009-01-16T05:04:00.000-08:00</published><updated>2009-01-21T04:38:02.932-08:00</updated><title type='text'>Que doença matou Joaquim Macuácua?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“&lt;strong&gt;Sala Ema”&lt;br /&gt;Lawa mavabyi aningue hanhi/&lt;br /&gt;No vona(lorha) ntima wa sathani Ema&lt;br /&gt;Ni dlawa hi mhaka ya wena nsati wa mina Ema&lt;br /&gt;Vali aniku ringani (mussaveni) we nsati wa mina&lt;br /&gt;Unga kwati murhandziwa&lt;br /&gt;Vata ni landza lava vani dlayaka mina&lt;br /&gt;Hlaissa vana va hina nkata haswo&lt;br /&gt;Unga shenguiwe hi vama tiku vangaku peta lwandli Ema mama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nili rhula murhandziwa&lt;br /&gt;Nita vuya nitaku teka massiku ma taku&lt;br /&gt;Ndzi rhula we nsati wa mina Ema&lt;br /&gt;Ni tavuya ni taku teka massiku ma taku Ema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Unga rili murhandziwa&lt;br /&gt;Niya lunguissa ndawu ya wena tilweni&lt;br /&gt;Miela ku rila murhanziwa&lt;br /&gt;Hitaku swi yini we nsati wa mina Ema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miela Ema mamani aswa missava hi swoleswo nkata&lt;br /&gt;Miela ku rila, miela ku rila...-Joaquim Macuácua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Que doença matou Joaquim Macuácua?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sempre admirei os artistas, pela sua sensibilidade de dizer o comum de forma velada, pelo evasionismo, apelo ao belo, coração livre, pela intensidade e pela forma vibrante e típica que encaram a vida, dai, o meu ódio aos pseudo artistas justamente pela falta de arte na abordagem dos seus trabalhos.&lt;br /&gt;Felizmente, o Joaquim Macuácua tinha um pouco de tudo, até com um pouco de exagero. Homem de discurso sólido, de beleza inigualável nos seus temas, polémico de natureza; sua música caracteriza-se na sua maioria, pelas suas próprias experiências de vida, muitas delas mal sucedidas, mas superadas em forma de canto.&lt;br /&gt;Se o Joaquim fosse obrigado a escolher em seus próprios temas, um que caracterizasse a sua vida certamente que escolheria “Nicombela Ndlela”, justamente na parte que diz “kussuquela ni fika ka tiku leli (Maputo) utomi la mina lo honekela, lifamba hishi baba (…), /desde que cheguei a esta terra (Maputo), a minha vida só complicou-se, anda mesmo mal (…)&lt;br /&gt;A música que me proponho abordar, não foge desta linha de drama paradoxal da sua própria existência; trata-se da música “Sala Ema”, que me parece ter sido cantado no limite do seu drama de vida.&lt;br /&gt;Joaquim, é um exemplo de quem aceitou a morte e preparou as pessoas ao seu redor para a mesma, mas acima de tudo, como bom artista que era, disse a todo mundo e de viva voz, a doença que o matou.&lt;br /&gt;Sim, Joaquim disse a todos nós, nesta música “Sala Ema”, que padecia de uma doença fatal e, como que num despertar existencial começa a música com o seguinte pronunciamento: “estou certo que com esta doença não vou sobreviver” e o questionamento: que doença o Joaquim tinha a certeza de que não haveria de sobreviver? Dito de outra forma; que doença havia de eliminar as suas esperanças de cura até ao ponto de declarar que tinha certeza de que não havia de sobreviver?&lt;br /&gt;Lançada a afirmação, diz logo a seguir no segundo verso que “só consigo ver o luto de Satanás”. Mais um sinal de que não vai mesmo sobreviver.&lt;br /&gt;Logo a seguir diz a mulher, que ela é a causa da sua morte, isto porque alguém o fez crer que ela não o merecia; em clara referência as mulheres com quem se relacionava (amantes.)&lt;br /&gt;Esta atitude, é de puro arrependimento pois, se o Joaquim não tivesse ouvido essas vozes, teria permanecido fiel e consequentemente vivo até hoje e se morto, teria sido por alguma outra causa e não pela doença que o levou.&lt;br /&gt;Se o amigo leitor pergunta-se até agora, o que o Joaquim está tentando dizer, e que doença estranha é essa que o vai tirar a vida, as dúvidas se dissipam, com o esclarecimento do verso a seguir, quando diz: “não se entristeça minha mulher, vão me seguir os que hoje me matam.”&lt;br /&gt;Ora, se antes podíamos ter dúvidas quanto a doença que o Joaquim estava a tentar nos transmitir, depois desta afirmação fica tudo claro, pois, se ele tem a segurança de que os que o fazem morrer também o vão seguir, só se pode tratar de uma doença infecciosa que se transmite de pessoa para pessoa, logo, os que o transmitiram tambem vão o seguir porque esta doenca não tem cura. (sei que já estamos a caminhar juntos.)&lt;br /&gt;Mas quando dizia no princípio que Joaquim preparou as pessoas que seriam afectadas directa e indirectamente pela sua morte, tal, ganha vida quando tenta acalmar a sua esposa Ema que chora, pedindo para que ela não chore “porque um dia, virei te buscar”.&lt;br /&gt;Na verdade, quando o Joaquim nota que a Ema continua a chorar diz para ela, num acto de reconhecimento tardio de uma companheira de vida que “não chores meu amor, só adianto-me para preparar o teu lugar no céu.”&lt;br /&gt;Uma declaração profunda, pois, reveladora da sua intenção de que os dois viverão juntos eternamente.&lt;br /&gt;Estas declarações, são acompanhadas de um forte apelo, para que a mulher, fique a cuidar dos seus filhos, não deixando que ninguém interfira na sua vida, porque podem a “perder”e /ou desviar.&lt;br /&gt;E Joaquim, quando se apercebe que não consegue animar a mulher, muda o ritmo (num acto que lhe é característico na maioria de suas músicas), de “slow” (sileta) para samba, como que exorcizando a morte com a dança e diz já aqui e todo feliz e certo de que venceu a morte; “não chore mulher, a vida é assim mesmo.” E não é assim?&lt;br /&gt;Até hoje, não me perdoo por não ter entendido o SOS de Joaquim Macuácua, a tempo, porque se fosse atento e na altura diria que o Joaquim, foi o primeiro na sua classe, a quebrar o silêncio, dizendo de viva voz e para todos repetidamente sempre que a música era tocada, que padecia de uma doença grave e sem cura.&lt;br /&gt;Com esta música não só disse a doença que tinha, como preparou a mulher para a sua partida, cantando a sua própria desgraça.&lt;br /&gt;Ora, o facto de percebermos tardiamente uma declaração, não pode de forma alguma invalidar o que o declaratário quis dizer, pelo que, para todos os efeitos, o Joaquim Macuácua, foi o primeiro dentre os seus pares, a quebrar o silêncio e dizer de viva voz qual a doença que o apoquentava.&lt;br /&gt;Mais uma razão, para me render a este intérprete e compositor de proa da música moçambicana.&lt;br /&gt;Com esta música, Joaquim se renovou e venceu as suas próprias limitações como homem e como artista. Era um grande ARTISTA Joaquim Macuácua, um fascínio de ARTISTA…&lt;br /&gt;P.S. se a pergunta de que doença matou o Joaquim Macuácua persistir no final destes escritos, não se preocupe, porque tal não é importante, o que faço ou tento fazer, é olhar nas entrelinhas…&lt;br /&gt;Amosse Macamo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-4264164215559646486?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/4264164215559646486/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=4264164215559646486' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/4264164215559646486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/4264164215559646486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/01/que-doena-matou-joaquim-macucua.html' title='Que doença matou Joaquim Macuácua?'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-6827350885535940217</id><published>2009-01-05T02:17:00.000-08:00</published><updated>2009-01-27T01:32:58.344-08:00</updated><title type='text'>Bilibiza</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bilibiza&lt;br /&gt;Em Salimo, certamente coexistem dois mundos radicalmente opostos: a esperança e o desespero, a perseverança e a inutilidade, que só se sustentam, porque ele é um homem de têmpera rija.&lt;br /&gt;O davula mananga, talvez seja o exemplo deste desespero e esperança, onde numa situação limite, viu-se obrigado a partir, chegando, como ele mesmo diz, a orientar-se com o sol.&lt;br /&gt;De facto, quando todas as expectativas são desfeitas, nada resta ao homem senão partir e Salimo partiu. Chegou ao ponto de convencer-se, que um curandeiro o tratara para ser invisível; pudera!&lt;br /&gt;Ora, só o desespero pode trazer situação igual, porque doutra forma não se pode perceber, que Salimo tenha acreditado que ficou mesmo invisível.&lt;br /&gt;Mas engana-se quem pensa que partem os cobardes, não; só um homem de coragem pode partir, só um homem de ânsia, de temor, de persistência e acima de tudo de esperança é capaz de partir, justamente pela ideia de que a frente será diferente.&lt;br /&gt;Só um homem corajosos e portanto, capaz de incentivar-se a si próprio pode partir, isto porque quem parte nunca pede conselhos, tão-somente, partilhar a ideia.&lt;br /&gt;O davula mananga é a música dos rejeitados, dos que se sentem marginalizados, do apelo ao isolamento, dos que partem com uma cicatriz no coração.&lt;br /&gt;O Bilibiza, foi talvez, a mais dura experiência de Salimo, o inevitável parto de davula mananga e outras sagas de Salimo, porque, ele, nunca conseguiu, mesmo que querendo esquecer Bilibiza. Marcou-o de tal forma, que disse para ele mesmo que tinha de sobreviver, para poder contar aos outros a sua experiência.&lt;br /&gt;E a música Bilibiza, é este partilhar não querendo, da sua passagem daquele campo de reeducação e mesmo quando hoje se nega a falar daquela experiência, penso que o faz com toda a razão, porque em duas palavras, esgota o que viveu em Bilibiza:“ya bahmba” (é duro Bilibiza, na verdade, bate-se duro em Bilibiza). “Kuni mayila yila le Bibilibiza” (há vicissitudes em Bilibiza.).&lt;br /&gt;De facto, a ideia de reeducar o homem separando-o da família, será sempre um fardo que Salimo vai carregar por toda a vida e ninguém o fará esquecer, mesmo que perdoando, porque Bilibiza, foi para ele, uma gruta da escuridão, onde negou-se a reeducação, porque nunca precisou dela.&lt;br /&gt;Mas Bilibiza ganha, por trazer os dois mundos antagónicos de Salimo: do desespero e da esperança, afinal, tal como no davula mananga onde primeiro, ganha a ideia de sofrimento enraizado, de um drama humilhante e desesperante onde se dança Makway (dança que era tida como de castigo), até ao segundo momento onde, “Bilibiza ka rimiwa” (Em Bilibiza cultiva-se.)&lt;br /&gt;Bom, a primeira vista, diríamos que Salimo diz, aquilo que foi de domínio de todos, que em Bilibiza cultivava-se. Afinal, uma forma de garantir o auto sustento, das várias pessoas, tiradas de todo o pais, para a reeducação.&lt;br /&gt;Mas, se olharmos com outros olhos para a expressão cultiva-se, deparamo-nos com uma sobreposição propositada: só cultiva quem quer semear e só semea, quem quer colher.&lt;br /&gt;Assim, o acto de cultivar remete-nos a várias realidades, sendo algumas as de nascimento de uma nova planta (novo pensamento), de renovação, de esperança de abundância e acima de tudo, de um enraizamento capaz de sobreviver as intempéries.&lt;br /&gt;E Salimo é esta raiz, capaz de sobreviver a qualquer intempérie, é este homem que vive na fronteira da esperança e de desespero, é este, que quando decide escolher a canção que melhor o caracteriza ou o canta, elege &lt;em&gt;hlalelani vokala ndjombo&lt;/em&gt; (contemplem os desafortunados/azarados)&lt;br /&gt;Bilibiza é para mim, a mensagem insistente e insinuante de nascimento de um novo pensamento, um novo ser já cultivado: prenúncio de uma revolução.&lt;br /&gt;Na verdade, quando Salimo diz no final do coro ahi fambeni hiyaku vona, (vamos lá ver) faz o que nos acostumou, lançar duas ou mais ideias em uma só: lança primeiro uma intenção de denúncia da dureza de vida que se vivia em Bilibiza por um lado, e por outro, a ideia de uma mensagem de apelo para que todos possam lá ir, e testemunhar que apesar de tudo, algo de bom ali acontece. É a ideia dos dois mundos; a simbiose que caracteriza o Simeão, digo Salimo.&lt;br /&gt;Amosse Macamo&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-6827350885535940217?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/6827350885535940217/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=6827350885535940217' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6827350885535940217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6827350885535940217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2009/01/bilibiza.html' title='Bilibiza'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-1926261631846887228</id><published>2008-12-29T23:48:00.000-08:00</published><updated>2008-12-29T23:52:02.861-08:00</updated><title type='text'>Ximeliana Dzukuta/boas festas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ximeliana Dzukuta&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ximeliana Dzukuta, Ximeliana Dzukuta/niku patsa ni matega dzukuta/niku tota ni ximate dzukuta&lt;/strong&gt;. Calada da noite, no areal, a luz do luar, no bairro de caniço, na verdade na Polana Caniço, divertia-me ao som deste e outros cânticos.&lt;br /&gt;Havia sempre uma Ximeliana no meio a quem era dedicado esta música e repare, quanto mais condimentos para patsar a Ximeliana, mais apetecível ficava e aquela, regozijava-se de saber que causava tanta água na boca. Mas se esta canção não dizia em concreto quem era a Ximeliana, fazia-se necessário, procurar uma outra mais especifica, dai que não tardava que cantássemos &lt;strong&gt;loko niku dentro Polana, Nikhumbuka Mariza wamina, Shaku leha nhana Mariza, kambe vata teka nanwana&lt;/strong&gt; (quando chego a Polana, vem-me a mente a minha Mariza, tão altinha, pena que os outros vão levar).&lt;br /&gt;Esta canção, era na verdade, uma declaração de amor em praça pública, onde se esperava toda e quaisquer reacções, porque se a Mariza, não gostasse, ela entrava na roda e cantava o nome de quem era seu escolhido, com o risco de não ser nunca a pessoa que a escolheu.&lt;br /&gt;Não havia, com efeito, pior vergonha que, quando as declarações de intenções divergiam.&lt;br /&gt;Por outro lado, as meninas cantarolavam “&lt;strong&gt;a vasati va djoni ava lunganga, vani tekeli nuna wamina&lt;/strong&gt;” (as sul-africanas não são boas, roubaram-me o marido). Esta canção, era também interessante porque se a rapariga estivesse interessada por um dos rapazes, era só substituir a parte de nuna (marido), pelo nome do seu amado e pimba.&lt;br /&gt;O mais interessante nisto, era a carga melódica que estas canções carregavam, fazendo com que se cantasse por largos espaços de tempo, sem se tornarem enfadonhas, aliás, quanto mais longas, eram mais abrangentes &lt;br /&gt;Outro facto interessante era a declaração de intenções por detrás da canção, isto é, a canção, como veículo transmissor do mais puro sentimento guardado no nosso íntimo. Outrossim; o entendimento destas canções era uma chave possível para uma aprendizagem social.&lt;br /&gt;Hoje, não consigo olhar para trás sem que estas canções e outras me invadam a mente, porque partes de mim. E mais, estas canções desmascaravam as nossas almas, criavam em nós episódios de aproximação, tornavam-nos generosos, cimentavam em nós uma solidariedade instintiva e acima de tudo; socializavam-nos.&lt;br /&gt;Em meia idade, ia ouvindo já executores como fany, Mutcheca, Zeburane, Mahecuane, Xidimingane, Mhula,Chiau….e estes, pareciam recriar com as suas canções aquelas que ouvi na infância,  como que de uma reminiscência se tratasse. E hoje, já adulto, recordo a criança em mim com as mesmas músicas e mais, consolido o adulto e tomara que saiba transmitir estas músicas aos meus filhos, e crie neles, o mesmo sentimento que estas criaram em mim: esperança e dignidade.&lt;br /&gt;A todos que acreditam na nossa música e nos seus valores, na possibilidade desta ser um contributo válido para a sociedade, vai uma prece de que o novo ano seja melhor em todos os campos.&lt;br /&gt;Festas felizes a todos e principalmente aos amigos do Modaskavalu e claro, para todas as Ximeliana. &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-1926261631846887228?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/1926261631846887228/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=1926261631846887228' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1926261631846887228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1926261631846887228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/12/ximeliana-dzukutaboas-festas.html' title='Ximeliana Dzukuta/boas festas'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-5654210964996376704</id><published>2008-12-18T03:06:00.000-08:00</published><updated>2009-03-20T06:23:52.259-07:00</updated><title type='text'>Hodi Ni pfulele N'kata</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hodi ni pfulele n’kata&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nili hodi nili hodi, hodi nipfulele nkata&lt;br /&gt;Nili hodi nili hohi, hodi ni pfulele mine&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capulana dza libungu dzaku shonga ku yambala va mapswele&lt;br /&gt;Capulana dza libungu dzaku shonga ku yambala va mapswele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ni pfuleli nkata&lt;br /&gt;Capulana dza libungu dzaku shonga ku yambala va mapswele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pfula axi pfalu anipfala nkata/pfula axipfalu ani pfalanga mine&lt;br /&gt;Ni pfulele nkata… _Fany Mpfumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fany sempre fascinou-me pela sua criatividade e trato nas suas músicas. E mais, na elegia que fazia a mulher, cantando-a de forma graciosa e contribuindo até para elevar a sua auto-estima, como bem o fez na música leswi wena unga kuluka/unga bola….”, como quem diz “mereces casar comigo mesmo magra, baixa, alta ou podre de gorda…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, devem já ter notado com a introdução, que não pretendo falar de todas as músicas de Fany, mas de uma em particular, o “Hodi”, este hino, que mexe comigo, quando cantado pelo próprio Fany e mesmo em versão cantada por Hortênsio Langa, Arão Litsure e outro executante de proa da música moçambicana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hodi em changana, significa “pedir licença”e/ou bater a porta. Quem diz hodi, pede permissão para entrar e de principio numa casa ou em algum outro lugar restrito que precisa da anuência da outra parte, (o destinatário do pedido.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Hodi ni pfuleli nkata, remete-nos a ideia de que o dono de casa pede licença na sua própria casa, e suplicando à sua própria mulher, para que o deixe entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se no contexto social do Fany o dono de casa era o dominus, o munumuzana, a quem desprestigiava e desonrava para amigos, familiares e vizinhos saber que bate a porta da sua própria casa, como se pode explicar tal comportamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta a este questionamento nos leva a conclusão óbvia de que este pedir permissão, não tem nada a ver com o entrar numa casa, ou o bater de uma porta. Tem a ver com algum outro lugar de acesso completamente restrito e me questiono: que lugar será este?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, uma coisa é clara; Fany concretiza na música que bate a porta, quando a sua mulher, o responde dizendo: “Pfula axi pfalu ani pfalanga nkata/, pfula axi pfalu ani pfalanga mine”, (abra a porta que não fechei meu marido, abra que não fechei)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, quando o Fany faz do lugar que quer entrar uma incógnita, para meia volta concretizar que bate uma porta, tal, torna-se tão óbvio e por conseguinte contraditório, isto porque não faria sentido pedir licença na sua própria casa, por um lado, e por outro, a enunciação da incógnita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos assim ao lógico questionamento: que lugar o homem precisaria de pedir licença à sua própria mulher para entrar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve e há-de ser algum lugar onde o dono da casa para entrar, dependeria da vontade da sua esposa, falamos de uma porta, onde o social, mesmo com a sua força não consegue intervir, porque, restrito e íntimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que se aceite que o homem foi sem as chaves, (porque havia situações em que o homem queria entrar em intimidades com a mulher e os filhos de forma alguma deviam se aperceber), este, perdia-se no meio da noite até ter a certeza de que os filhos apanharem sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ai está, não faria sentido que pedisse licença porque despertaria os filhos, de quem teve que queimar a noite até que dormissem. Mas Dizia que mesmo que aceitássemos que este homem foi sem chaves, não faria sentido que ele insistisse para que ela abrisse, porque para além do bater a porta característica do dono da casa, a mulher, naquele tempo não apanhava o sono enquanto seu homem não voltasse, dai que não faz sentido a insistência (nipfuleli n’kata), para além de que conhecedor dos segredos de abertura da porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voltamos ao mesmo ponto: que porta quer que se abra o Fany?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a nossa resposta esteja no verso que canta a seguir ao nipfuleli nkata, quando a mulher responde “pfula ashi pfalu a ni pfalanga nkata, pfula ashipfalu ani pfalanga, para em coro já cantar capulana dza libungu dza kushonga ku yambala va mapswele (abra a porta que não fechei, abra que não fechei/a capulana linda e vermelha, é trajada por matronas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capulana dza libungu dza ku shonga, (embora tenha-me referido em um outro escrito que fazia referência ao ciclo menstrual, tal não se sustenta, senão isoladamente, pois, não se compreenderia que a mulher acedesse ao bater da porta, quando de período. Só lembrar que era tabu e por isso mesmo prenúncio de varias desgraças, fazer amor com a mulher no período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando o “capulana dza libungu”, no conjunto, como se pretende, e sendo aquela a resposta da mulher, vai significar cedência, para o acto sexual, uma vez que “não estou na menopausa, logo, apta para o acto (capulana…kuyambala va mapswele), onde o “libungu-vermelho”, seria a menopausa.),&lt;br /&gt;Bom, é uma explicação possível, mas de toda a forma, fica claro que Hodi, faz assim referência ao pedido do homem para o acto sexual, onde pede o Fany, para que a mulher o deixe entrar para desfrutar não só do acto, mas também para lançar a semente de modo a que nasçam filhos, razão última da comunhão de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, há quem olha para o Hodi com a simplicidade que é cantada, sem metáforas, nem parábolas, onde o homem, simplesmente, pede a mulher que abra a porta da sua própria casa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim…o que teria isso de errado? E não imploramos hoje que nos abram a porta em nome da igualdade? E mais, não nos arriscamos a dormir nas escadas, por ter saído contra a vontade da senhora? Não imploramos aos ouvidos abertos e sempre atentos do vizinho na madrugada para entrar mesmo que seja para dormir na sala? Mesmo com as chaves, não abrimos e depois, detemo-nos com os ferrolhos interiores que nos remete ao hodi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for interpretado o Hodi, será sempre este hino malandro do homem que implora a mulher para entrar, sabe-se aonde e para quê.&lt;br /&gt;Amosse Macamo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-5654210964996376704?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/5654210964996376704/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=5654210964996376704' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/5654210964996376704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/5654210964996376704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/12/hodi-ni-pfulele-nkata.html' title='Hodi Ni pfulele N&apos;kata'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-3707737932195652292</id><published>2008-12-09T23:04:00.000-08:00</published><updated>2009-03-25T05:02:24.610-07:00</updated><title type='text'>Sambrowera Fandanga; o Enigma</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666600;"&gt;Sambrowera Fandanga: o enigma &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci-o (será que alguém o conhece?) Simeão Mazuze, e como que envolvido por um despertar filosófico, ficou Salimo Muhamad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso, sempre tive sérias dificuldades de falar deste músico, aliás, a mesma dificuldade que ele teve de não entender o Simeão e logo converte-lo em Salimo. Sim, porque se o Simeão estivesse em paz consigo mesmo, não haveria a necessidade de torna-lo Salimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só uma situação de incompreensão de si mesmo, pode levar a conversão e ainda bem se ela acontece e aconteceu em Salimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há-de se aferir, que este exercício, não se revela nada fácil, porque requer uma introspecção, isto é; ser observado e observador ao mesmo tempo; e que se diga, Salimo teve de o fazer para se encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só pensando assim, pode me ajudar a entender o Salimo, porque doutra forma, vai continuar a confundir-me. E a confundir-me sobremaneira nas suas músicas, quando esconde a verdade em palavras cruzadas, tal códigos impenetráveis, como “Sambrowera Fandanga”, que reviramos todos num exercício de interpretação e nunca fomos felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sambrowera, é para mim, o pico da inspiração do Salimo Muhamad, música, onde deixou suas várias faces saírem e acima de tudo, onde libertou todo o seu “eu” trazendo-o cá para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado, porque, da mesma forma que se expõe, acaba levantando um véu com recursos a palavras de difícil entendimento como o grito de início na música Sambrowera, onde diz: “cevernashe, cevernashe.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salimo nunca disse e nem era sua tarefa dizer o que significava “Sambrowera Fandaga” e outras palavras de difícil acesso que diz nas suas músicas, porque mesmo querendo não saberia dizer, isto porque, criados em transe e como explicar o que dissemos movidos por forças que ninguém pode compreender, como em Sambrowera?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui está o forte desta música, a força que ela carrega, a mística, o ritmo carregado de convulsões que caracterizam o Salimo, o cantar como se seguisse um ritual, tal nyamussoro que encarna o espírito de outra pessoa e entra em delírios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sambrowera começa com um apelo aos gritos onde Salimo pede para que se abra janela “ibra janela, ibra janela”, um pedido que confunde pela sua autoridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, para quem ouve, sente que não há ali nenhum apelo, senão, uma ordem. É como se estivesse sufocado e não aguentasse mais, dai que grita de dedo em riste e de olhos abertos como sabe fazer que “ibra janela”, como quem diz, se isso não acontecer não me responsabilizo pelas consequências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salimo tem demónios, sim, daqueles que quando exorcizado por batuques e ngomas teimam em manter-se no corpo de quem os exorciza, porque são fortes e Salimo é forte, é múltiplo, a sua temática é híbrida e foge e sempre fugirá ao entendimento do homem comum, como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, cansado de tanto tactear, para descobrir as palavras veladas de Salimo; tal como ele o fez um dia, procurei um curandeiro dos bons (Salimo já teve um curandeiro que o tratou para ser invisível), para me ajudar a interpretar as parábolas por si cantadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fiquei toda a noite a dizer Siavuma, Siavuma, mas, verdade que é boa, não a tive e terminou o curandeiro, dizendo que o Salimo, tinha um diabo que o impedia de chegar a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que Salimo tivesse diabos já sabia, abandonei o nyamussoro, com vontade de nuca mais ouvir suas falácias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando quase desistia encontrei-me um dia com um destes meus amigos que desistiu da vida, para se dedicar somente a reflexão e depois de ouvir todos seus delírios, me segredou o inesperado: que conhece o significado da música “Sambrowera Fandanga”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que senti um frio na espinha, meu cabelo levantou e fiquei atento. Em poucas palavras traduzo o pensamento do meu amigo, e que fique claro, que apenas conto o que ele me contou, sem aumentar um ponto sequer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua óptica “Uta mulumula nwana lweyi mamanhana? wahemba” (se vais desmamar este filho? Mentira.), o filho a desmamar, é o que na altura fazia guerra. Sendo impossível desmamá-lo (derrotá-lo), justamente porque seu filho, em clara referência a guerra entre os irmãos e/ou entre pai e filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dizia; é mentira que te vais livrar deste filho. Pois, nem que te arrogues (“Uli u nkondjani ya tiku mamanhane/utaya kumana ni madala wa djeke/uni matendencia mamanhana,), a andorinha que corta o pais de lés-a-lés, a sua velocidade, não seria suficiente para evitares/fugires do (madala wa djeque), entenda-se “rebeldes” que montam emboscadas em todos os cantos, pelo que deixa o orgulho de lado, e senta com esta gente e encontre a solução para o povo, daí que o “ibra janela”, para logo de seguida determinar “senta boy”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sim, um apelo para que os irmãos se sentem e discutam a paz, porque ninguém é veloz o suficiente como andorinha (nkondjani), para fugir das balas da guerra (madala wa djeke) e se não o fizeres “uni matendencia mamanhane”, tens tendências.&lt;br /&gt;E não podia terminar de outra forma o Salimo quando pede a sua mãe Maria, para não chorar porque seu filho voltou (He mamana Maria unga rile unga rile mamani, anwana wa wena afikile la muntine….), e o questionamento seria, de onde o filho retornou? Ou melhor, para voltar. Teve um dia que partir, mas para onde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do meu amigo me responder, larguei-o, porque estava a ficar confuso como nunca fiquei com esta música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, se os meus amigos leitores quiserem saber o final que o digam, porque mesmo confuso, poderei contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, enquanto isso, vão ouvindo Sambrowera, como o oiço e com vontade de perceber o que Salimo queria e quem sabe um dia “ibra janela” e caia a verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse “baralhar do esquema”, talvez seja o objectivo de Salimo com Sambrowera, fazendo com que todos nos batamos a cabeça, sem nunca chegarmos a verdade, porque nem ele a tem. E não tem diabos esse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amosse Macamo &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-3707737932195652292?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/3707737932195652292/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=3707737932195652292' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/3707737932195652292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/3707737932195652292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/12/sambrowera-fandanga-o-enigma.html' title='Sambrowera Fandanga; o Enigma'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-8390452843529247172</id><published>2008-12-09T01:10:00.000-08:00</published><updated>2008-12-09T01:11:12.771-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;SALIMO MOHAMED: “Tive um curandeiro que me tratou para ser invisível”&lt;br /&gt;SALIMO Mohamed está a preparar um espectáculo para o dia 29 deste mês, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, com uma banda que vai levar ao palco mais de dez elementos. O saxofonista Matchoti, o trompetista Leman Pinto e as irmãs Domingas e Belita, coristas. O “show” está a ser ensaiado com muito rigor, com Salimo na batuta, dirigindo um trabalho árduo, cujo objectivo é atingir a perfeição, ou os arredores dela, para oferecer ao público um trabalho de qualidade. É um espectáculo que já tem título, “Xingove Xi Dibi Mutxovelo” (o gato despejou o caril, traduzido do changana).Será uma página importante a escrever na vida deste monumento artista, um dos incontornáveis no nosso panorama cultural. Um forte pretexto para uma entrevista com Dzudza Muzimba, como também o chamam os seus amigos mais próximos.Mas fazer uma entrevista a Salimo será o mesmo que percorrer caminhos íngremes.  Uma odisseia! Porque Salimo é uma odisseia ele próprio. Tem na sua vida histórias dramáticas. Que passam por aventuras doidas, com Suazilândia e Gazankulu (RSA) incluídas. Ou seja, no percurso de Salimo há muito sofrimento, incluindo prisões e campos de reeducação. Aliás, foi durante um dos cativeiros que Simião Mazuze adopta um novo nome e ficou a chamar-se Salimo Mohamed, o que poderá equivaler a dizer que Salimo queria nascer de novo. O autor de “Bilibiza” – música feita em homenagem a um desses campos de reeducação onde esteve – entretanto, olha para trás e diz que não tem quaisquer recalques. O importante é manter a força de espírito. O passado é passado. O importante é olhar para frente. Passar por cima de todos os pedregulhos. E viver!A entrevista decorre na sala de visitas da casa de Salimo, num ambiente de quando em vez perturbado pelo retinir do telefone e da  conversa fraternal entre os dois filhos de Dzudza Muzimba. Dois filhos que constituem um grande amuleto para Salimo continuar a amar a vida. Eis, a seguir, alguns extractos dessa longa conversa com o autor de “Sambrowera”, “Paz” e tantos outros bons temas musicais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maputo, Quarta-Feira, 13 de Junho de 2007:: Notícias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Comecemos por “Dawula Mananga”, gravado em 1985. É um disco que vem premiar uma aventura de muito sofrimento e castigo, que inclui prisão na Suazilândia. Chambocadas pela Polícia. Medo dos boers. Mas sobretudo  uma tremenda vontade de ir para frente. Quer falar um pouco sobre esta história?- Foi em 1986, em Guiyane. Faço a minha primeira gravação na Gallo. O técnico de som era um inglês e eles ficaram bastante surpreendidos com o meu desempenho. O dono dos estúdios era um inglês que, olhando para mim e escutando o que eu tocava, disse assim: “venham cá ver este indivíduo que toca ritmos diferentes!”. Eles não esperavam. O Ray Phiri andava ali assim. Foram dizer-lhe “anda cá ver um gajo que parece um Marvin Gaye”, quando Ray Phiri há dias atrás nem me ligava. Ele agora reconhece-me e nos dias em que andou por aqui nos workshps do Kapa Dêch, disse àqueles jovens de que eu era um grande músico, que sofri muito...- Então “Dawula Mananga” será, concerteza, o resultado desta odisseia...- É verdade. É o resultado dessa loucura. Sofri muito. Não sabia muito bem onde ia. Cheguei a orientar-me pelo Sol. À noite andava à toa, sem nenhuma orientação. Mas algo me dizia que iria chagar ao meu destino. É por isso que fui.- Lembra-se, a caminho de Gazankulu, daquele boer que quase lhe esmagava os testículos com as botas e a arma?- (Risos). Eu tinha sido tratado por um curandeiro para ser invisível. Um curandeiro que provou depois que era muito bom. Ele disse-me que eu ia chegar ao meu destino. Numa das etapas da minha viagem à pé, de repente apercebo-me da aproximação de um carro da Polícia. Que para muito perto do local onde eu estava escondido. Do carro desceu um boer, que se aproximou do arbusto onde estava agachado. Ficou a menos de dois metros de mim, procurando vivalma ao longe e não me viu. Eu à rasca, mas o boer não me viu. Foi algo fenomenal. Ficou um tempo interminável para ver se me via mas, nada. Voltou a entrar no carro e foi-se embora. E notei que o curandeiro e os meus defuntos estavam comigo.&lt;br /&gt;Eu sonho muito!&lt;br /&gt;Maputo, Quarta-Feira, 13 de Junho de 2007:: Notícias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chegou, gravou o disco, ficou lá um tempo e depois voltou para Moçambique, onde está até hoje...- Voltei para casa. A minha casa é aqui. Onde vivo e trabalho.- Voltou porque ama a tua terra!- Amo muito! É aqui onde está o meu sangue. O meu ritmo. Toda a minha trepidação.- Ama a sua terra mesmo depois de tudo o que lhe aconteceu, como campos de reeducação e prisões?- Isso faz parte do meu passado. Já não poderá contar na perspectiva de vida que agora levo. O importante agora é o trabalho. Acredito que um dia as pessoas vão me compreender. Eu sonho muito. Estou permanentemente a sonhar, a reflectir e a trabalhar. Esse é o meu lema.- Não guarda algumas mágoas desse passado cheiro de feridas?- Não! Tudo já passou. As feridas secaram todas. Agora o que eu quero é viver e trabalhar e amar a vida.- Amar a vida e amar estes dois filhos menores que vivem consigo, dos quais é mãe e pai ao mesmo tempo...- ... é excitante ser pai e mãe ao mesmo tempo. Estou a cria-los desde pequenos. Lavei as fraldas deles. Cozinhei e ainda cozinho para eles. Houve tempo em que tinha que os levar todos os dias à creche e depois à escola e depois ir buscá-los. Mas agora estou mais relaxado. Eles já são grandinhos e estudam na Josina Machel. Já passou o tempo de sofrimento em que os tinha que levar à cama e depois à casa de banho para fazerem xixi. Fiz papel de mãe e faço-o até hoje. Nos tempos que correm dá-se muito valor à mulher, mas devia se dar ao homem também, porque eu consegui fazer aquilo que a mãe não fez, ou que devia ter feito. - Mas este facto de ser pai e mãe ao mesmo tempo, entristece-lhe ou dá-lhe orgulho?- Por um lado dá-me orgulho porque até aqui consegui aquilo que é o trabalho de uma mãe. Por outro lado entristece-me por saber que os meus filhos não tiveram aquele amor de mãe. Ela foi-se embora e deixou-me com eles. Isso me faz triste. Mas há uma recompensa. Eles sabem auto-gerir-se. Percebem que não têm a mãe, então vivem em função disso. Têm experiência. - Eles devem ser também felizes por comer a comida feita pelo paí. E diz-se por aí que cozinha muito bem...- Tu próprio és testemunha disso. Já comeste uma boa mathapa feita por mim. Preparo-te um bom caril de amendoim, bom guisado, etc. Não tenho problemas com a cozinha.- Salimo, explique-nos bem: vai tocar no dia 29 no “Franco”, num espectáculo chamado “Xingove Xi Dibi Mutxovelo”. Todos os seus espectáculos têm nome. De onde é que vem esta motivação de nomear os “shows”?- Eu estava para ir ao Lesotho para um festival anual que se realiza naquele país. Mas esse programa que tinha sido preparado pelo falecido Zibia (que Deus o tenha), não chegou a concretizar-se. Houve vários obstáculos apresentados pelo Ministério da Educação e Cultura e pela representação sul-africana em Maputo. Estava tudo preparado mas não fui. Também porque falei muito nos jornais. O rei Mushoswe manda perguntar se eu podia cantar para ele. Era primeira vez que eu ia cantar directamente para um chefe de Estado, para um rei. Acho que ele ouviu os meus trabalhos e gostou e perguntou por quanto tempo eu podia cantar para ele. Já estava tudo definido. Mas infelizmente não pude ir ao Lesotho e a partir daí comecei a dar nome aos meus espectáculos não sei porquê. Lembro-me que o primeiro nome foi “Nguva”, depois veio “Dzumba wa Nyanwaka”, “Dzudza Muzimba”, “Dji Polokotso”, “Dzumba hi ku Phinda”, “Kanga Hanya” e tantos outros. Agora tenho o “Xingove Xi Dibi Mutxovelo”.&lt;br /&gt;Estou a trabalhar com jovens à altura da minha exigência&lt;br /&gt;Maputo, Quarta-Feira, 13 de Junho de 2007:: Notícias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei que está a trabalhar para este espectáculo com uma banda cheia de jovens e com dois monstros nos metais e duas beldades felinas. Como é que estão a comportar-se os jovens?- Os jovens com quem estou a trabalhar são uma beleza. Estão entusiasmados em trabalhar comigo. Eles sabem que sou bastante exigente e estão à altura das minhas exigências. Com eles está garantido um bom espectáculo. São jovens que não são muito conhecidos pelos nomes, apenas serão chamados filhos do Jordão do Chamanculo. E eles vão dar que falar.- Mas o Salimo tinha uma ligação quase umbilical com o Kwamula Band (Homa Mô). Haverá um divórcio?- Eu não estou desligado do Kwamula Band. A questão é que quando a gente injecta sangue novo, é sempre sangue novo e este sangue novo é bom realmente. Costumam dizer que eu não trabalho com jovens, mas estão aí jovens que estão a trabalhar comigo. São jovens talvez mais novos que outros jovens. Eles tocam, fazem arte. Não utilizam computadores, porque os jovens que se sentem lesados são aqueles que tocam no computador.- E estes jovens conseguem trabalhar com um homem exigente como você? Acha que eles estão bem consigo, partindo do facto de que é  preciso ter fibra para trabalhar consigo?- Eles antes de aceitarem este desafio sabiam como é que eu quero ver as coisas. Eles estão a comportar-se perfeitamente bem. Estão num à vontade comigo.- Seria, hoje por hoje,  capaz de mandar parar o espectáculo ao aperceberes-te de que há uma fuga, uma falha?- Não, agora sou outro boi. Tenho outra experiência, outra maturidade. Consigo contornar as falhas sem que o público se aperceba. Preparem-se para desmaiar de emoção. Sou um felino de Gaza. Chamo-me Salimo Mohamed O Dzudza Muzimba sou eu, se bem que já ouviste falar deste nome. Sou eu mesmo. De corpo e alma.&lt;br /&gt;As letras aparecem quando estou a trabalhar&lt;br /&gt;Maputo, Quarta-Feira, 13 de Junho de 2007:: Notícias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Voltando ainda para trás, pois a sua vida também é construída desses tempos, chegou a ter um projecto de juntar quarenta elementos no palco duma só vez, os quais incluiriam timbileiros, para um rítmico de amálgama. Como é que esse sonho ficou?- Há coisas que não dependem apenas dos nossos sonhos. É preciso muito dinheiro. Mas eu tenho fé de que ainda vou a tempo de concretizar isso. - Nas suas letras sentimos um changana típico, com letras muito “pesadas”, profundas, metafóricas, parabólicas, um changana que não teria meias medidas para dizer seja o que for, nem que seja bojarda. Será que temos razão ou não temos?- Se for para mandar uma bojarda, mando para as pessoas que eu conheço, entre amigos. Numa discussão entre amigos também posso mandar. E aqueles que me conhecem também mandam uma bojarda contra mim. Sou humano e os humanos têm as suas falhas. E quanto as letras, elas aparecem quando estou a trabalhar, letras como “tlula, tlula madaka wo rhetemuka” (risos). Isso aparece em pleno trabalho, como se fosse um demónio que nos domina e fala através de nós. - E esse demónio é muito forte, revolto como o ponto de encontro de dois oceanos...- (Risos). Sabe, há um português, o José Cid, que me disse assim: óh Mazuze, não canta em português, canta na língua do teu povo e esse demónio que eu tenho não fala português. Fala changana muito pesado.- Mas eu conheço duas ou três músicas suas em que canta em português e parece perderem um pouco de sal...- Sim tenho “A Saudade Me Mata”, “Melo Yelo” e esta de “Paz”, mas eu fervo mais em changana, minha língua materna, que também é do meu pai.- É uma pessoa intensa. Com a cabeça sempre a ferver. A que horas é que dorme, normalmente?- Eu estou sempre acordado. Estou sempre a reflectir. Não paro. - E por falar em reflexão, agora lembro-me que fez uma música em homenagem à sua mãe, Maria. Podemos voltar para esse tempo?- Foi coincidência. Falo sim senhor da  Maria, não como ela, a minha mãe, mas a mãe no geral. Os filhos a que me refiro são os combatentes que tinham saído daqui de Moçambique e que agora estão de volta. Refiro-me à mãe no geral e em especial à minha mãe porque eu em encontrava em Portugal, então no meu regresso cantei isso. - Não tem saudades do Simião Mazuze?-(Risos). Eu sou tudo isso, todos esses nomes. Estou todos os dias a festejar a vida, com sonhos e trabalho!...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-8390452843529247172?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/8390452843529247172/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=8390452843529247172' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8390452843529247172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8390452843529247172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/12/salimo-mohamed-tive-um-curandeiro-que.html' title=''/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-8884204492006134790</id><published>2008-12-05T04:49:00.000-08:00</published><updated>2008-12-05T05:07:20.118-08:00</updated><title type='text'>o tempo que nunca tenho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;o tempo escasseia e leva com ele minutinhos de concentracao para alimentarmos este nosso bebe (blog), doi-me sempre que nao posso deixar nova materia no blog, porque agrada-me e nao imaginam o quanto escrever sobre a musica mocambicana e sentir algum retorno. ºe que esta musica, 'e em parte responsavel pelo homem que sou e nao acredito juropalav'rad'onra que seja mau homem (que o dica a INKOSSIKAZE la em casa, rs rsrs rs )...ontem a noite, estive a ouvir atentamente Joao Wate "loko ni hochile Nkata ni dzivalele", fiz um salto e lembrei-me da musica "Terezinha" de Joaquim Macuaca, "Batrige" de Jose Mucavele, e achei nas mesmas um elemento comum: homens, arrependidos, suplicando perdao as suas amadas mulheres....e lembrei-me claro dessas emencipadas Vasikates, que passam a vida a reclamar dos homens "que nao sabem reconhecer quando erram, que saio bendas porro,,,bebados, inuteis e acima de tudo insensiveis aos seus problemas.....voltando as musicas, so queria lembrar que os tres homens que fiz referencia, dois nasceram em Gaza e um em Maputo, salvo erro, isto 'e machistas pro o c.....e foram educados nunca, mas nunca a pedirem perdao a mulher e ousaram pedir em publico, concorrendo a titulo de n'kundlamas, dzanwanwas, mamparras......&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;voltando a questao do tempo que escasseia,., hei, como poderei pensar sem tempo, e como alimentar este bebe? arranje-se Modaskavalu.....bom este, 'e um arranjo, para que os meus amigos nao se esquecam de passar por aqui, at'e para me insultarem.......&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;e esta para os manos e manas &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;u rhandza kakata uta pfumala ni buluku/saia&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;unga rile nwana mamani lwey wa nuna waku biha uyo ti languela....a he uyo ti languela, a he u yo ti khetela nwana mamana "escolheste um sovina, que nao te compra nem roupa, ha nao chore minha irma,~ninguem escolheu o homem por ti.....ha ha ha ha ha palavras sabias de Mahecuane, o dono da musica que ºe titulo deste projecto de Blog"Modaskavalu, marrabenta...... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-8884204492006134790?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/8884204492006134790/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=8884204492006134790' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8884204492006134790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8884204492006134790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/12/o-tempo-que-nunca-tenho.html' title='o tempo que nunca tenho'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-8033609002667808000</id><published>2008-11-27T23:17:00.000-08:00</published><updated>2008-11-27T23:41:47.017-08:00</updated><title type='text'>e esta?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Loko se anio swi tiva tolo, anga nio rhandza shi khangalafula sha wansati&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;ati penda penda ati penda penda, ingaku yi galagala, aswi khosha swa mina swa mutchava: hi lowu hawu mupfana ndzuwena.&lt;/strong&gt;....Alexandre Langa (se soubesse (tivesse adivinhado), casava-me com qualquer mulher....esta minha que a sua pintura ate se confunde com gala gala (pintura da mulher com quem se casou), ate os meus pais sentem medo, nao fossem minhas manias de arranjar uma "freak", ha ha ha ha eu diria, medico cura-te a ti proprio, quando namoravas ou Alexandre, nao vias que a sua menina se pintava? vais, agora reclamar porque os teus pais nao aprovam? malandro a mulher ºe sua e arranje-se. ha ha ha ha ha bom fim de semana a todos e aroveitei recordar aqui, o Alexandre Langa, um homem que escreveu com a sua musica, o pulsar social deste pais e que sera, materia da proxima postagem aqui no Modaskavalu, marrebenta..... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;P.S. e porque estamos em mes de nao violencia contra a mulher, porque nao recordar uma outra musica deste grande homem, &lt;strong&gt;utai vona yaku tsama u bukuteliwa hi ku rhandza shiguevenga/tinkamula ta madjaha tinga tala le ndhaveni, uyua rhandza&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt; magupela, &lt;/strong&gt;como quem diz"com tantos rapazes cheios de boas intencoes em Ndaveni (terra natal de Alexandre, Gaza), foste casar com um louco que passa a vida a dar-te porrada...um amigo a brincar dizia, que o principal problema das mulheres, ºe quererem escolher o homem que elas querem, no lugar de prestar atencao nos homens que de facto estao interessados nelas.....nao sou eu que estou a dizer isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-8033609002667808000?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/8033609002667808000/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=8033609002667808000' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8033609002667808000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8033609002667808000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/11/e-esta.html' title='e esta?'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-1137331783750805397</id><published>2008-11-27T01:40:00.000-08:00</published><updated>2008-11-27T01:41:54.278-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://opatifundio.com/descobriapolvora/?p=63" rel="bookmark"&gt;Moçambique: arqueologia musical&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Emerson Santiago  &lt;a title="Ver todos os artigos em Emerson Santiago" href="http://opatifundio.com/descobriapolvora/?cat=105" rel="category"&gt;Emerson Santiago&lt;/a&gt;, &lt;a title="Ver todos os artigos em Moçambique" href="http://opatifundio.com/descobriapolvora/?cat=21" rel="category"&gt;Moçambique&lt;/a&gt;, &lt;a title="Ver todos os artigos em Música" href="http://opatifundio.com/descobriapolvora/?cat=106" rel="category"&gt;Música&lt;/a&gt;, &lt;a title="Ver todos os artigos em TO NEM AÍ" href="http://opatifundio.com/descobriapolvora/?cat=104" rel="category"&gt;TO NEM AÍ&lt;/a&gt;  Quinta-feira, 05 Junho 2008&lt;br /&gt;TÔ NEM AÍ, por Emerson Santiago&lt;br /&gt;Tratar de lusofonia sem abordar assuntos relacionados a Brasil ou Portugal. Será que consigo?&lt;br /&gt;Dos países de língua portuguesa, Moçambique é aquele com a maior herança musical registrada. Saiba por quê&lt;br /&gt;O ano é 1930. Os efeitos da quebra da bolsa de Nova Iorque logo ecoariam em todo globo, trazendo uma década inteira de retração econômica. Num cenário assim, você, caro leitor, deve achar improvável haver uma mente sã desejando investir na acanhada, pachorrenta e subdesenvolvida colônia portuguesa de Moçambique. E, pior, num setor secundário como o do entretenimento, em particular o do mercado musical. Pois não é que havia gente disposta a isso?&lt;br /&gt;Apesar da incrível e notória musicalidade de todos os povos do continente africano, não encontro até hoje uma só alma que creia que na Moçambique dessa época haviam artistas gravando e vendendo discos com uma facilidade impressionante até para países do chamado “primeiro mundo”. E mais, a produção musical moçambicana foi de tal maneira diversa e extensiva que temos o privilégio de dispor, hoje, da cultura musical deste país em sua totalidade, desde as mais tradicionais peças folclóricas até os sucessos populares das décadas passadas, coisa que definitivamente não aconteceu com Brasil ou Portugal.&lt;br /&gt;Dos territórios de língua portuguesa, Moçambique foi o quarto a ter gravações regulares de artistas locais, sendo o primeiro Portugal (1900), seguido de Brasil (1902) e Goa (1910).&lt;br /&gt;Para quem tem menos de 30 anos é importante fazer um parênteses. Vivíamos a época dos fonógrafos, aqueles enormes, caros e pesados aparelhos que davam a opção ao consumidor de ouvir música quando esta não era disponível ao vivo. Os menores aparelhos eram do tamanho de dois ou três CPUs de computadores e os maiores eram embutidos em móveis de madeira de lei trabalhada, coisa fina, do tamanho de dois ou três fogões atuais. Na compra desses trambolhos, o cliente recebia dois ou três discos de graça para ouvir no brinquedo novo.&lt;br /&gt;Os discos eram os velhos e pesados 78 rotações, resistentes como a casca de um ovo. Armazenavam cerca de 3 minutos de música em cada face. O rádio era uma novidade ainda maior. Funcionava como hoje funciona a TV a cabo nos lares modernos, onde você paga para assistir canais de TV; não haviam comerciais, tampouco patrocinadores ainda.&lt;br /&gt;É nesse cenário improvável que teremos as primeiras gravações de música moçambicana. A responsável pela empreitada é uma velha conhecida dos brasileiros: a gravadora Odeon. Alemã de nascimento, já naquela altura, devido à quebra da bolsa de 29, juntou-se às suas concorrentes diretas (Columbia, Pathé, Gramophone Company e outras empresas menores) e formou a EMI (sigla de Indústrias Elétricas e Musicais, em inglês), trabalhando porém, com relativa independência operacional. Não entenda-se com isso que não havia comércio musical antes. O que acontecia era que o mercado era exclusivamente direcionado a estrangeiros.&lt;br /&gt;Havia música indiana,portuguesa e árabe disponível em disco. Faltava o repertório local. Como em praticamente todos os outros ramos da economia moçambicana da época, os portugueses entregaram de bandeja o comércio musical na mão dessa multinacional recém formada, a EMI. Não haviam gravadoras, nem engenheiros de som, nem técnicos,nem agentes portugueses. Os responsáveis pela difusão musical de Moçambique são os ingleses e alemães, que vinham numa crescente, expandindo e explorando novos mercados. Foi uma simples questão de avançar mais e mais pela costa oriental da África já que os mercados de Quênia e Tanzânia haviam se mostrado verdadeiras minas de ouro.&lt;br /&gt;As primeiras gravações foram realizadas em Lourenço Marques (nome colonial de Maputo, a capital) e em Beira. Lá, uma variedade imensa de artistas locais fizeram gravações, em especial grupos de marimba, corais, solos de mbira (piano de polegar), guitarristas, entre outros. Infelizmente, ao mesmo tempo em que os povos africanos são ávidos consumidores de música, também descartam sua memória com imensa facilidade. Encontrar maiores dados, detalhes e fotos desses artistas pioneiros é uma missão praticamente impossível.&lt;br /&gt;Paul Vernon, um dedicado estudioso desta nascedoura indústria musical reporta um registro de um funcionário de uma concorrente da época, relatando as atividades da rival Odeon em Moçambique. Registra esse funcionário que a companhia atendia a demandas cada vez mais crescentes dos revendedores em território moçambicano, demonstrando o imenso sucesso das gravações com artistas locais. Reporta ainda que o poder aquisitivo dos moçambicanos da época andava em alta, pois muitos trabalhavam nas minas de ouro de Joanesburgo, na vizinha África do Sul, e com seu salário consumiam a música recém introduzida em disco em grande quantidade.&lt;br /&gt;Após a hegemonia inicial da Odeon, quem iria dominar o cenário musical do país nas décadas de 40 e 50 seriam os sul-africanos, em especial Eric Gallo, por meio de selos como Gallotone, Jive, Singer, e mais outras empresas menores, como a Tropik, Hit, Troubadour.&lt;br /&gt;É importante ainda notar que essas primeiras gravações coincidiram com um período interessantíssimo da música de todo o continente africano, o chamado “hibridismo”, ou seja, a gradual assimilação pelos povos africanos de ritmos, noções e instrumentos musicais vindos da Europa e América. De instrumentos musicais, destaco a incorporação da bateria, do piano e do violão. O violão, por exemplo, tem papel importante na música africana no século XX. Este incorporou uma linguagem completamente nova nas mãos do negro africano das mais remotas localidades. Há ainda hoje literalmente centenas de estilos diferentes de toques de violão e guitarra em toda a África. Em Moçambique desde sempre os guitarristas da etnia changane são os mais conhecidos. Cito como exemplo Pedro Matabela, Aurélio Kowano, Filipe Sithole e Feliciano Gomes, todos ativos nas décadas de 40 e 50, deixando um sólido repertório gravado.&lt;br /&gt;Aliás, é destes mesmos guitarristas changane o cultivo da “marrabenta”, tida por muitos como um ritmo moçambicano nacional, como o samba no Brasil. Tal confusão surgiu dentro da comunidade portuguesa residente na então Lourenço Marques. Na verdade, a marrabenta é o nome do toque particular destes mesmos guitarristas.&lt;br /&gt;Fora os instrumentos, os africanos tomaram gradual consciência (via discos e rádio) da imensa herança africana criada nas Américas. Deu-se então a fusão de ritmos locais africanos com o jazz, o choro, o samba, a rumba, o mambo, o blues, a salsa, o merengue. Os moçambicanos foram também realizando esse processo de incorporação, conscientemente ou não, em sua música, tendo como influências principais os ritmos brasileiros e norte-americanos.&lt;br /&gt;Para terminar, é importante salientar um detalhe que foge ao olhar do expectador estrangeiro. Não espere encontrar música moçambicana popular composta em português. A música moçambicana foi amplamente documentada, e praticamente todo idioma de importância primária ou secundária teve alguma gravação logo de início. Desde o suaíle no extremo norte ao ronga, no sul, todas as línguas estão devidamente representadas. Mas ainda estou por descobrir algum antigo artista que tenha gravado alguma canção em língua portuguesa, apesar dos nomes dos artistas serem muitas vezes bem lusitanos.&lt;br /&gt;Para ouvir: CD “Forgotten Guitars from Mozambique” - selo Sharp Wood - traz gravações de guitarristas moçambicanos de fins da década de 50.&lt;br /&gt;Emerson Santiago é brasileiro, advogado e professor de inglês. Lusófono declarado, ele é o mais novo colaborador do blog Descobri a Pólvora! e da Revista O Patifúndio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-1137331783750805397?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/1137331783750805397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=1137331783750805397' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1137331783750805397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1137331783750805397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/11/moambique-arqueologia-musical-emerson.html' title=''/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-173855687525659208</id><published>2008-11-25T03:36:00.000-08:00</published><updated>2008-11-25T23:59:04.645-08:00</updated><title type='text'>Magilidana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Magilidana; um lindo poema de amor&lt;br /&gt;Impossível descrever o Eugénio Mucavel sem os “olhos-de-ver-poesia”, porque este, imprimia poesia pura na sua música.&lt;br /&gt;E como se sabe, tudo num poema, inclusive suas omissões, é significativo. E é esta significado, que me fez entrar na poesia do Eugénio Mucavel, fruto do seu ser social e acima de tudo, de relacionamentos mal conseguidos no campo amoroso.&lt;br /&gt;Mas, o exemplo de hoje, embora aponte nesse sentido, tem seu quê de ganho, pois, a “Magilidana” que inspirou a música de que vou falar, não é aquela, que ele canta e lamentando-se numa outra música que” Niku kumile ussiwanine nawu shavissa matoritori, kambe nhamuntlha, wa ni shanissa” (“tirei-te da pobreza, vendendo doces de coco, mas hoje, me fazes sofrer”), esta, teve um final feliz, embora o começo tenha sido doloroso, como afinal, é sempre doloroso, o caminho da verdade.&lt;br /&gt;Na verdade, a Magilidana foi a mulher da vida do Eugénio Mucavel, dai que na música ela é destacada desde o início, como aquela mulher que o homem olha e diz “é ela”, como que dirigido por um sino interno que toca na hora certa.&lt;br /&gt;Interpretando a música Magilidana, percebe-se que esta mulher, não teria que passar por momentos de dúvida porque passam as mulheres com é caso de procurar saber quais as reais intenções do homem que a corteja, porque Joaquim sabia de antemão, afiançava e deixava transparecer que a queria casar (Migilidana, unhimela yini ndlovi yawu kati?)&lt;br /&gt;Magilidana é a escolhida e elevada ao lugar de mulher para o seu lar, porque conhecia lá no fundo que a amava mesmo antes de a ter. Reparem, não havia platonismo algum no seu sentimento, porque sempre quis concretizar este amor que só teimava em não acontecer porque a Magilidana não cedia, e quando parecia ceder, se mostrava hesitante, daí que questiona “Magilida, unhimela yini ndlovi yawu kati?”, de que esperas Magilidana, mulher do meu lar?&lt;br /&gt;Eugenio avançou sinal como que seguindo uma receita que o seu coração traçou, daí que, mesmo esperando em encontros mal sucedidos, mesmo que picado por mosquitos, ser interpelado pela Polícia, sofrer o aperto de sapatos, (uni maricarissa encontro nozhe ni watchissa ni mapassi/lumiwa hi ti nsuna/manhiwa hi swifambu.), não desistiu porque seu amor era puro.&lt;br /&gt;Mas se a indecisão de Magilidana o incomodava, também incomodava as histórias que ela contava para justificar as faltas ao encontro, (hi mafenha Magilidana nldovi), e o irritava o facto dela não conseguia enxergar o óbvio: um verdadeiro amor a sua frente.&lt;br /&gt;Mas o sublimes desta poesia, está no sonho que o Eugenio teve com a Magilidana, um sonho puro, inocente, imaculado e carregado de simbolismo.&lt;br /&gt;Conta no seu sonho que “siku dzimbeni nkata, nilozi nanina wene, nahi lhalela maphapharhati, loko nhanwa/mpswonwsa swiluva/hambe no tsaka kaya kwanga ku kiyela ndlovi yawu kati hi mafenha Magilidana mine”&lt;br /&gt;Esta mulher com que ele sonha, não é a que esfola seu corpo nu em vídeos clipes dzucuteiros e pandzeiros, não é objecto de todos reducionismos, não é a mulher objecto na música, mas sim objecto da música, é a mulher que inspira e veste a música do belo e não a despida na música, não é a mulher do imediatismo de uma noite de “dou-te com camisa dou-te”, não é a retratada por miúdos que mal conhecem uma mulher, mas acham que já a podem cantar, é sim, a mulher do lar, é a mulher habitando o papel das possibilidades infinitas.&lt;br /&gt;Daí que quando podia dizer explicitamente que sonhou com esta mulher a fazer amor, prefere vestir as palavras dum véu dizendo ..” nahi lhalela maphapharhati, loko ma nhanwa/mapswonwsa swiluva.”(assistindo borboletas sugando o néctar das flores)&lt;br /&gt;Equipara o Eugénio, não só a beleza das borboletas ao seu amor, como as asas destas cobertas com um pólen que representa a fecundação, logo o acto sexual. Na verdade, é este, um golpe de palavras na navegação poética, isto porque, esta mulher, antes de ser a mulher que ele gosta, reflecte o corpo e figura materna e se, não se pode maltratar uma mãe, logo, também não se maltrata a qualquer outra mulher.&lt;br /&gt;A referência swiluva (flores), e se tivermos em conta que estas podem representar a parte mais fina e melhor de uma substância, ganha aqui vida quando comparado a beleza da mulher que ama (Magilidana), e para além de que, esta pode representar a reprodução e justamente o que o Eugénio pretende: esposa e logo, mãe de seus filhos.&lt;br /&gt;Dai o respeito para com as mulheres porque seu corpo é aquele templo, onde rezamos em silêncio e que se diga, nessa hora o tempo pára.&lt;br /&gt;Se o tempo é zero, tal significa que é a hora de intervenção dos deuses, é a hora da mulher, este Deus que não se percebe e por isso mesmo Deus.&lt;br /&gt;E aí está: o Mucavel, é este ateu, que lutou para descobrir a primeira missa e encarar de caras este Deus imprescritível, não só para ver a cara dela, mas para conhecer e conviver todos os dias, formando um lar, dai que afirma que a sua felicidade não é plena sem a mulher da sua vida (hambe no tsaka kaya kwanga ku kiyela ndlovi yawu kati hi mafenha Magilidana mine.)&lt;br /&gt;E prova disto é que a música, é feita depois de Magilidana ter se casado com o Eugenio. E isto de cantar a nossa própria mulher diz muito ou não?&lt;br /&gt;Podia mais borboletear com Magilidana, mas hoje fico por aqui, analisando no silêncio colorido das minhas borboletas da mente, este lindo poema de amor chamado Magilidana de Eugénio Mucavele.&lt;br /&gt;Amosse Macamo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-173855687525659208?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/173855687525659208/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=173855687525659208' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/173855687525659208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/173855687525659208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/11/magilidana.html' title='Magilidana'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-6941551743010168043</id><published>2008-11-20T05:22:00.000-08:00</published><updated>2009-03-19T01:12:59.315-07:00</updated><title type='text'>Joaquim Macuacua e as mulheres bonitas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Joaquim Macuácua: o inconformado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresci a ouvir histórias fantásticas que me eram legadas pelos meus avôs, desde o Xitukulumukhumba, Guiguisseka, dos mineiros na terra do rand etc. Estas histórias, para além de povoar o meu imaginário obrigavam que no fim tirasse sempre uma ilação: o que tinha aprendido delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram estas histórias que nos emancipavam, que nos faziam transitar de criança, para adolescente e desta para adulto, isto porque, quanto melhor compreensão das mensagens por detrás; estava garantido a transição de uma fase para a outra.&lt;br /&gt;Ora, se por um lado, estas histórias eram o termómetro que media a nossa capacidade de avaliar, por outro, mesmo que não nos pronunciássemos no final delas, por dentro, fervilhávamos com a nossa verdade inventada, com o subjectivismo que elas nos remetiam, o fantástico, a aventura, a inevitável fuga, o maravilhoso...era lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o mais importante destas histórias é que com elas sempre se aprendia, mesmo que despercebido, porque era normal ouvir uma história aparentemente sem interesse, para no dia seguinte acontecer algo que nos remetesse a ela e em muitas situações era inevitável o arrependimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é já na idade adulta, depois de cometidos todos os erros, que as histórias contadas na infância voltam em catadupas, obrigando-nos a confrontá-las, porque fugir, não mais adianta. É nesta idade, que dizemos a nós que se pudéssemos recuar o tempo, faríamos tudo como nos foi dito pelos mais velhos, porque experimentados, logo; conhecedores da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, proponho-me a abordar uma música que, embora carregada de deliberado extremismo que sempre caracterizou o seu autor, remete-nos, para este mundo que acima referenciei, falo da música “male yo luza” (dinheiro perdido), de Joaquim Macuácua.&lt;br /&gt;Nos ditos dos mais velhos, é opinião assente que as mulheres bonitas têm sempre um defeito, como quem diz, “não há bela sem senão.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Joaquim Macuácua, antes de se casar com uma mulher bonita, certamente que desmentia esta teoria, contudo, o casamento e com uma mulher bonita o fez acreditar nesta teoria e não só, pareceu-me com esta música, que passou a ter grande pavor delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas entremos em análise, ainda que sucinta da letra:&lt;br /&gt;Começa o Macuácua, dando a mão à palmatória no sentido de que se tivesse atendido a voz da razão (dos mais velhos), não teria caído num erro grosseiro em algo que lhe foi ensinado nos contos (A minkaringana va nga hi bulela va khale/impfa ihi nhika u sima…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um escorpião que pica sempre no final, Macuácua, com esta introdução, evitava, que os mais velhos o dissessem, “nós avisamos”, daí que, tomando a dianteira já se auto condena.&lt;br /&gt;Diz ele que os mais velhos o ensinaram a não brincar com dinheiro (a va khale va ni gwelile va ku unga tlangui hi male/a va khale va ni gwelile swaku sati waku sasseka wa loya) e mais, que mulher bonita é feiticeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joaquim, deliberadamente, estabelece um paralelismo entre o valor do dinheiro e da mulher bonita, onde em última ratio, mostra que o seu dinheiro ganha.&lt;br /&gt;Ganha, em o ter gasto a casar uma mulher bonita, pois, se soubesse que aquela seria a confirmação da tese dos mais velhos, a beleza não seria o atributo de escolha, daí que entre choros e lamúrias diz (ó male ya mina, juro ninga tlanga hi yona chissa!.), “oh meu dinheiro jogado fora.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu dinheiro ganha tal valor que reduz a mulher bonita a uma mercadoria defeituosa, onde não lamenta a experiência mal sucedida de construir um lar, mas sim, o facto de ter jogado fora seu dinheiro, na convicção de casar uma mulher, afinal (nyia teka xiphunta mina), “fui levar uma louca”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, diz o Joaquim que vakokwane vani gwelile ku nsati wa ku sasseka wa loya/loku a nga loyi i gueleguele/loko anga guelezi i lolo/loko anga loloti wa yiva/loko anga yive wa mbwambua/loku anga mbwambwati ani futa he/loko angana futa ixidakwa xissa /ho mali ya mina, juro ninga tlanga hi yona leyi, o que traduzido diz; “os mais velhos me disseram que mulher bonita é feiticeira, se não é feiticeira é prostituta, senão for prostituta é preguiçosa, e se não é preguiçosa é ladra, se não é ladra tem desprezo e se não tem desprezo é porca, se não for porca decerto é bêbada; oh meu parco dinheiro jogado fora”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, face a este defeitos arrolados questionar-se-ia e é justo; o que sobra da virtude?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta mulher é tão péssima que até quando cozinha, tal comida, é intragável e quando o Joaquim a pede para comer, o indica a comida com o pé (loko asweka swakudla swo tlala a maha hikuni shungueta hi nengue).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será esta a imagem de fundo que o Joaquim queria deixar? Era sua intenção reduzir a mulher bonita a nada? E será que o seu dinheiro vale mais que a tentativa de constituir família?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que não. Na verdade Joaquim Macuácua, no estilo que lhe é característico, quis desmistificar a mulher bonita, para que não caia no convencimento de que pode tudo, só porque é bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mulheres que se acham bonitas sofrem de um complexo de superioridade tal que desprezam as que acham feias, na verdade, tem usado a beleza como único requisito para que sejam aceites socialmente (como se a beleza exterior fosse tudo), desprezam os seus companheiros, porque no seu dizer, “atrás de si, existem dez homens que querem estar comigo”, muitas destas desistem da escola porque alguém as convenceu que são bonitas, portanto, um sem número de situações que poderia relatar, que criam nestas, uma falsa representação da verdade e a pergunta: O que dizer de quem não vive a verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é lógico que não concordo com a tese dos mais velhos, mas, em algumas ocasiões, quando vejo mulheres que só colocam a questão da beleza como única forma de suprir as suas enormes faltas, tendo a inclinar-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra visão desta mesma música é a de que o Joaquim amou tanto uma mulher bonita e que deve no seu imaginário, tal como nos Minkaringanas, ter imprimido uma fuga no sentido de mulher ideal, que não encontrou na vida real e daí o inevitável desgosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todas as formas, o Joaquim, com este exercício, espevita as mulheres bonitas e as despe das suas manias de grandeza, pondo-as no mesmo pé de igualdade com qualquer mulher, porque no fundo ele acredita que a verdadeira beleza de uma mulher é interior.&lt;br /&gt;Amosse Macamo&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-6941551743010168043?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/6941551743010168043/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=6941551743010168043' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6941551743010168043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6941551743010168043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/11/blog-post.html' title='Joaquim Macuacua e as mulheres bonitas'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-7707083632096725425</id><published>2008-10-20T02:42:00.000-07:00</published><updated>2008-10-20T02:44:28.999-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc33cc;"&gt; Há ou não conflito de gerações na música moçambicana?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Diz-se, que um especialista, falando para o seu auditório numa palestra, começou citando, as seguintes frases:&lt;br /&gt;1.“Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus.”&lt;br /&gt;2.“Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível.”&lt;br /&gt;3.“Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe.”&lt;br /&gt;4.”Esta juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura.”&lt;br /&gt;Imagine o amigo leitor, o sentimento de aprovação e consequente aceitação destes factos por parte da plateia, que o ovacionou e de pé durante largos minutos.&lt;br /&gt;Na verdade, este, era o efeito que o especialista pretendia, pois, logo à seguir revelou, a origem de cada pensamento enunciado e dizia que:&lt;br /&gt;O primeiro é de Sócrates que viveu a (470-399 a.C), o segundo de Hesíodo (720 a.C.), o terceiro de um Sacerdote do ano 2000 a.C e o último, achava-se inscrito num vaso de argila descoberto nas ruínas de Babilónia que continha mais de 4000 anos de existência.&lt;br /&gt;O texto acima corre na Internet e auxiliei-me dele, para sustentar a minha posição, sobre o conflito de gerações entre os fazedores do pandza e Dzukuta e os da “velha guarda”&lt;br /&gt;Não podemos ter o receio de afirmar que está instalado a crise e consequentemente o conflito de gerações entre os fazedores de música moçambicana, pois, os conflitos, sucedem quando as gerações diferentes, têm visões de mundo distintos e isto é natural, negá-lo, não passa de pura hipocrisia senão vejamos:&lt;br /&gt;Do sentimento dos mais novos&lt;br /&gt;Os mais novos actores da música, não se identificam com nenhum dos antigos. Na verdade, para além do medo que têm de ficarem como eles (todos pobres ou empobrecidos), sentem que a maioria destes são ingénuos e ultrapassados, porque, na sua maneira de ver, falta alguma garra neles e ou algum sentido de oportunidade.&lt;br /&gt;Do sentimento dos mais velhos&lt;br /&gt;Os mais velhos, acham que os jovens simbolizam tudo que é de errado na música, e acham estes, que não é pelo facto dos mesmos venderem, controlarem a mídia e as grandes empresas que faze deles grandes músicos, pois, para estes, o que a juventude faz e ajudado por estas empresas, é promover a promiscuidade, fazendo tudo, menos música.&lt;br /&gt;Da questão da mudança&lt;br /&gt;É bem verdade, que quanto mais a idade avança, mais difícil torna-se a mudança, porque os hábitos estão enraizados, seria todo descabido, obrigar em nome da mudança o José Mucavele por exemplo, hoje, a fazer Pandza ou Dzukuta, porque além de não aprovar o mesmo estilo, está habituado ao seu, aliás, era normal que os jovens o seguissem e não ele a estes.&lt;br /&gt;Os jovens, por sua vez, têm uma grande capacidade e apetência de assimilar o novo rapidamente, e é aí, onde nasce o conceito de que os mais velhos são ultrapassados, pois,  é como sustentava o outro no debate recentemente promovido, que “eu não tenho linha; na verdade, se me apetecer tocar Rock toco, se pandza, Dzukuta ou Marrabenta, não me importo. É  só imaginar isto a ser dito por um José Mucavele, ou então imaginar, o que ele pensa de quem age assim.&lt;br /&gt;Do que os músicos não devem ter medo de dizer&lt;br /&gt;Não devem os mais velhos ter receio de dizer que não gostam do que os mais novos fazem. Não devem ter receio de dizer que admiram a parte do marketing por exemplo que é feito pelos jovens porque é forte. Que admiram a capacidade de alguns em investirem na qualidade dos vídeos, mas não alinham com a sua orientação musical, pois, dizer e defender o contrário não passe de hipocrisia.&lt;br /&gt;Os jovens devem dizer e claramente, quais os seus medos, porque, fingir que gostam das músicas dos mais velhos enquanto não, é hipocrisia, mas também fingir não gostar, para meia volta fazerem versões que muitas vezes distorcem a música e causam arrepios ao ouvido, não passa também de grande hipocrisia.&lt;br /&gt;Não se pode negar a diferença, porque parecendo que não, o reconhecimento desta, é primeiro passo, para agregar ideias e avançar em bom sentido.&lt;br /&gt;Das intenções dos mais velhos&lt;br /&gt;Os músicos mais velhos acreditam que com a sua experiência, com o acumular de idade, devem poupar os mais novos  de experiências más que eles já experimentaram. Contudo, esquecem estes, que aprenderam fazendo e neste momento, certo ou errado os jovens estão a fazer.&lt;br /&gt;Defendem estes que os jovens não os ouvem, contudo, penso que, mesmo que os jovens os ouvissem, nada lhes vais impedir de fazer questionamentos e tentar seguir por seus próprios caminhos, é a tendência natural da coisa, não a podemos evitar. há que intervir sim, mas sem sufocar.&lt;br /&gt;Onde todos falham&lt;br /&gt;Ninguém aqui dá tréguas ao outro. Há uma tendência exacerbada de cada actor, exaltar o seu ego e que se diga, não há lugar onde o ego mais se exalta que nos artistas. Os mais novos não cedem e pior os mais velhos; estamos na presença de extremos e quão difícil é lhe dar com os extremos.&lt;br /&gt;Todos acreditam que podem viver sem precisar dos outros, e pior: que existe dentro da mesma classe, os primeiros entre os iguais. Na verdade, quem faz  ou devia fazer a classificação de quem é bom ou mau músico não deveriam ser os próprios músicos.&lt;br /&gt;Se não for a sociedade que com o seu ouvido vai seleccionando o que é bom ou mau, deve ser algum outro organismo e não de músico para músico, se bem que a opinião de um, é preponderante para o outro, daí a ideia da associação, pelo que não é de bom alvitre, um músico, aparecer em praça pública e munido de todas as zangas a classificar os outros, sem mais nem menos.&lt;br /&gt;Penso que não compete ao Wazimbo como músico e/ou Zico, por exemplo, dizer em público quem ele considera ou não músico, ou quem imprime ou não maior qualidade nas suas músicas.&lt;br /&gt;O que preocupa&lt;br /&gt;Preocupa-me a questão de, em algumas cerimónias de cunho e carácter de Estado, se chame para cantar alguns produtos inacabados e precoces que pululam na nossa “indústria discográfica”, não faz muito sentido, que o Estado critique a temática das músicas de Zico e meia volta, use o mesmo como chamariz dos seus programas sociais. Não será esta, uma forma de legitimar o mal? Ou então; uma antítese a própria tese do que o Estado defende?&lt;br /&gt;Não seria aqui, e porque o Estado não pode mandar nos gostos dos seus cidadãos que deveria  educar para a adesão a “moçambicanidade”, chamando um Wazimbo ou Salimo Muhamad? Estará a cultura moçambicana expressa nas mini saias e cuecas dos rabos escuros, claros e clareados dos vídeos moçambicanos todos eles feitos juntos as piscinas, em iates, nas inacessíveis mansões da zona de Caracol e companhia?&lt;br /&gt;Que as maiorias reneguem os músicos da velha guarda, aliás, em casos como este, não preocupa a maioria, porque existem por exemplo maiorias loucas, na verdade, nem tudo que é aceite pela maioria, é o politicamente correcto, é só lembrar que vezes houve em que a maioria decidiu fazer justiça pelas próprias mãos!&lt;br /&gt;A mim, me preocupa, que em alguns eventos com carácter e cunho de Estado, se convide por exemplo um Robson, que de músico nada têm e o desafio a provar. Reparem, nada tenho contra este cidadão (que é um entertainer), se bem que gosto de muitos músicos brasileiros como Tim Maia, Ed Motta, Ney Matogrosso, o Djavan, Caetano Veloso e outros. Aceitaria que em eventos de Estado se chamasse um de calibre destes, porque seria como que puxar pelo músico moçambicano, de outra forma não passa da negação dos valores que o Estado diz defender.&lt;br /&gt;Ou então envergonha ao próprio Estado o Filipe Nhatsavele que vai vestir a sapatilha do Moçambicano profundo contra os seus protegidos, que se orgulham em canal nacional, ante o cidadão que mal come e veste de vestirem Armanis, Guccis e companhia?&lt;br /&gt;Infelizmente, não se pode impor que algumas empresas prefiram um músico no lugar do outro, porque seguidores do que o mercado consome e interessados somente em vender seus produtos, mas, o mesmo, já não faz sentido em algumas empresas intervencionadas por dinheiro público, como o Canal Oficial (TVM), que passe a vida a baldar os bons fazedores da música moçambicana. Se a TVM está preocupada com a concorrência, que implemente e já o seu canal comercial, onde poderá desfilar e num à vontade toda a promiscuidade. &lt;br /&gt;Cito de memória um ministro brasileiro, que coincidentemente esteve em Moçambique, enquanto corria o espectáculo de um artista brasileiro e que, teria dito ou insinuado, que no lugar daqueles poderia se ter chamado outros e citou alguns.&lt;br /&gt;Os que o Ministro citou, entendia, que são os que se identificam com o mosaico que é a cultura brasileira, são os que considerava reais Embaixadores da sua música, muitos, que têm as vozes castradas, pela fome da indústria de lucro. E porquê os ministros moçambicanos não fazem o mesmo? Acreditem, se fosse um alto dignatário, levaria comigo o Hortêncio, Cabaço; José, Mingas, Elsa, Isaú, Madala, Zena...&lt;br /&gt;A mim preocupa-me quando os alguns músicos, negam o termo velha guarda, quando este significa um certo privilégio, pois, sinónimo de mais experimentado, mais antigo, veterano e me questiono haverá igualdade, senão em profissão entre o Dilon Njigi e Zico por exemplo? onde choca o termo velha guarda?&lt;br /&gt;Também me preocupa, que alguns jovens, que assumiram a música numa visão empresarial (o que é de louvar), esvaziem o seu carácter de arte, em nome da mesma visão, e alguns dirão: mas se podem enriquecer, porquê não criar riqueza?.&lt;br /&gt;Mas qual a solução?&lt;br /&gt;Em todo mundo, a sociedade, é que inventa soluções para este conflito, porque mesmo não gostando por exemplo da geração pandza, nunca vou defender a sua extinção, vou evitá-la simplesmente e se um dia minha mulher, filha, e ou afim o preferirem vou respeitar, em nome da tolerância, aliás, da mesma forma que tolero vários Robsons por aí.&lt;br /&gt;Na verdade, estes jovens, ajudam a entreter os nossos filhos e são de certa forma um contributo, para que os mesmos não se desviem e enveredem pelo ilícito.&lt;br /&gt;Penso também que pode haver uma trégua entre os fazedores de um e outro estilo de música, o Tio Wazi e So What, deram nos algum exemplo, aliás, esta, é uma oportunidade soberana dos da velha guarda, de leve, introduzirem o seu conceito do que seja música aos mais novos.&lt;br /&gt;Há pouco, assistimos a um casamento entre jovens e a velha guarda, que foi o projecto Mabulu, e o resultado foi o que todos assistimos: um boom de se tirar o chapéu, pela qualidade que imprimiu e pelo naipe de músicos que conseguiu aglutinar, mostrando que é possível este casamento e com qualidade.&lt;br /&gt;Não me parece correcto que os mais velhos, não saibam interpretar os sinais da juventude, quando eles também já foram jovens e talvez, mais rebeldes e ousados que estes jovens de hoje, pelo que, quem se deve mostrar aberto ao diálogo, deviam ser os mais velhos.&lt;br /&gt;Deviam os mais velhos aproveitar dos mais novos a visão empresarial que já demonstraram dominar e parar com a mania de não se quererem misturar, porque, mesmo na música com carácter de arte que eles fazem, precisam de algo que sustente esta mesma arte: o dinheiro. E para fazer dinheiro é necessário, um forte marketing e qualidade nos vídeos, os jovens já demostraram saber fazer e mesmo na música que estes fazem, é preciso, separar o trigo do joio, porque há outras com qualidade invejável.&lt;br /&gt;Qualquer, que se sentir músico, deve ir a Associação e este, o receber de braços abertos, porque sua casa, deixando assim, os músicos, que sejam os organismos competentes, e a sociedade, a classificar o que seja ou não música.&lt;br /&gt;Devem, tanto os mais velhos, como os mais novos, potenciarem-se, no sentido de acrescentar, onde se mostre que falta em cada um.&lt;br /&gt;Ao músico a tarefa de fazer música e aos críticos de criticarem. Ficar a discutir se há ou não conflito entre a nova e velha geração e fingir não existir problemas quando existem é hipocrisia, porque especialistas de renome, acreditam que os “choques entre gerações sempre, vão existir, mesmo que mudem os motivos que os provoquem, uma vez que o que está por trás de qualquer conflito, é a luta pelo poder”, ou não?&lt;br /&gt;Amosse Macamo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-7707083632096725425?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/7707083632096725425/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=7707083632096725425' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7707083632096725425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7707083632096725425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/10/h-ou-no-conflito-de-geraes-na-msica.html' title=''/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-9123420341400059556</id><published>2008-10-07T04:57:00.000-07:00</published><updated>2008-10-07T05:00:27.114-07:00</updated><title type='text'>ubiwilitolo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc33cc;"&gt;Ubiwilitolo (será que foste repreendido?)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É facto que a critica social tem alicerces na ideia do melhor. Parte-se sempre, do ponto de vista de que os factos não correm em conformidade, daí a necessidade de nos posicionarmos de forma neutra e num plano superior, analisar a situação na profundidade.&lt;br /&gt;A crítica quando colhe consenso ajuda a criar a consciência colectiva e logicamente que numa sociedade em constante derrapagem de valores, esta, é fundamental.&lt;br /&gt;O grupo Ghorwane é um grupo calejado em matéria de crítica social, as suas músicas reflectem o quotidiano, questionando-o, problematizando-o e propondo, soluções específicas.&lt;br /&gt;São exemplos desde Majurragenta as músicas Akuhanha, Terehumba, Mavabwyi, Muthimba, Sathane, Massotcha e mamba ya malepfu, no Kudumba, até ao Vana Va Ndota com músicas como Xitchukete, Tlhanga, Livengo e outras. Mas o foco hoje é a música “ubiwilitolo”  do álbum “Vana Va Ndota.”&lt;br /&gt;A música em realce, é uma verdadeira “música de protesto”, que descorda por completo com a situação que hoje se vive, onde e coloca o seguinte questionamento: “será que foste repreendido (educado)”?&lt;br /&gt;Quem escuta o primeiro trecho da música e sei que este facto foi propositado, concorda plenamente que os miúdos de hoje tem a pouca vergonha de perseguir as mulheres dos outros. (a va fana mina, vama siku lawa vani ntungu wo biha wa tku tlovela va sati va vhanu). &lt;br /&gt;A primeira colocação que o Chitsondzo faz é a de os miúdos (rapazes), metem-se com mulheres dos outros, e esta, não é senão, uma mania generalizada, ou de uma moda se assim o quisermos, em que os jovens, apostam, entre eles, em como vão conseguir os seus intentos.&lt;br /&gt;Não há pois, o mínimo ético nesta relação, senão, o simples desejo de tomar o que não lhe pertence. A mulher do outro é vista como um trofeu a ganhar e quando se trata de ganhar um trofeu, não se mede e os jovens não têm medido.&lt;br /&gt;Ouvindo-se o primeiro trecho, há unanimidade, em dizer que “este Chitsondzo, sabe o que diz e temos de facto, combater este mal”, só que; o presente que o Chitsondzo dá e propositadamente, é envenenado, na medidade em que faz logo uma viragem, para incluir todos no mesmo esquema, desde senhoras, velhos, velhas, senhores e meninas.&lt;br /&gt;De facto, esta mania, não é exclusiva dos rapazes, diz Chitsondzo, pois, as meninas também, (a tintombi natona ati Sali ndzaku, tini ntungu ho biha lowu, waku tolovela vanuna va vanu) tem o mau hábito (mania) de se meterem com os maridos das outras, e idem na colocação, porque aqui, existem aquelas que somente tiram gozo da situação, quando efectivamente o homem é casado e quando não, não desperta nelas nenhuma atenção.&lt;br /&gt;E seria estranho isto, aliás, há tempos, os homens, faziam questão de esconder a aliança, quando ensaiavam uma fuga, mas, de tempos para cá, a situação muda completamente, pois, as mulheres, tem a lição de que homem casado, sabe tratar  e se tem dinheiro para sustentar um lar, deve ter para outros gastos, e logo vira alvo.&lt;br /&gt;Infelizmente é a sociedade em que vivemos, onde já não se transmitem valores, já não se passa testemunhos, isto porque todos e cada um pensa que é conhecedor de tudo, quando de nada.&lt;br /&gt;As forças de pensamento se calam, os pais se escondem, os que teimam em gritar no deserto, são premiados por AVC´s precoces e claro, há aqui, uma tendência de querer viver a vida intensamente, mesmo que para tal signifique matar Deus e/ou algum outro valor superior, para que, afinal, seja tudo permitido.&lt;br /&gt;Porque e acredito, que se não houvesse essa tendência de matar Deus e seus valores, de matar a consciência do bem, não se aceitaria, que as coisas acontecessem, tal como as canta o Chitsondzo.&lt;br /&gt;De facto, não é normal, que um senhor de idade, faça crescer miudinhas de 13, 14 anos, que os idosos, ataquem, as suas próprias netas, que tudo, seja feito a luz de dia e ante olhar de aceitação de todos.&lt;br /&gt;Mas é claro, coloca-se aqui a questão de quem lança a primeira pedra e contra quem?!&lt;br /&gt;O que o Ghorwane (Chitsondzo) fez, foi, numa sociedade, em que ninguém se propõe a discutir os seus valores, lançar as premissas para que os mesmos voltem a ser agenda.&lt;br /&gt;E esta rede de interferência do rapazinho solteiro com a mulher casada e vice versa, dos senhores com as mocinhas da escola primária, da promiscuidade sexual que se vive, traduz a ideia de que é preciso voltar a discutir estas ideias, porque normalizar o anormal, nunca torna aquele lícito.&lt;br /&gt;E o questionamento de que será que foste repreendido na sua educação, (Ubiwilitolo wena), põe a nu, esta inércia, porque, sob chavões da liberdade, tem se enveredado por um caminho de renúncia completa dos valores que cabem a um diligente pai da família, que tenta a todo custo, imitar o “pai fixe”, das novelas, esquecendo, que aquele, é talhado ao pormenor num estúdio e a vida real, essa sim difere, porque sempre surpreende.&lt;br /&gt;Infelizmente, é difícil discutir esta ideia, quando ela é constantemente esvaziada em músicas de consumo que ensinam exactamente o contrário do que se pretende, em novelas que nunca foram na essência compreendidas pelo seu público alvo, em publicidade que se interessam no consumo e somente, na família que se desintegra sistematicamente, num sem número de situações, que banalizam o certo e esvaziam a nossa consciência comum do bem.&lt;br /&gt;É lógico, que no lugar de discutir esta ideia, quando a carapuça vai servir, esta mesma pessoa, vai fazer o seguinte questionamento:&lt;br /&gt;“Quem és tu Chitsondzo para me fazeres esta pergunta?”&lt;br /&gt; E vai-se afundando a nossa sociedade....porque a roda promíscua de interferência, parece interessar a maioria, por isso, “ubiwilitolo wena, mas que se entenda, Ghorwane (Chitsonzdo), já lançaram com este questionamento a primeira pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P:S. Um Sentimento de tristeza me assolou quando descobri que o Web Site da banda Ghorwane expirou!!! Que dizer?&lt;br /&gt;Amosse Macamo&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-9123420341400059556?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/9123420341400059556/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=9123420341400059556' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/9123420341400059556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/9123420341400059556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/10/ubiwilitolo.html' title='ubiwilitolo'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-3222537948593873714</id><published>2008-10-03T03:01:00.001-07:00</published><updated>2008-10-03T03:01:44.047-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ecos da música moçambicana&lt;br /&gt;Notícias 01 de Junho de 2007&lt;br /&gt;Os apreciadores da música moçambicana estão divididos; enquanto por um lado temos os consumistas distraídos a dizerem que a música moçambicana está a dar, outros há que acham que esta mesma música está à deriva. A velocidade da música moçambicana hoje é medida em função da quantidade de músicos jovens que emergem como cogumelos e são lançados via editoras acopladas a produtores que também pululam nesta cidade.&lt;br /&gt;Há um tempinho, decorreu um debate que se diz por aí que trouxe ilações, uma delas que remete ao facto dos músicos da velha guarda estarem sentados na sombra à espera de seja o que for que vier, sei lá de onde para lhes salvar; enquanto que os da nova guarda (ou geração!) embarcam no barco do empreendedorismo, trazendo, desse modo, música e alegria para o povo. Por razões profissionais não acompanhei o referido debate numa das televisões, daí que qualquer opinião que for a emitir sobre o mesmo será superficial e permeável.&lt;br /&gt;Mas uma coisa que parece não ter transparecido no tal debate é o fenómeno que chamarei de plágio: A nova geração, a tal que está a dar, essencialmente, pega em músicas de cantores da velha guarda, de preferência os já finados, e pimba: faz o mix no estúdio, mete lá o bit que permite abanar a região pélvica de qualquer um e, com ajuda da pirataria que está em voga, lança um CD à venda no Xikelene, Xipamanine, e por aí fora. Infelizmente esta música até passa nos órgãos de comunicação social públicos.... fruto disso, já temos alguns músicos jovens empreendedores, sendo o exemplo mais fresco e flagrante desta prática a dupla Lorena &amp;amp; Oliver Style, que não me lembro tê-la visto no funeral de Mahecuane.&lt;br /&gt;O outro fenómeno que o tal debate não abordou tem a ver com a qualidade dos clips: Sinceramente, eu tenho vergonha de ver os vídeoclips que ultimamente não só passam nas várias TV´s, como também são vendidos nas prateleiras da pirataria. As cantoras e respectivas bailarinas estão literalmente nuas, nuas mesmo e como se não bastasse, a forma tida como ideal para dançar tais músicas é o movimento da pélvis, para frente e para trás...estão a imaginar uma mulher semi nua (de boxers e soutien) a movimentar violentamente a sua pélvis num vídeo clip? Quer dizer, o mais precioso e agradável que uma mulher aprende a preservar, elas simplesmente vulgarizam. Salvo opinião contrária, não creio que isso dignifique a cultura moçambicana e, não façamos confusão entre erotismo e pornografia!!!&lt;br /&gt;Em relação ao estilo de música em si, embora descartável e de consumo imediato, até é “dançável”, mas a confusão começa quando o tal compasso é associado ao nudismo e movimentos pélvicos. É que a postura das nossas cantoras e bailarinas no palco pode ser equiparada à prostituição; em que enquanto umas são pagas para se exibirem em público e satisfazerem instintos latentes dos seus espectadores, outras o são para satisfazerem prazeres e experiências sexuais ocultas e até de índole animalesco.&lt;br /&gt;As letras da música&lt;br /&gt;Um outro fenómeno que agora envenena a música moçambicana tem a ver com as letras da tal música jovem: Exemplo vivo: Hoje de manhã, enquanto me preparava para ir obedecer ao meu patrão, eu estava ligado a uma das várias rádios privadas, oiço uma música que me violenta a moral: diz e eu traduzo para português, o seguinte: “ estou bêbado e já vou para casa/ minha esposa diz que bêbado não faço bem/ vou lhe despir a capulana/ vou lhe trepar”... blá...blá...,e no fim, uma moça, ainda na mesma música, suspira: “ chega/ já não aguento”. Uma outra música que já ouvi, a letra fala de uma moça que não estuda, só passa a vida nas barracas; no meio da mesma, aparece a tal moça a desabafar: “loku niminhica mogama munipoyila” (depois de eu vos ter dado(...) vocês ainda gozam comigo). Mas antes disso, numa das passagens, a letra faz referência ao facto de a tal moça, depois de beber, “upfula minengue/ xikurhá” (abres as pernas e toma).&lt;br /&gt;Pessoalmente não subscrevo a censura, mas a condição de os intervenientes da sociedade primarem por uma cultura e linguagem razoáveis.&lt;br /&gt;Será que aquelas moças que aparecem nos clipes a exibirem e a bambolearem as bundas nuas têm orgulho e amor próprio? Será que inspiram respeito e consideração diante de seus pais, familiares, amigos e sociedade em geral quando os clipes passam na televisão lá em casa? E quando andam na rua? Infelizmente, ainda há homens que se atrevem a pedi-las em casamento...e claro, casam, depois do seu corpo e suas partes íntimas terem estado expostos como cartaz de espectáculo.&lt;br /&gt;A disputa pelo lucro e popularidade leva a uma ablação da criatividade poética dos nossos músicos, para não falar da degeneração da moral, devido à exposição do corpo da mulher. Na verdade, a criatividade nunca há-de existir enquanto a velocidade e concorrência para vender mais e aparecer mais em público prevalecerem; o trabalho artístico leva o seu tempo para trazer frutos. Ocorre-me agora que antes desta geração, já tivemos muita e muita música erótica que até fazia referência ao sexo, de forma poética, sem pôr em causa a moral e pudor sociais.&lt;br /&gt;José Mucavele já pedia à noiva para “alhayissa a xissaka xa lirhandzo/ nitassula nhuku/ wamawongwe” (preservar o ninho do amor para que eu, uma vez aí, possa enxugar o suor do celibato); Zeburane aborda uma situação em que a esposa apela ao marido “ unganihulumeteli/ ninga muhlezana” (pare de me roçar porque acabo de ter bebé); numa das músicas a Elsa Mangue diz que “ nitsendzelekile nanipakatse a saia/ nilava a ndzuti nihumula” fazendo alusão ao facto de ela deambular à procura de um lar (aqui simbolizado pela sombra/ndzuti) levando consigo a saia nas costas (imagina caro leitor o que é que a saia simboliza), para noutra música, a mesma cantora falar de um homem cuja família acredita que para se casar deve ir à sua terra natal buscar uma mulher original porque esta ostenta “aquelas coisas” (angani leswiyá). Os próprios Gorwane perguntam a uma moça “ukulissiwe himani/ uza ukota lani/ ufundissiwe himani/ aku jurajenta” (de referir que as mulheres nunca se esquecem do seu primeiro homem – mesmo que a lista seja infinita - e é a qualidade do “trabalho prestado” por esta mulher, presumivelmente aprendido deste homem, que os Gorwane enaltecem!).&lt;br /&gt;Obliteração de cultura de um povo&lt;br /&gt;Hoje, a sociedade finge que não vê estes pequenos deslizes; a cultura finge que sai a ganhar com este pseudo “boom” musical; os jovens preocupam-se com a fama e promoção imediatas; os nossos netos ficam expostos a este exercício de lavagem cerebral; e todos nós ficamos cúmplices de uma situação que se calhar podia ser evitada. Resultado? Obliteração de toda uma cultura de um povo! Enquanto algumas produtoras continuarem a olhar para os fins (e não meios), enquanto a pirataria continuar em alta, a nossa música vai-se confundir com pornografia e teremos muita vergonha de falar dela no estrangeiro. Sim ao erotismo e inovação, não à prostituição da nossa cultura.&lt;br /&gt;PS. Quero aproveitar esta rara oportunidade para mandar um abraço de simpatia e solidariedade à Elsa Mangue, autora do “fim da estrada”. Quero assegurar a ela que agora, mais do que nunca, está no “princípio da estrada” rumo à sua salvação e recuperação. A minha memória ainda retém imagens da Elsa a lacrimejar de emoção no Cine-África na longínqua década 90...rápidas melhoras e breve regresso aos palcos, oh Elsinha!ANTÓNIO SAMBO&lt;a href="http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/43157"&gt;Fonte&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.supertrafego.com/form_view_vertical.asp?id=169096"&gt;Seu Comentário&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-3222537948593873714?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/3222537948593873714/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=3222537948593873714' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/3222537948593873714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/3222537948593873714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/10/ecos-da-msica-moambicana-notcias-01-de.html' title=''/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-2364039458504287913</id><published>2008-10-03T02:51:00.000-07:00</published><updated>2008-10-03T02:52:26.424-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Kid Malume&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KID MALUME: O outro braço de Alexandre Langa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KID MALUME vai para sempre ficar registado nos anais da história da música moçambicana como aquele que, tantos anos depois de entrar na arena artística como bailarino e corista, saltou para a arte registando um número, indelevelmente forte, porque de crítica social, e depois disso ter desaparecido. “Dumba Nengue va Khoma”, gravado em finais da década 70, catapultou Kid Malume, que de homem totalmente desconhecido em tão pouco tempo transformou-se num dos mais populares músicos da sua geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maputo, Quarta-Feira, 30 de Janeiro de 2008:: Notícias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kid Malume não foi um músico do tipo génio e extraordinário, mas foi feliz na sua abordagem temática, tanto é que quando grava a sua “Dumba Nengue va Khoma”, o que estava em voga era o comércio informal, pois tal como hoje, dali vinha o sustento de grande parte da população e entretanto banido pelas autoridades locais.&lt;br /&gt;Dos registos arquivados e por nós consultados consta somente que depois de “Dumba Nengue”, Kid Malume terá voltado aos estúdios para gravar mais uma música, que leva o título de “Rosinha”. Esta música é uma elegia à mulher, ao amor e ao trabalho. Não há registos de que depois destas duas músicas Kid Malume tenha gravado algo, mas sabe-se que ele perdeu a vida a 8 de Fevereiro de 1996, vítima de doença, entretanto já sem estar no activo.&lt;br /&gt;Quanto ao tema “Rosinha”, sabe-se que este não teve o mesmo impacto de “Dumba Nengue”, que se tornou num verdadeiro hino. Foi com esta música que Kid Malume concorreu em 1988 para o Ngoma Moçambique, tendo ficado durante largas semanas em primeiro lugar. Sabe-se, no entanto, que não chegou a ser laureado.&lt;br /&gt;Não obstante isso, Kid Malume é até hoje recordado nos meandros musicais  e pelos amantes da música moçambicana como o autor da célebre “Dumba Nengue”.&lt;br /&gt;Este artista da canção moçambicana não morreu como músico, porque as suas duas canções – principalmente o emblemático “Dumba Nengue” – continuaram  a ser ouvidas na estação emissora da Rádio Moçambique, mas infelizmente não com a frequência de outrora, tal como acontece com as melodias de tantos outros artistas da sua geração que deixaram de soar.&lt;br /&gt;Para muitos não interessa o facto de Damião Lopes Massingue, nome completo e de registo civil do artista Kid Malume, não ter gravado para lá de duas canções. Mas sim o importante é o impacto que as suas canções criaram e criam no imaginário daqueles que as ouvem. Por outro lado, nem sempre gravar centenas de canções é sinal indicativo de qualidade.&lt;br /&gt;Aliás, o facto de Kid Malume ter morrido sem registar um número suficiente para lançar um disco de originais, até pode servir para contrariar a ideia de que só a quantidade é que conta.&lt;br /&gt;Como exemplos, chamamos para este espaço os casos do conceituado Armando Mabjaia, que também não registou muitas músicas, serem músicas que tiveram o impacto que tiveram, tendo galvanizado as massas para a introspecção quanto aos problemas de ordem espiritual, das origens e da viagem.&lt;br /&gt;Zeburane (Eusébio Johane Tamele), também registou um número não muito elevado de músicas, mas até hoje é tido como um dos maiores compositores da nossa história musical, com uma forma clássica de tocar a guitarra. Os seus acordes até hoje são reconhecidos como clássicos e contemporâneos, o que chega a espantar os estudiosos destes instrumentos musicais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandre Langa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NAS MÃOS DE ALEXANDRE LANGA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maputo, Quarta-Feira, 30 de Janeiro de 2008:: Notícias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Damião Lopes Massingue quando regressou da África do Sul, onde viveu durante largos anos, juntou-se à banda do popularíssimo Alexandre Langa. Aliás, basta recordar que pelos sítios por onde passavam eram tidos como irmãos devido à forma como eles se vestiam, tais eram as semelhanças entre ambos.&lt;br /&gt;Mas, para alguns Kid Malume era o Alexandre Langa em miniatura, pois tudo o abraçava e fazia se assemelhava ao que o autor de “Mabunganine” também fazia. Do corte de cabelo à forma de vestir, até no estilo de cantar e na maneira de andar. Kid Malume era uma espécie de sósia de Alexandre Langa.&lt;br /&gt;Mas, o que vai depois contar no meio de tudo isso é o facto de Kid Malume vir da África do Sul com a intenção de querer se integrar na arena musical aqui em nacional. E o terreno fértil que encontrou foi a banda de Alexandre Langa. Tanto é que eles já se conheciam. E chegado cá, terá procurado por Alexandre Langa. Recordaram os tempos do antanho, desde que deixaram as longínquas terras de Gaza, empreendendo odisseias, que os levaram primeiro a Lourenço Marques, e depois a África do Sul, e, outra vez para Lourenço Marques, onde vieram fixar residência definitiva até ao dia em que Deus os chamou para habitarem o Jardim de Éden.&lt;br /&gt;Alexandre Langa é de Ndavene, no distrito de Chibuto, e Kid Malume vem de Manjacaze. As qualidades vocais e os passos de dança simulados por Malume deslumbraram o jovem de Ndavene, que já era um caso de sucesso nas pistas da capital moçambicana, tendo o convidado a se juntar a si, algo que foi prontamente aceite por Kid Malume.&lt;br /&gt;Kid Malume integra a banda de Alexandre Langa como corista e bailarino. Os dois passaram a partilhar os vários sucessos, estando sempre lado a lado, mas não somente como colegas na mesma banda, como também, e sobretudo isso, bons amigos. Os dois passaram a conviver juntos e em várias ocasiões festivas e informais apareciam juntos.&lt;br /&gt;Importa referir também que quando Kid Malume andava ao lado de Alexandre Langa, isto na componente musical, tinham também ao lado um outro homem, na altura sonante, que é o Francisco Cuna. Os três faziam parelha e constituíam um grande trio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CURTA CARREIRA MUSICAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos mais tarde, Kid Malume decide experimentar-se como músico. E sem abandonar o agrupamento de Alexandre Langa começa em meados da década 70 a ensaiar para registar os seus próprios temas originais. Neste processo, Alexandre Langa nunca deixou de o acompanhar, tendo o orientado até à gravação da sua primeira música, o famoso tema “Dumba Nengue va Khoma”, o que vai acontecer em finais de 1978. E já em meados da década 80, Kid volta outra vez aos estúdios da Rádio Moçambique para registar mais um tema intitulado “Rosinha”.&lt;br /&gt;Depois desta fase de glórias, entre espectáculos e muita farra, Kid Malume passou a gerir crises, principalmente sociais e económicas, nos bairros onde vivia, sempre ao lado do seu companheiro Alexandre Langa.&lt;br /&gt;Bairro de Maxaquene, Mavalane, Mafalala e Polana Caniço são os pontos onde Kid Malume passa a frequentar, mas já sem ser recordado como o autor de Dumba Nengue. E assim vai ser a história de um homem que foi um arauto da liberdade e da música.&lt;br /&gt;Francisco Manjate&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-2364039458504287913?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/2364039458504287913/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=2364039458504287913' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/2364039458504287913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/2364039458504287913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/10/kid-malume-kid-malume-o-outro-brao-de.html' title=''/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-88273638242856566</id><published>2008-09-19T05:14:00.000-07:00</published><updated>2008-09-19T05:15:02.315-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As mensagens veiculadas pelas músicas moçambicanas&lt;br /&gt;Notícias 18 de Setembro de 2007, Opinião&lt;br /&gt;Hoje discute se o eterno problema e nunca solucionado em qualquer sociedade sobre a arte de fazer música. E porque a música é arte, deve necessariamente ter seus pressupostos. Entramos no velho conflito de apreciar e depreciar certa maneira de fazer música.&lt;br /&gt;Coloca-se na discussão a questão de alguma música ser considerada “pimba” e outra genuína.&lt;br /&gt;É claro que nesta discussão não se deixa de lado o carácter estético que se espera nas letras e, sobretudo, a mensagem que estas transmitem. Este debate não deve e nem pode preocupar, porque acho imperioso procurar os valores da nossa música e nem que seja necessário buscá-los na sua própria incerteza, pois, que se diga, é ambígua a classificação do que seja “pimba” ou não.&lt;br /&gt;Não quero, por várias razões, entrar neste debate. Quero, sim, abordar a questão da mensagem nas músicas dos jovens que tende mais ao apelo sexual e erotismo, o que indigna a velha guarda e a sociedade em geral.&lt;br /&gt;Escrevo numa altura em que escuto, Zeburane, excelente guitarrista, de uma voz e trato únicos nas suas canções, homem de canções melódicas e com uma forte carga de mensagem. E ao falar deste, pretendo tomar em atenção a música “wadla bomu ke?” e o alto sentido de apelo sexual e erótico que a mesma possui.&lt;br /&gt;Esta canção, a meu ver, é talvez a mais erótica, é a mais apelativa sexualmente que já se produziu nos anais da música popular moçambicana, senão vejamos:&lt;br /&gt;A música retrata a história de um casal (em forma de diálogo) onde o marido (Zeburane) pretende ter relações sexuais com a sua esposa (Maria), mas esta se recusa porque tem um filho a amamentar e doente. E é justamente por esta recusa que se desenrola toda a música e com as histórias que esta acaba carregando. “Tsunela seio a nwana a vabyaku, unga ni hulumeteli ninga ku bhokola xikwembo... mina swa ni vavissa a nwana a vabyaku” (chega-te para lá que a criança está doente, não me apalpe que te insulto, por Deus que te insulto).&lt;br /&gt;Quando o libido sobe, mesmo quando se sobrepõe a questão da saúde do filho, o homem não pode mais esperar e, quando frustrada a tentativa, como aconteceu aqui procura outras soluções para resolver o problema, daí que Zeburane não insistiu com a mulher, mas sim, saiu à procura de outras mulheres.&lt;br /&gt;O mesmo Zeburane justifica-se quando a mulher questiona este comportamento, indagando: “não foste tu que me negaste o beijo” (a hi wena unga yala kuni nyika khissi) e, entenda-se aqui o beijo como preliminar. E num jeito de desabafo, a mulher, Maria, reclama do hábito da vida devassa do seu marido Zeburane “u tolovela ku famba vusiku nkata, Zeburane nkata”, ou seja, esse seu hábito de andar a noite, meu marido Zeburane.&lt;br /&gt;Mesmo com as reclamações da sua mulher Maria, Zeburane continua a sua incursão na noite, mesmo quando corre o perigo de contrair tuberculose (u famba vusiku u ta vuya ni ndere). A conotação noite/tuberculose surge do contacto sexual casual com uma mulher que provoca o aborto sem os cuidados que este exige e logo de seguida pratica relação sexual, prática que era constante nos tempos idos.&lt;br /&gt;A discussão entre o casal acaba levantando outros problemas onde Zeburane assume que tem desejos incontroláveis, mas também afirma que o mesmo não é exclusivo dos homens pois “as mulheres são umas desavergonhadas (a vavasati a vana tingana, loko vadla bomu, hambi lo tsave, tsave, u xelu xelu matilho vaya kona mpela), dito de outro modo adoram comer limão (fazer limão) mesmo que amargando, vão contorcendo os olhos e querem mais, autênticas gulosas.&lt;br /&gt;E porque Maria não queria perder Zeburane para as “piranhas” da noite, acaba cedendo e mais, Zeburane vai ao pote com tanta sede ao ponto de morder os lábios da sua amada até sangrarem (a nomu wu huma ngati) provocando o seguinte protesto: “Mordeste-me os lábios Zeburane, veja que até estão a sangrar” e coloca-se a questão: a que lábios Zeburane, de tanta ansiedade fez sangrar?&lt;br /&gt;Zeburane prontamente pede desculpas e justifica-se a sua esposa Maria, (e talvez aqui, fica claro de que lábios se tratava), pedindo que compreendesse que comer limão não é tarefa fácil, “... é como uma guerra onde se exige uma ginástica, uma flexibilidade, uma estratégia, um levantar para cima e para baixo espontâneo, enfim, difícil...” (mamana Maria, ni rivalele nkata, wa shi tiva swaku ma dlela ya bomu i nhimpi, iu yanunu, iu findzi, findzi, i ma rhambe rhambe).&lt;br /&gt;E quando esta põe em causa os ofícios de Zeburane, este o avisa (wa ma tiva ma bela ya mina, yoba hi xikossi), “conheces a minha maneira de bater pela nuca”.&lt;br /&gt;E surge de novo a grande pergunta: a que posição se refere aqui o Zeburane quando põe a questão de posicionar-se com a mulher olhando rente à sua nuca? O que está aqui implícito?&lt;br /&gt;Portanto, sem querer tornar este pequeno ensaio de música de Zeburane um relato prenhe de linguagem indecorosa, quis dar a entender que se pode falar de certos assuntos delicados, usando metáforas, figuras de estilo que nos remetem a um exercício para tentar descobrir o fundo da questão. E é justamente aqui onde reside a arte. Na capacidade de remeter o outro ao subjectivismo, a um constante indagar, onde não cabe uma verdade só.&lt;br /&gt;Na verdade, os músicos moçambicanos da velha guarda sempre fizeram o apelo sexual e ao “eros”, só não o banalizavam como o fazem hoje os jovens, as mensagens não eram tão explícitas como são hoje, vejam que até o próprio termo “modascavalu” que os jovens hoje acolheram apela ao vigor sexual comparando o cavalgar aos movimentos próprios do acto sexual, mas é preciso reflectir até chegar lá.&lt;br /&gt;O que hoje choca e não deve deixar de preocupar é a maneira exposta e despida com que a linguagem musical é trazida pelos jovens. E pergunto-me: numa situação em que algo fica exposto, valerá a pena o esforço da procura?&lt;br /&gt;Escute-se “Txongola” de Roberto Chitsondzo (Gorwane), a maioria das músicas de Xidiminguana, Mahecuane (Rosa), “Majilidana”, de Eugénio Mucavele, José Mucavele, há-de se encontrar excertos de um vigoroso apelo sexual e erotismo puro, mas sempre coberto por um véu.&lt;br /&gt;Há pouco, Baltazar Macamo teve uma interpretação fantástica de uma música de Fany Mpfumo que quase todos cantavam de forma inocente e nunca podiam imaginar a mensagem por detrás e por falar em Fany talvez lembrar um outro tema o (hodi, ni pfulele nkata,...) o abrir da porta que o Fany pede, pode-nos remeter a várias outras portas, pior quando põe a questão da capulana vermelha (capulana dza libungu), que só as mulheres já feitas vergam: não será esta uma referência ao ciclo menstrual? E quando o mesmo Fany canta “ni khemeli nlhampfi leyo, loko unga no khemeli na mine ni taku tsona tsumbula, lowu wa ka kwanga wa nandziha”), ou seja, saborosa e te garanto que é mesmo saborosa” quantas interpretações podemos fazer desta afirmação. Quanto apelo sexual está lá implícito? Basta lembrar o formato de uma mandioca e o líquido esbranquiçado que a mesma produz, há-de logo aferir a comparação com o órgão genital masculino. A referência ao peixe é óbvia, é só imaginar o formato do peixe e equipará-lo ao órgão genital feminino, o cheiro.&lt;br /&gt;A banalidade cansa, desvaloriza no lugar de valorizar, deprecia a mulher no lugar de a cantar e encantá-la, choca e agride, mesmo que as músicas em termos rítmicos sejam apelativas esta, acaba sufocando-as.&lt;br /&gt;Os jovens deviam ser mais ousados, interpretando as suas canções não só com a mestria que agora impõem, mas com alguma arte, porque mesmo a música “pimba” tem algo de belo que se aproveita assim como algumas consideradas da velha guarda, há algumas com mensagens intragáveis.&lt;br /&gt;E que dizer destes jovens que as suas músicas fazem os ambientes festivos e conduzem, embora por pouco tempo, a felicidade deste belo povo?&lt;br /&gt;Merecem ou não respeito e algum encorajamento? Sinceramente acredito que sim, mas se impõe que reflictam um pouco antes de lançar a sua música, porque antes da fama existe um homem que é preciso preservar.&lt;br /&gt;E a terminar, porque não chamar João Paulo que uma vez disse que a “música moçambicana não era só rabo!”.&lt;br /&gt;AMOSSE MACAMO&lt;a href="http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/70984"&gt;Fonte&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.supertrafego.com/form_view_vertical.asp?id=169096"&gt;Seu Comentário&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-88273638242856566?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/88273638242856566/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=88273638242856566' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/88273638242856566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/88273638242856566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/09/as-mensagens-veiculadas-pelas-msicas.html' title=''/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-1761379425297931556</id><published>2008-09-17T07:43:00.000-07:00</published><updated>2008-09-17T07:47:30.456-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Irmãos Tamele: um tributo ao amor&lt;br /&gt;SR. DIRECTOR!Numa época marcadamente masculina e numa região iminentemente paternalista e por isso mesmo machista como a do sul do país e propriamente em Gaza, os irmãos Tamele apareceram com uma música que rompeu com este “status”, conferindo assim um estatuto de enunciação da mulher, onde o homem finalmente reivindicava a sua liberdade de amar, contra todos os “ismos” que reduziam a mulher a um mero objecto de prazer, procriação e mão-de-obra nas lavouras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São vários os exemplos da intolerância desta sociedade para com a mulher e da sobrevalorização do homem como dominus. Basta lembrar que não se podia pensar nunca no facto de o homem ser estéril, pois este mal era exclusivo da mulher, daí que naquelas situações que a família descobria que o homem era estéril, recorria-se a esquemas de linhagem onde alguém da família e de preferência do irmão mantinha relações sexuais com a mulher do seu irmão. Seria esta uma forma de esconder a vergonha da família e manter aos olhos de todos a imagem do super-homem. Outras sim eram as situações em que o homem convencionava com a família da noiva, enquanto esta fosse menor para que quando a mesma crescesse, fosse sua esposa sem atender de forma alguma a sua vontade.&lt;br /&gt;Ora, estes pequenos exemplos, mas grandes na sua repercussão, mostram o quão aquela sociedade era hostil a qualquer manifestação de liberdade da mulher e era sobremaneira hostil a todo o comportamento por parte do homem que demonstrasse a sua sensibilidade para com os problemas da mulher. Daí que não se poderia imaginar e nem por brincadeira que numa situação de adultério o homem a pudesse perdoar.  Só não podia este homem ser banido do grupo porque tal não era permitido, mas que se diga que todo o comportamento que daí haveria de se seguir seria o de total desprezo, com o risco de mesmo naquelas situações em que o filho a nascer fosse fruto da relação marital se dissesse como se costuma dizer “a nwana lweyi a fana na wena hishi kossi”, como quem diz “este filho é parecido consigo pela nuca”, como se fosse possível este exercício de ver a própria nuca!&lt;br /&gt;Não se poderia pensar numa situação como a de perdão num terreno fértil de machismo como Gaza, mesmo que esse lugar seja em Ntchanwane, terra do grande homem Zeburane (homem sensível aos problemas da mulher) que, por sinal, é pai dos irmãos Tamele.&lt;br /&gt;De facto, numa situação de comprovado adultério, a mulher sujeitava-se a dois mundos totalmente hostis: o do marido ferido e o da sua família ao retornar a casa.&lt;br /&gt;De facto, para além da valente sova que receberia do homem forte das minas do rand, aquela seria escorraçada até a casa dos pais, com o homem a pedir de volta as suas cabeças de gado e tudo quanto se achasse gasto para “adquirir a sua mercadoria”, para além das devidas compensações e porquê não desposar a irmã mais nova daquela?&lt;br /&gt;Sem esquecer que esta mulher ao chegar à casa dos seus pais também seria recebida por vaias e insultos, pois com aquele comportamento expunha toda a sua família, para além de que esta seria obrigada a restituir o que já não possuía e de que nada justificaria uma situação de adultério.&lt;br /&gt;Entenda-se, nesta sociedade o amor não tinha importância e se tinha era relativa. O feminino contrapunha-se ao sentimento de virilidade, a mulher aqui não poderia tomar posse do seu prazer tão somente reclamar o “usufruto do seu corpo” e o seu orgasmo. A tradição a confinava a mera servidora.&lt;br /&gt;Ora, atentos a estes factos acima enunciados os irmãos Tamele, com a música “Tana nkata”, parecem deitar abaixo esta maneira de ver as coisas ao cantarem: “ni tirheli djoni / niya tirhela wena, niya tirhela muti, niya tirhela vana, se vanga lhupeki. Loko ni bhala tinwadi a nlhamuli aniyikumi / utchava nikuni byela swaku awuyo siya a vana voshe / tana nkata u vula lomu ungale kona / ukombela arivalelo alirhandzo lingue heli”, ou seja “consenti o sacrifício de trabalhar nas minas para o teu bem, dos nossos e da família. Tantas vezes te escrevi, sem contudo obter resposta, tiveste até medo e/ou receio de dizer que tinhas deixado as crianças entregues à sua sorte. Mas, venha amor, diga-me onde estiveste, peça perdão que nem por isso o nosso amor vai acabar”.&lt;br /&gt;Quantos de nós ainda hoje têm coragem de dizer isso? Quantas famílias se desfizeram por um deslize da mulher que poderia muito bem ser corrigido com um pedido de desculpas? E porquê não temos a coragem de uma vez que isso aconteça, nos propormos a investigar as causas primeiras e últimas que levaram a mulher a enveredar por este caminho?&lt;br /&gt;E não é esta a visão do homem moderno e do ocidental que procuramos a todo o custo ganhar? Onde ganharam os irmãos Tamele ideias iguais?&lt;br /&gt;Será prova de fraqueza perdoar em situações similares? E quando a mulher envereda pelo adultério em muitas situações não estará a chamar a atenção de que algo vai mal na relação conjugal?&lt;br /&gt;Não pretendo obter respostas e nem trazê-las, basta lembrar que muitas vezes vale a pena o exercício de questionar.&lt;br /&gt;E viva os irmãos Tamele que com a sua linda  canção romântica trouxeram à superfície estes modestos questionamentos. E que se diga na história da nossa música posicionamento igual não se conhece.E por que não recordar uma outra balada de amor cantada por estes a “Judite”, mas esta é matéria do próximo ensaio.&lt;br /&gt;AMOSSE MACAMO&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-1761379425297931556?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/1761379425297931556/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=1761379425297931556' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1761379425297931556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1761379425297931556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/09/irmos-tamele-um-tributo-ao-amor-sr_17.html' title=''/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-6305504430055613148</id><published>2008-09-03T07:27:00.000-07:00</published><updated>2008-09-03T07:28:55.278-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;10 anos depois: Arão Litsuri com a mesma cítara&lt;br /&gt;Notícias 5 de Dezembro de 2007&lt;br /&gt;Chegou a casa - num dia desses - com uma guitarra na mão, surpreendendo a mãe que nem sabia de onde o filho trazia aquele instrumento. Que se transformaria mais tarde numa espécie de chave. De ouro. Para abrir portas sagradas que deixariam passar aquele que viria a tornar-se num dos maiores músicos do nosso país. Arão Litsuri era nessa altura um fedelho. Conquistou a sua progenitora. Particularmente naquele dia. Ficando com ela horas e horas cantando juntos. A mãe – já falecida – era uma grande compositora, apesar de não ter sido muito conhecida por esses feitos, limitando-se aos círculos religiosos por onde ela passava. Ela libertou do seu ventre – para a luz - um filho de elevada estatura. Que passou pelo Duo Seara, Trio Hortêncio Langa, Arão Litsuri e João Cabaço e pelo fenomenal Alambique. Também Arão seguiu – como Abraão seguiu a voz de Deus que lhe mandava ao Egipto para libertar os filhos de Israel – as peugadas do seu pai: pastor da Igreja Congregacional. Formou-se em Teologia no Zimbabwe, onde esteve a estudar durante seis anos. E hoje é reverendo dessa mesma Igreja. Canta sempre na Casa do Senhor. Canta pouco – ultimamente – nos palcos. E Djeko já lhe disse uma vez: tens a voz masculina mais bonita deste país. E Arão recusa-se a aceitar isso. Ele diz que uma das maiores vozes deste país é de João Cabaço e do próprio Djeko. Está atento aos desenvolvimentos musicais do seu país e considera que os jovens que hoje aparecem estão bem naquilo que eles escolheram fazer. A música moçambicana tem altos e baixos, considera o reverendo, mas neste momento, de acordo com a sua observação, está no pico. Ele é também uma pessoa mais ou menos discreta, provavelmente pelo carácter que bebeu do pai. E isso sente-se quando está no palco e na vida. Arão Litsuri surpreende—nos agora com um livro. Com carácter religioso: “Há Negros na Bíblia?” É uma obra a ser lançada no mesmo dia em que vai tocar para apresentação do seu disco, no dia 13. E será uma surpresa para muitos esta veia literária do autor da cristalina música Malangavi Ya Ndzilo. Um livro que poderá levantar intensos debates salutares à volta da provável intervenção de africanos na elaboração dos escritos bíblicos. É um livro, portanto, que levanta questões. É um desafio. Um estudo de uma parte da trajectória de Deus. Pois é: Arão oferece-nos um disco compacto (CD) com o título: Arão Litsuri: dez anos depois. Dez anos depois de quê, se Arão Listuri canta há mais de trinta anos? Mas ele vai nos explicar isso e outras coisas nesta entrevista que se segue. Para nos falar dos seus passos, e recordar-nos que a cítara espiritual que recebeu da sua mãe, ainda se mantém na sua mão e na sua alma: a mesma cítara.&lt;br /&gt;- 10 anos depois de quê, Arão Litsuri?&lt;br /&gt;- Dez anos depois de ter saído de Moçambique para ir estudar no Zimbabwe. Voltei aqui para fazer algumas tarefas no âmbito da Igreja e, depois de eu ter voltado foi então quando fiz este concerto. Portanto, são dez anos depois da interrupção do Alambique.&lt;br /&gt;- Por falar do Alambique, depois daqueles dois espectáculos que deram em Maputo, ficou a promessa de gravarem um disco. Em que fase se encontra esse projecto?&lt;br /&gt;- Não deixamos uma promessa. O que aconteceu é que alguém gravou o espectáculo todo e ele disse que trabalharia para que se editasse em disco aquele show ao vivo. Por aquilo que eu sei a maqueta está pronta e tem qualidade. O que falta é encontrar alguém ou uma instituição para patrocinar a edição.&lt;br /&gt;- Será portanto um disco de um espectáculo gravado ao vivo!&lt;br /&gt;- Sim, mas é bom notar que o Alambique não prometeu nada, porque sabe que o processo é muito complicado, mas o material está lá e é muito bom, muito bom mesmo.&lt;br /&gt;- Para além do Alambique fez parte dum grupo que não tinha nome. Porquê que nunca deram nome a esse trio que era composto por Hortêncio Langa, Arão Litsuri e João Cabaço?&lt;br /&gt;- Este conjunto tinha nome. Esse nome era Hortêncio Langa, Arão Litsuri e João Cabaço. Nós adoptamos esse estilo e chamamos ao nosso trio Hortêncio Langa, Arão Litsuri e João Cabaço.&lt;br /&gt;- Mas essa opção não era porque cada elemento da banda tinha a sua própria linha?&lt;br /&gt;- Não necessariamente por isso. Nós o que estávamos a fazer era seguir uma linha. Há uma série de grupos, sobretudo duos e trios que davam ao grupo o nome de cada elemento. É verdade que cada um vinha com a sua experiência musical, isso é verdade, mas não foi bem por isso que optamos por essa linha.&lt;br /&gt;- Para além dos temas que constam em Arão Litsuri: Dez anos depois, o quê que nos reserva mais para este espectáculo?&lt;br /&gt;- Basicamente vou expor os temas que fazem parte deste disco. Vou convidar alguns músicos importantes na minha carreira, como o trio de que estávamos a falar (Hortêncio Langa, Arão Litsuri e João Cabaço). Vou convidar também jovens que estão na ribalta no género que eu toco e que me acompanham (Jomalu, Alfa Magaia, El Sal, Cadinho). No CD fazem ainda parte Joaquim, Naldo, Acácio e Osvaldo). Este vai ser um condimento e mais surpresas que nós preparamos e, para não deixarem de ser surpresa, eu não vou dizer.&lt;br /&gt;- Como é que estão as relações do trio Hortêncio Langa, Arão Litsuri e João Cabaço?&lt;br /&gt;- Sempre quando a gente se encontra, a frase que cada um lança é: epá, quando é que vamos tocar juntos e fazer um espectáculo? Portanto isso é para mostrar que ainda continuamos ligados, apesar das actividades diversas que cada um de nós tem. Há sempre no fundo de nós aquela vontade de nos juntarmos e fazermos alguma coisa e este espectáculo vai ser uma oportunidade de nos juntarmos uma vez mais. Será por poucos momentos mas estaremos lá.&lt;br /&gt;- Nunca teve preconceitos por ser Reverendo duma igreja e aparecer nos palcos?&lt;br /&gt;- Para mim não há preconceitos desse género, porque e olho para mim de uma forma global. Eu tenho várias actividades que as considero importantes na sociedade. A música é importante, o trabalho religioso é importante, outros trabalho que sou convidado a fazê-los são importantes, portanto não vejo problemas nenhuns em aparecer no palco e actuar. Claro que eu sei que há pessoas que podem estar a pensar que não, que ele não devia estar ali no palco, mas eu penso que eles estão se habituando a esta personalidade multifacetada do Arão Listsuri e julgo que estão a aceitar.&lt;br /&gt;- Está completamente a vontade?&lt;br /&gt;- Eu estou a vontade. Não estaria a vontade se eu estivesse a fazer algo de mal e aí eu procuro - quando temos certas “capas” ou chapéus – andar com um certo cuidado para não desvirtuarmos as posições que temos e eu julgo que estas actividades que eu tenho vindo a fazer não desvirtuam, pelo contrário, mostrtam um Arão Listuri real, que fez isto, que fez aquilo, que fez aquiloutro.&lt;br /&gt;- Indo ao seu disco, sentimos um grande comprometimento – da sua parte - com o blues e o jazz, porquê?&lt;br /&gt;- Porque eu venho de uma geração que ouviu muito esse estilo de música. O blues – falou muito bem – o rock também aparece. Mas é bom mencionar que no fundo desses estilos todos está a música tradicional africana. Nós encontramos ali o nondje – que é a influência da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD), no tempo em que eu estive lá, encontramos o munganda, que é a influência daquilo que eu vivi durante a minha permanência na CNCD. Mas é verdade aquilo que dizes, porque ouvíamos o blues, o rock e outros estilos musicais. Eles foram condimentados para dar uma vertente que é uma proposta eu faço neste CD.&lt;br /&gt;- Então há uma exaltação ao blues e ao rock!?&lt;br /&gt;- Eu não diria isso. Claro, quando nós ouvimos uma música, cada um tem a sua percepção. Mas muitas vezes o autor quando faz, ou o compositor neste caso, ele também tem a sua intenção. De facto peguei na base rítmica moçambicana. É preciso estar muito atento, porque mesmo nos ritmos da guitarra surgem batucadas. Quando tiras a harmonia tens que ouvir o que a guitarra está a fazer. Vais perceber que afinal tens um ritmo tradicional africano e é muito difícil perceber isso, mas está lá e os musicólogos podem estudar e encontrar isso.&lt;br /&gt;- No dia do lançamento do disco, será lançado igualmente o seu livro: Há negros na Bíblia. Fale-nos um pouco sobre o alcance deste projecto.&lt;br /&gt;- Quem for a ler o livro vai perceber os motivos que me levaram a elaborar este obra. Durante os meus estudos senti que há uma falta sobre a contribuição da África na bíblia, porquê? Porque nós temos visto por exemplo que Abraão emigrou para o Egipto e Egipto é África. Jesus Cristo também esteve refugiado em África. Portanto muitos líderes do povo de Israel daquele tempo passaram por África. A formação da Nação de Israel, o berço, nós diríamos que foi exactamente em África (Egipto). Então, logicamente tinha que haver uma ligação que está escondida ou que não está a ser realçada e esta é a proposta de discussão sobre se há negros na bíblia ou não. É uma tentativa de pesquisar e ver se de facto África teve alguma influência ou não nos escritos bíblicos.&lt;br /&gt;- Não é um livro que nos traz conclusões?&lt;br /&gt;- Não é um livro que nos traz conclusões. Traz algumas propostas de soluções, e que estão abertas para discussão. Mas quem for a ler o livro dificilmente vai descordar com algumas das conclusões que são apresentadas como propostas.&lt;br /&gt;- Ao lançar este livro faz-nos lembrar que Arão Litsuri faz tudo na vida com Deus como suporte. Estaremos certos?&lt;br /&gt;- Eu diria muito mais. Não só eu como pessoa. Acho que todos nós estamos directa ou indirectamente incluídos no suporte de Deus, deixando aqueles que se declaram ateus. Os demais incluem-se também no suporte de Deus naquilo que fazem na vida, duma forma genérica. Agora no meu caso específico, sim eu tenho de facto tentado relacionar a minha vida com a crença que eu tenho, com a fé que eu tenho Posso falhar aqui e acolá, logicamente, mas a tentativa de luta é essa. Que tudo que eu faça seja guiado por Deus.&lt;br /&gt;- Também tem fortes influências dos seus pais, da sua mãe em particular, no que diz respeito a música...&lt;br /&gt;- É verdade, porque meu pai foi pastor, deu-me uma oportunidade de crescer dentro do ambiente religioso. A minha mãe era uma grande compositora. Não foi conhecida como tal, mas dentro do círculo das pessoas com quem viveu, conheceram a ela como boa compositora e maestro também. Então eu lembro-me que a primeira vez que eu pego numa guitarra, trago para casa e toco. A minha mãe ficou horas a cantar comigo na guitarra, portanto tenho essas influências.&lt;br /&gt;- E tem uma “dívida” a pagar à sua mãe, com aquela música: Malangavi Ya Ndzilo. Essa música é dela...&lt;br /&gt;- Exactamente. E eu faço questão de mencionar isso aí no disco. Ela fez uma composição que cantou com o estilo logicamente daquele tempo religioso e eu peguei nesse tema e trabalhei e fiz aquilo que é o Malangavi hoje e é preciso dar uma homenagem a ela. E a minha mãe faleceu.&lt;br /&gt;- Falar de Arão Litsuri é falar de uma figura portentosa, mas que nunca foi à escola de música, apesar de ser um grande músico...&lt;br /&gt;- Nós nunca fomos a escola de música. Claro o Hortênco Langa está agora na universidade a estudar, mas tivemos sempre a oportunidade de ouvir muito, porque a escola da vida, a escola prática, também é uma escola. Foi ouvindo diversos estilos de música que crescemos. Isso nos ajudou a estar bem informados musicalmente e isso aliado a prática, ao exercício. Nós ensaiávamos muito naquela altura. Também tínhamos muito tempo e neste processo nós fomos nos interessando por alguns escritos na área musical. Eu li muito: introdução à música, a composição, interpretação, harmonia, as melodias... então sem ir a carteira, hoje me considero diferente daquele músico Arão Litsuri dos anos 80.&lt;br /&gt;- Arão aprece poucas vezes nos palcos. Isso não poderá afectar, de alguma forma, a sua performance?&lt;br /&gt;- Boa pergunta essa. Acho que um músico devia aparecer regularmente. Vai ver que houve um período que eu não podia fazer isso. Hoje vai depender das oportunidade que surgirem à frente. Agora tenho algum tempo para me dedicar também a prática musical.&lt;br /&gt;ALEXANDRE CHAÚQUE&lt;a href="http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/getxml/pt/contentx/92411"&gt;Fonte&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.supertrafego.com/form_view_vertical.asp?id=169096"&gt;Seu Comentário&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-6305504430055613148?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/6305504430055613148/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=6305504430055613148' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6305504430055613148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6305504430055613148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/09/10-anos-depois-aro-litsuri-com-mesma.html' title=''/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-4234284156069287180</id><published>2008-08-20T04:02:00.000-07:00</published><updated>2008-08-20T04:08:18.571-07:00</updated><title type='text'>Cabaço</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/SKv6VshV-rI/AAAAAAAAACQ/qEDMmzPWdAU/s1600-h/mano+cabaÃ§o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236554242383542962" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/SKv6VshV-rI/AAAAAAAAACQ/qEDMmzPWdAU/s200/mano+caba%C3%A7o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Minhembete mho halaca/loku nikhumbuka Mafalala/Mafalala tiku la va khaveli va bola/Mafalala tiku dza va  tsali va swihitana...ni Dzimuca Billy Cuca...ni dzimuca la vanene.....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-4234284156069287180?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/4234284156069287180/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=4234284156069287180' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/4234284156069287180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/4234284156069287180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/08/cabao.html' title='Cabaço'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/SKv6VshV-rI/AAAAAAAAACQ/qEDMmzPWdAU/s72-c/mano+caba%C3%A7o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-8180037605744844425</id><published>2008-08-20T00:42:00.000-07:00</published><updated>2008-08-20T00:45:10.744-07:00</updated><title type='text'>a eterna necessidade de passagem de testemunho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Caderno Cultural&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ximanganine e o seu inseparável bandolim&lt;br /&gt;MÚSICA - Bandolim de “Ximanganine” sem seguidor&lt;br /&gt;O país é rico em exímios guitarristas, percussionistas, baixistas, bateristas, saxofonistas, flautistas, teclistas entre outros. Todavia, infelizmente já não se pode dizer o mesmo quando se fala do bandolim. Este instrumento, é até este momento o único que é executado por um único músico conhecido: Ernesto Ndzevo “Ximanganine” da banda “Os Galtons”.  E Ndzevo está triste com isso. Na sua óptica, não é razoável nem compreensível que até hoje o seu bandolim ainda não tenha um único “continuador”. Estranhamente, num país cheio de valores. Particularmente a nova geração de instrumentistas.&lt;br /&gt;Maputo, Quarta-Feira, 20 de Agosto de 2008:: Notícias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ernesto Ndzevo foi entrevistado há dias pelo “Notícias”, a propósito da saída do álbum “Os Galletones Vol.1”. Na conversa ele fala do álbum que pretende homenagear os ex-colegas da sua banda perecidos, nomeadamente, Abílio Mandlaze, Aurélio Mondlane e Salomão Muchanga.&lt;br /&gt;Ximanganine conta que ele “herdou” o bandolim das mão do rei Fany Pfumo. Foi com esse instrumento que Fany compôs parte do seu vasto repertório: músicas emblemáticas como "Gerogina", "Famba ha hombe", "Hodi", "Avasati vá lomu", "Vá ta famba vá ni siya" ( só para citar alguns que são verdadeiros hinos da música moçambicana).&lt;br /&gt;Conta que Fany Pfumo, era exímio e mestre de bandolim e na sua qualidade de defensor da marrabenta sempre soube transmitir os seus conhecimentos a outros cantores, caso dele próprio.&lt;br /&gt;O bandolim que ele toca, é propriedade da Rádio Moçambique. Pertencia a Orquestra Sinfónica da Rádio Clube de Moçambique, antes da Independência. &lt;br /&gt;Hoje, Ximanganine está preocupado com a falta de um continuador deste instrumento. Para ele, não é de todo compreensível que neste momento, ele continue a ser o único a dedilhar este instrumento.&lt;br /&gt;E por ironia do destino, o próprio  Ximanganine com oito filhos, (quatro rapazes e restantes meninas), nenhum seguiu a arte do pai. Ou seja, nenhum toca bandolim nem qualquer outro instrumento.&lt;br /&gt;A este propósito, recorda que no tentado dar aulas de bandolim na Casa da Cultura do Alto-Maé, mas o projecto redundou num fracasso. Conta que inicialmente hoje muita aderência, mas aos poucos o entusiasmo se esvaneceu. &lt;br /&gt;Questionado sobre as causas, ele fala, em primeiro lugar, de um mercado que não comercializa este tipo de instrumentos musicais. “nas lojas de especialidade vende-se um pouco de tudo, desde chocalhos, bateria, guitarras, flautas, saxofones, trompetes, congas, pianos etc. Mas não se vende o bandolim, nem os seus acessórios”.&lt;br /&gt;Prossegue, “a falta de instrumentos levou a que os meus alunos desistissem. Eles não podiam praticar sozinhos em casa. Para além de que o meu bandolim era o único...Eles mostravam vontade de aprender, mas infelizmente não tinham condições materiais para continuarem. E foi assim que a turma mais tarde, se reduziu a nada”.&lt;br /&gt;O DISCO “OS GALLETONES”&lt;br /&gt;Maputo, Quarta-Feira, 20 de Agosto de 2008:: Notícias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com acordes de marrabenta, o disco “Os Galletones Vol.1” editado pela Vidisco, possui 10 faixas. São músicas cantadas quase na sua totalidade pelos malogrados da qual a homenagem se dedica.&lt;br /&gt;São os casos de, “Vaye Kwine Vana Va Mina”, “Basse Phindela Awukatine”, “Dona de Casa”, “Psadanissana Va Vassati”, “Dibendoda”, “Baleka Axikhomu ka Gaza” e “A Nove ni seis 96”.&lt;br /&gt;As restantes são cantadas por Ernesto Ndzevo, “Tshaia a viola Nkata”, “Muti Wamaguwa” e “Muziya Magikha”.&lt;br /&gt;Segundo informou o entrevistado, a produção musical deste álbum contou com Pedro Chau e Abílio Mandlaze na guitarra ritmo, Américo Mavui e Pedro Mangai nos coros, Ernesto Ndzevo na guitarra solo e Pedro Chiau no baixo. Nas vozes cantou o próprio Ximanganine e o falecido Aurélio Mondlane.&lt;br /&gt;A obra é totalmente uma delicia de marrabenta. Os instrumentistas participantes neste primeiro Volume, mostram todo o seu saber e profissionalismo.&lt;br /&gt;Estas musicas foram gravadas nas décadas setenta a oitenta nos Estúdios da Rádio Moçambique, no formato magnético, com a máquina ora rudimentar de “quatro canais”.&lt;br /&gt;Para concretizar esta idéia, Ximanganine, que também é funcionário da Rádio Moçambique, encetou negociações com aquela estação radiofónica. A negociação teve um desfecho feliz. Até porque, segundo revelou, o contracto entre estes artistas e a Rádio havia expirado há algum tempo.&lt;br /&gt;Antes porém, conta ele que juntou as viuvas e alguns filhos dos homenageados, onde lhes transmitiu o espirito do projecto. As partes intervenientes mostraram interesse e colaboraram sem qualquer objeção. Chegaram ao consenso de que a mesma seria editada pela Vidisco-Moçambique. Por outro lado, conta Ximanganine, foram respeitados todos os direitos autorais sobre a obra. Ou seja, as viuvas, herdeiros e detentores de direitos autorais  beneficiaram de algum valor monetário).&lt;br /&gt;Albino Moisés&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-8180037605744844425?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/8180037605744844425/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=8180037605744844425' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8180037605744844425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8180037605744844425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/08/eterna-necessidade-de-passagem-de.html' title='a eterna necessidade de passagem de testemunho'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-1462174576825048808</id><published>2008-08-15T05:10:00.000-07:00</published><updated>2008-08-15T05:10:34.341-07:00</updated><title type='text'>Modaskavalu: Zeburane N´kata</title><content type='html'>&lt;a href="http://modaskavalu.blogspot.com/2008/08/zeburane-nkata.html#links"&gt;Modaskavalu: Zeburane N´kata&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-1462174576825048808?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/08/zeburane-nkata.html#links' title='Modaskavalu: Zeburane N´kata'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/1462174576825048808/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=1462174576825048808' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1462174576825048808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1462174576825048808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/08/modaskavalu-zeburane-nkata.html' title='Modaskavalu: Zeburane N´kata'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-6726142707753081020</id><published>2008-08-15T05:04:00.000-07:00</published><updated>2008-08-15T05:07:26.617-07:00</updated><title type='text'>página em construção</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#cc33cc;"&gt;esta página está em construção, convido desde já a qualquer um que se identifique com a mesma, para juntos dançarmos o modaskavalu, marrabenta, senta baixo a xi tlakula guinhá/he he he he he!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-6726142707753081020?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/6726142707753081020/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=6726142707753081020' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6726142707753081020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6726142707753081020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/08/pgina-em-construo.html' title='página em construção'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-7064644576074331194</id><published>2008-08-15T04:56:00.000-07:00</published><updated>2008-08-15T04:59:25.736-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;u djula mani ku lava vi bidzi/ni djula ntsongo shingani manstofa&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;daka daka dza mingue/daka daka dza minengue....&lt;/div&gt;marongas e mulheres e o amor, só eles mesmos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-7064644576074331194?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/7064644576074331194/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=7064644576074331194' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7064644576074331194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7064644576074331194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/08/u-djula-mani-ku-lava-vi-bidzini-djula.html' title=''/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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Admiro a sua graciosidade, a alquimia das suas músicas prenhes de sensualidade e com uma harmonia e estilo únicas. Cresci a ouvi-las e desde cedo, amarrei-me a elas de tal forma que não conseguiria viver sem. Minha mulher sabe.&lt;br /&gt;Mas se a minha mulher sabe e sempre aceitou, é porque sempre tive o cuidado de a chamar atenção a beleza das músicas de Zeburane e especialmente da mensagem por detrás.&lt;br /&gt;O que Zeburane canta, não difere do que cantavam todos os executores da música moçambicana na zona sul, onde, vestiam a pele de mulher sofrida e reclamavam da vida dura imposta pelos seus amados, só que este é para mim o primeiro entre os iguais.&lt;br /&gt;Primeiro na delicadeza com que trata o problema da mulher, na sensibilidade para com a sua dor, nas lágrimas das cordas da sua guitarra que sabem bem ao choro de uma mulher, na verdade, o eu-musical de Zeburane é o feminino sofredor, cantando a dor do amor não correspondido e a desilusão de ter casado com um homem que no início do namoro aparentava ser afável, mas quando casado, descobre-se o seu lado obscuro.&lt;br /&gt;De facto, se pegarmos na música tlhavela lhanga lhokweni (ni ta kota niti singuela ka wena mina..), encontramos aqui uma mulher, que reclama do comportamento do seu marido que mudou radicalmente desde que esta passou a viver com ele. E recorda que nos tempos em que namoravam, aquele, fazia de tudo para a agradar, chegando até a sujar as calças de tanto ajoelhar e pedir para que ficassem juntos (awuni shenguetela nandzali kaya a wu pswuka ni mabuluke hiku ndunzda/nhamuntla honi dindrikissa juru, nhamuntla honi dikinha, aku tshava ku ti sunga, se ni to ini, kambe nhumpfu ai fembanga nwashanga hambi nio ti tsamela ka mamani mino.......este homem, de facto, fez de tudo para ficar com a mulher que gostava, mas. logo que consegue, em vez de a valorizar, passa a ter um desprezo por ela, e chega esta, de tanto desespero, a não excluir a hipótese do suicídio, mesmo que tenha medo de o fazer. E lamenta-se dizendo, “se pudesse prever o futuro, jamais saia da casa da minha mãe”. Agudiza a já penosa situação desta mulher, o facto dela ser estéril daí que diz, já mesmo desesperada, “vou-me suicidar por sua causa” (nita kota niti sunguela ka wena mina), na verdade, um verdadeiro acto de desespero.&lt;br /&gt;Alberto Mucheca, outro homem de trato fino nas suas músicas, já cantou algo similar na música “mamani ni rhivalele”, quando diz na voz de uma mulher que casou-se com um homem que tinha carro e trabalhava na África do sul, enquanto a namorava encheu-a de promessas, mas, logo que a tira da casa da mãe o cenário muda; já não mais subia o carro e quando questiona, a resposta é a porrada (nilhamuliwa hiku biwa mina) e desabafa, “melhor é voltar para a casa dos meus pais (shi tluliwa hi tlelela kaya kava tswali va mina.)&lt;br /&gt;E num tom de arrependimento diz “mãe me perdoe (mamani ni rhivaleli/ni khaulile mina mamani), aprendi a lição”, e já arrependida diz, “porquê não ouvi seus sábios conselhos?”.&lt;br /&gt;E é o mesmo Zeburane que volta a explorar o mesmo tema em “rhumba rhumba tchatchatcha”, quando reclama e sempre na voz da mulher sofrida o homem que a tira da casa dos seus pais, para a fazer sofrer e diz “todos os dias levo porrada, sem ao menos saber os motivos (siku ni siku niwaku biwa mina, shihono shakona anishitive kassi) e quando entendes, ficas 3 semanas fora, sem comida e as crianças a passarem fome e privações (nishakudla awuni nhiki lamuntine vatsongwana se vho rhila hi ndlala, yi yowe yowe yowe tchatchatcha, holava kuni txinissa tchatcha mina), só queres me fazer sofrer, definitivamente, me fazer sofrer.”&lt;br /&gt;Esta canção, é cantada entre choros e lamúrias, na verdade, pode-se fazer até o exercício de imaginar a posição em que se encontra a mulher a cantar esta canção; com a palma de uma das mãos apoiadas na bochecha e a outra em volta da cintura de pé e encostada a uma árvore.&lt;br /&gt;E volta o mesmo Zeburane à carga com a música “ni tseleke mati ya mina shivavene, nuna wa mina hatavuya hata lhamba, koza ku pela ma khutla maba tlutlani.....”, preparei a água de banho, a pensar que meu marido vai voltar e tomar, meu azar, porque os sapos se fizeram a nado e ele jamais voltou.....&lt;br /&gt;Reparem; esta mulher, teve que percorrer quilómetros a busca de água, depois fez-se mato adentro e procurou lenha, que teve depois que rachar, fez o lume e quando viu que era hora do marido voltar preparou um banho quente, tudo feito para agradar.&lt;br /&gt;Um verdadeiro acto de amor que se diga, porém, frustrado pelo marido, que nunca mais voltou, ao ponto das rãs mergulharem na água...”madjembeni”, este marido.&lt;br /&gt;Mas esta do marido que desaparece de casa por alguns dias sem dar notícias de onde se encontra já foi também cantado pelo Mandlazi com a música he nwana mamani anuna wa mina/ni ta ti sunga juro hiwu gueleleguele a nuna wa mina”, um homem que quando saia de noite voltava dia seguinte e também nesta a mulher chega a questionar ao marido se queria que esta se suicidasse pelo seu comportamento, porque as outras mulheres chegam até a gingar com o seu marido “vanuanhana kuloni va gingara hi nuna wa mina” a ma beijo ma beijo, va beijarana ni nuna wa mina”, mas saiba, diz a mulher já cansada de tanto chorar, onde tu fores Mandlazi, doravante iremos juntos. (lomu uyaka kone, nkata mina ni tafamba nawena.)&lt;br /&gt;Mas o foco aqui é Zeburane, um homem que nunca se esqueceu da mulher e dos seus prantos, que sempre cantou a sua beleza, sua tristeza, suas frustrações, um homem que se superou na sua sensibilidade e soube em plena região dos machos magaízas e bendasporros de Gaza, trazer a sempre ofuscada voz da mulher. A este, a minha vénia, sempre e juro nunca vou fazer a minha mulher e nem mulher nenhuma, dançar rumba rumba tchatcha tcha...mas promessas são promessas e de promessas Zeburane está cansado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amosse Macamo&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-6642422347122868527?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/6642422347122868527/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=6642422347122868527' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6642422347122868527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/6642422347122868527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/08/zeburane-nkata.html' title='Zeburane N´kata'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-1119215042208828349</id><published>2008-08-11T04:46:00.000-07:00</published><updated>2009-01-22T00:46:22.929-08:00</updated><title type='text'>Mandjolo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/SKAn0H_jTRI/AAAAAAAAAAY/x0TohBE3rFY/s1600-h/mandjolo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233226543456800018" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/SKAn0H_jTRI/AAAAAAAAAAY/x0TohBE3rFY/s200/mandjolo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;esta foto é de um grande músico de raiz; Costa Neto....diz-se dele, que mesmo na diáspora, consegue manter a raiz e cultura moçambicana vivas....para mim, Costa Neto, nunca saiu de Moçambique, ou então, nunca conseguiu sair, mesmo quando pensou ter saido....sobre ele ainda vou falar, aqui no Modakavalu.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mandjolo, kembaku, se queres a ouvir a música do Costa, online, incluindo Mandjolo, por favor va para o site &lt;a href="http://www.myspace.com/costaneto"&gt;www.myspace.com/costaneto&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-1119215042208828349?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/1119215042208828349/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=1119215042208828349' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1119215042208828349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/1119215042208828349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/08/mandjolo.html' title='Mandjolo'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/SKAn0H_jTRI/AAAAAAAAAAY/x0TohBE3rFY/s72-c/mandjolo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-8317567476408536652</id><published>2008-07-25T07:44:00.001-07:00</published><updated>2008-12-10T13:21:50.348-08:00</updated><title type='text'>hum</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/SInnh8Rwe4I/AAAAAAAAAAQ/L8uPLIfDUVE/s1600-h/picasso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226963412842478466" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/SInnh8Rwe4I/AAAAAAAAAAQ/L8uPLIfDUVE/s200/picasso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-8317567476408536652?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/8317567476408536652/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=8317567476408536652' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8317567476408536652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/8317567476408536652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/07/hum.html' title='hum'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/SInnh8Rwe4I/AAAAAAAAAAQ/L8uPLIfDUVE/s72-c/picasso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-807911587109720426</id><published>2008-03-24T02:57:00.000-07:00</published><updated>2008-03-24T02:58:27.093-07:00</updated><title type='text'>na cauda é onde está o veneno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;King ya Marrabenta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi com agrado a notícia de que o nome do Dilon Ndjindji foi proposto para uma sala de música da Escola Portuguesa.&lt;br /&gt;É o merecido reconhecimento a um grande homem que já deu e continua  dar muito para o enriquecimento da cultura moçambicana e em particular da música ligeira.&lt;br /&gt;Associo-me a esta iniciativa  esperando que seja este o despertar de toda uma acção para o reconhecimento dos grandes homens que de uma ou outra forma tem feito muito para o enriquecimento da cultura moçambicana, porém, o que hoje me traz aqui, é um ponto em que o velho Dilon tem insistido em rebater: falo da sua auto-elevação a categoria de Rei da Marrabenta, tendo como pressuposto a música do Fany que reconhece que em Marracuene há um Rei de Marrabenta.&lt;br /&gt;Afirma este, grande homem de melodias bem afinadas, de canções bem executadas e de fino trato, que se o Fany Mpfumo ressuscitasse reconheceria que ele é o rei da Marrabenta (veja suplemento cultural do noticias de 11 de Outubro de 2006).&lt;br /&gt;Dilon faz jus a sua afirmação apoiando-se na música do Fany, King ya Marrabenta (Marracuene kuni king ia Marrabenta), no sentido de que o Fany teria reconhecido em vida na citada música que em Marracuene há um Rei de Marrabenta. Mas tal, não pode proceder por completo senão vejamos:&lt;br /&gt;De facto o Fany canta que em Marracuene há um Rei de Marrabenta e não pode haver dúvidas que a referência é mesmo o Dilon. Só que, incorreríamos em erro se pegássemos apenas um verso desta música para explicar o conjunto.&lt;br /&gt;Na verdade, se formos a analisar a música no seu conjunto e em alguns versos mais adiante, encontraremos uma parte, em que o Fany diz que Kambe não pode i lunga La kumine.(Não pode “aguentar” comigo).&lt;br /&gt;O ponto de partida do Fany é de humildade, de reconhecimento e de enaltecimento (no disco Nyoxanine o Guru Malangatana faz uma abordagem interessante sobre este ponto), de um seu par que trata as melodias com mestria que pode até inclusive ascender a categoria de Rei e pode-se até chamá-lo de Rei, só que, ele, (Não pode a lunga laku mine)&lt;br /&gt;“não pode aguentar comigo”, logo não pode ser Rei, pois será  Rei quem o supera e neste caso o Fany, porque as melodias que este faz, vejam só, são inspiração divina e humano algum as pode contestar, golpe de mestre.(Tissimu ninga natu missaveni ninhikiwi hi jehova)&lt;br /&gt;Na verdade, o Fany agiu como um Perfeito cavalheiro, que não quis deitar por baixo um homem que também reconhecia-lhe qualidades de um bom músico, um homem que na verdade podia muito bem ombrear com  ele, mas que se diga e essa é a mensagem que Fany quis deixar transparecer, ele era o melhor.&lt;br /&gt;Isto até seria interpretado de outra forma; no sentido de que se Dilon, já nessa altura se intitulava Rei e fundador da Marrabenta, o Fany  como não queria um confronto directo aceitava que assim fosse, só que, lançou a provocação no sentido de que ele era melhor que o Rei e fundador (Dilon). Dai lançar-se-ia  a pergunta quem (é) era realmente o Rei?&lt;br /&gt;Da leitura da música está claro que o Fany dizia claramente que ele era o Rei, embora existisse alguém que se pudesse considerar como tal (Dilon) e indo a uma análise pessoal já no que se refere a música dos dois, o Fany incontestavelmente é para mim, o Rei da Marrabenta.&lt;br /&gt;Era extraordinária a maneira como este executava as suas músicas, as suas melódicas canções, a colocação da voz, o compasso sempre a inspirar uma dança, a subjectividade que muitas vezes continha a sua mensagem e isto aliado ao seu toque permanente de humor, era um homem formidável.&lt;br /&gt;O legado que este deixa é exemplo a seguir por muitos que o emitam, recriam, e eternizam a sua música e honestamente falando abaixo da linha de execução do Fany, o homem que me surge a seguir é o Mahecuane, grande homem mas sobre este falarei em momento oportuno.&lt;br /&gt;Não pode assim, ser a música King ya Marrabenta, o justificativo de que o Fany teria reconhecido que o Dilon era o Rei, quis sim o Fany dizer justamente o contrário, ou então na eventualidade de existir um Rei ele, era melhor que esse Rei.&lt;br /&gt;Na verdade Fany, tal como o escorpião, foi na parte final do discurso que ele pôs toda a “malícia”, no sentido de que o Rei não podia com ele, pois as suas melodias eram inspiradas por Deus.&lt;br /&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-807911587109720426?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/807911587109720426/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=807911587109720426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/807911587109720426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/807911587109720426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/03/na-cauda-onde-est-o-veneno.html' title='na cauda é onde está o veneno'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-2511968004876121960</id><published>2008-03-12T01:32:00.000-07:00</published><updated>2008-03-12T01:35:28.461-07:00</updated><title type='text'>o erotismo nas músicas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje discute se o eterno problema e nunca solucionado em qualquer sociedade sobre a arte de fazer música. E porque a música é arte, deve necessariamente ter seus pressupostos. Entramos no velho conflito de apreciar e depreciar certa maneira de fazer música.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Coloca-se na discussão a questão de alguma música ser considerada “pimba” e outra genuína.É claro que nesta discussão não se deixa de lado o carácter estético que se espera nas letras e, sobretudo, a mensagem que estas transmitem. Este debate não deve e nem pode preocupar, porque acho imperioso procurar os valores da nossa música e nem que seja necessário buscá-los na sua própria incerteza, pois, que se diga, é ambígua a classificação do que seja “pimba” ou não.Não quero, por várias razões, entrar neste debate. Quero, sim, abordar a questão da mensagem nas músicas dos jovens que tende mais ao apelo sexual e erotismo, o que indigna a velha guarda e a sociedade em geral.Escrevo numa altura em que escuto, Zeburane, excelente guitarrista, de uma voz e trato únicos nas suas canções, homem de canções melódicas e com uma forte carga de mensagem. E ao falar deste, pretendo tomar em atenção a música “wadla bomu ke?” e o alto sentido de apelo sexual e erótico que a mesma possui.Esta canção, a meu ver, é talvez a mais erótica, é a mais apelativa sexualmente que já se produziu nos anais da música popular moçambicana, senão vejamos:A música retrata a história de um casal (em forma de diálogo) onde o marido (Zeburane) pretende ter relações sexuais com a sua esposa (Maria), mas esta se recusa porque tem um filho a amamentar e doente. E é justamente por esta recusa que se desenrola toda a música e com as histórias que esta acaba carregando.“Tsunela seio a nwana a vabyaku, unga ni hulumeteli ninga ku bhokola xikwembo... mina swa ni vavissa a nwana a vabyaku” (chega-te para lá que a criança está doente, não me apalpe que te insulto, por Deus que te insulto).Quando o libido sobe, mesmo quando se sobrepõe a questão da saúde do filho, o homem não pode mais esperar e, quando frustrada a tentativa, como aconteceu aqui procura outras soluções para resolver o problema, daí que Zeburane não insistiu com a mulher, mas sim, saiu à procura de outras mulheres.O mesmo Zeburane justifica-se quando a mulher questiona este comportamento, indagando: “não foste tu que me negaste o beijo” (a hi wena unga yala kuni nyika khissi) e, entenda-se aqui o beijo como preliminar. E num jeito de desabafo, a mulher, Maria, reclama do hábito da vida devassa do seu marido Zeburane “u tolovela ku famba vusiku nkata, Zeburane nkata”, ou seja, esse seu hábito de andar a noite, meu marido Zeburane.Mesmo com as reclamações da sua mulher Maria, Zeburane continua a sua incursão na noite, mesmo quando corre o perigo de contrair tuberculose (u famba vusiku u ta vuya ni ndere). A conotação noite/tuberculose surge do contacto sexual casual com uma mulher que provoca o aborto sem os cuidados que este exige e logo de seguida pratica relação sexual, prática que era constante nos tempos idos.A discussão entre o casal acaba levantando outros problemas onde Zeburane assume que tem desejos incontroláveis, mas também afirma que o mesmo não é exclusivo dos homens pois “as mulheres são umas desavergonhadas (a vavasati a vana tingana, loko vadla bomu, hambi lo tsave, tsave, u xelu xelu matilho vaya kona mpela), dito de outro modo adoram comer limão (fazer limão) mesmo que amargando, vão contorcendo os olhos e querem mais, autênticas gulosas.E porque Maria não queria perder Zeburane para as “piranhas” da noite, acaba cedendo e mais, Zeburane vai ao pote com tanta sede ao ponto de morder os lábios da sua amada até sangrarem (a nomu wu huma ngati) provocando o seguinte protesto: “Mordeste-me os lábios Zeburane, veja que até estão a sangrar” e coloca-se a questão: a que lábios Zeburane, de tanta ansiedade fez sangrar?Zeburane prontamente pede desculpas e justifica-se a sua esposa Maria, (e talvez aqui, fica claro de que lábios se tratava), pedindo que compreendesse que comer limão não é tarefa fácil, “... é como uma guerra onde se exige uma ginástica, uma flexibilidade, uma estratégia, um levantar para cima e para baixo espontâneo, enfim, difícil...” (mamana Maria, ni rivalele nkata, wa shi tiva swaku ma dlela ya bomu i nhimpi, iu yanunu, iu findzi, findzi, i ma rhambe rhambe).E quando esta põe em causa os ofícios de Zeburane, este o avisa (wa ma tiva ma bela ya mina, yoba hi xikossi), “conheces a minha maneira de bater pela nuca”.E surge de novo a grande pergunta: a que posição se refere aqui o Zeburane quando põe a questão de posicionar-se com a mulher olhando rente à sua nuca? O que está aqui implícito?Portanto, sem querer tornar este pequeno ensaio de música de Zeburane um relato prenhe de linguagem indecorosa, quis dar a entender que se pode falar de certos assuntos delicados, usando metáforas, figuras de estilo que nos remetem a um exercício para tentar descobrir o fundo da questão. E é justamente aqui onde reside a arte. Na capacidade de remeter o outro ao subjectivismo, a um constante indagar, onde não cabe uma verdade só.Na verdade, os músicos moçambicanos da velha guarda sempre fizeram o apelo sexual e ao “eros”, só não o banalizavam como o fazem hoje os jovens, as mensagens não eram tão explícitas como são hoje, vejam que até o próprio termo “modascavalu” que os jovens hoje acolheram apela ao vigor sexual comparando o cavalgar aos movimentos próprios do acto sexual, mas é preciso reflectir até chegar lá.O que hoje choca e não deve deixar de preocupar é a maneira exposta e despida com que a linguagem musical é trazida pelos jovens. E pergunto-me: numa situação em que algo fica exposto, valerá a pena o esforço da procura?Escute-se “Txongola” de Roberto Chitsondzo (Gorwane), a maioria das músicas de Xidiminguana, Mahecuane (Rosa), “Majilidana”, de Eugénio Mucavele, José Mucavele, há-de se encontrar excertos de um vigoroso apelo sexual e erotismo puro, mas sempre coberto por um véu.Há pouco, Baltazar Macamo teve uma interpretação fantástica de uma música de Fany Mpfumo que quase todos cantavam de forma inocente e nunca podiam imaginar a mensagem por detrás e por falar em Fany talvez lembrar um outro tema o (hodi, ni pfulele nkata,...) o abrir da porta que o Fany pede, pode-nos remeter a várias outras portas, pior quando põe a questão da capulana vermelha (capulana dza libungu), que só as mulheres já feitas vergam: não será esta uma referência ao ciclo menstrual? E quando o mesmo Fany canta “ni khemeli nlhampfi leyo, loko unga no khemeli na mine ni taku tsona tsumbula, lowu wa ka kwanga wa nandziha”), ou seja, saborosa e te garanto que é mesmo saborosa” quantas interpretações podemos fazer desta afirmação. Quanto apelo sexual está lá implícito? Basta lembrar o formato de uma mandioca e o líquido esbranquiçado que a mesma produz, há-de logo aferir a comparação com o órgão genital masculino. A referência ao peixe é óbvia, é só imaginar o formato do peixe e equipará-lo ao órgão genital feminino, o cheiro.A banalidade cansa, desvaloriza no lugar de valorizar, deprecia a mulher no lugar de a cantar e encantá-la, choca e agride, mesmo que as músicas em termos rítmicos sejam apelativas esta, acaba sufocando-as.Os jovens deviam ser mais ousados, interpretando as suas canções não só com a mestria que agora impõem, mas com alguma arte, porque mesmo a música “pimba” tem algo de belo que se aproveita assim como algumas consideradas da velha guarda, há algumas com mensagens intragáveis.E que dizer destes jovens que as suas músicas fazem os ambientes festivos e conduzem, embora por pouco tempo, a felicidade deste belo povo?Merecem ou não respeito e algum encorajamento? Sinceramente acredito que sim, mas se impõe que reflictam um pouco antes de lançar a sua música, porque antes da fama existe um homem que é preciso preservar.E a terminar, porque não chamar João Paulo que uma vez disse que a “música moçambicana não era só rabo!”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-2511968004876121960?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/2511968004876121960/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=2511968004876121960' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/2511968004876121960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/2511968004876121960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/03/o-erotismo-nas-msicas.html' title='o erotismo nas músicas'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-7317121892592583069</id><published>2008-03-11T09:57:00.000-07:00</published><updated>2008-03-11T09:59:42.564-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Modaskavalo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha paixão por música é antiga. Na verdade, cresci a ouví-la, que hoje tornou-se este inevitável vício do qual não consigo me livrar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nasci e cresci na Polana Caniço e mesmo em frente á minha casa, havia lá uma senhora que era curandeira e em certos dias de semana, ouvia-se aquelas canções melódicas com sabor a batucada, vinte metros mais á frente tinha um templo da seita sião (maziones), onde também o improviso da batucada e cantos exaltados me extasiavam. Em casa, não me escapava nenhuma canção da Rádio Moçambique no “National” memória das minas de rand do meu velho e querido pai Macamo e quando saia para brincar era inevitável cantar, “loko ni dentro Maputo, ni khumbuca Teresa wa mina....” e muitas outras canções que povoavam o meu imaginário de criança sem escolha, sem vídeo games e todo o mundo electrónico que hoje se oferece. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E era feliz, muito feliz......quando finalmente veio a Televisão experimental, pela primeira vez, experimentei ver algumas caras que já ouvia na Rádio, como o Fany, todos da Orquestra Marrabenta e os demais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É a mesma música que dirigiu minha vida e me fez este homem que sou hoje, a música de ontem, alguma que é feita hoje mas com licores de ontem. E sempre que a escuto revisito a  minha infáncia e perco-me na certeza de que se não forem tomadas medidas algo se vai diluindo e nada restará senão o pó, donde afinal viemos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta página, além de ser a recordação da minha infância, pretende ser uma singela homenagem aos fazedores de boa música moçambicana, em todas as suas vertentes, onde abre-se espaço para debate, critica, soluções e muito mais.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Espero contar consigo, para esta viagem, que acredito ser de todos nós, porque necessária.&lt;br /&gt;E não pensei noutro nome, senão, o Modaskavalu popularizado por Mahecuane num tema tocado com Fany em 1955 e posteriormente acolhido por todos executores de Marrabenta......vem irmão, vamos caminhar juntos, neste meu, teu, nosso Modaskavalu.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-7317121892592583069?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/7317121892592583069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=7317121892592583069' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7317121892592583069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/7317121892592583069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/03/modaskavalo-minha-paixo-por-msica.html' title=''/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8323406636377954775.post-333263908884614650</id><published>2008-03-11T09:02:00.000-07:00</published><updated>2008-03-11T09:03:18.763-07:00</updated><title type='text'>Rosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Rosa&lt;br /&gt;“Na ku vitana tolo wa darissa uni wu hawu Roso, Wa gwira Rosa, uni wu hawu Roso”. (ontem chamei-te e não acedeste Rosa, gingas Rosa, tens manias)&lt;br /&gt;O Mahecuane é para mim um grandissíssimo executor, já antes tinha dito, que, abaixo da linha de execução do Fany vinha o Mahecuane, um verdadeiro homem das mulheres, diria uma espécie de Don Juan, o perigote delas. E era para elas que muitas vezes cantava e Rosa não foi escolhida por acaso, pois, para além do sugestivo nome Rosa de flôr, Mahecuane quís homenagear a mulher como sempre o fez com mestria e acima de tudo, discordar do  comportamento da sua mulher amada.&lt;br /&gt;Sem a redicularizar, Mahecuane mostrou atravês desta bela melodia não concordar do comportamento da sua amada, pois, ficou claro nesta canção que os dois combinaram um encontro que não se concretizou justamente, porque a Rosa não se fez presente. Na pior das hipóteses podiamos até interpretar o discurso de forma directa e neste caso, pensariamos que este, a chama e nega e daí a sua impugnação, mas tal, cairia em terra, visto que o ontem (vitana tolo), revela  que esta acção teve lugar no passado, isto é, algo que deveria ter sucedido, mas não se concretizou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, a canção, surge aqui como um desabafo, um escape, quem sabe uma forma de realizar este amor que teima em não acontecer.&lt;br /&gt;Esta canção pode ter sido feita propositadamente para que a Rosa a ouvisse e se preferir ou querer, dançar a desgraça do Mahecuane, mas também, como uma forma de publicamente declarar o seu amor por ela.  &lt;br /&gt;Como uma flôr que se oferece a quem amamos, Mahecuane quís oferecer uma canção  a mulher que o rejeitou e que por sinal se chamava Rosa.&lt;br /&gt;Podia assim Mahecuane, ter tomado partido de uma acção vingativa, qual “Dadinha” de Joaquim Macuacua, mas não o fez porque era um excelente cavalheiro, um homem respeitador, que conhecia o lugar que se reservava a mulher, um homem de mulheres.&lt;br /&gt;Este amor não realizado e tornado música, não é o único nos anais da nossa música, basta lembrar por exemplo o caso de Dilon Nginje com a música “Podina”, Marracuene vani tekele Podina, Dillon vamu tekele Podina.....a mulher que ele amava e terminou com outro. Um outro caso é o do Eugénio Mucavele com “Ida” que ficou de olhos arregalados na entrada da sua casa a espera da sua amada que lhe prometeu chegar no final de dia e nunca mais (Hi wena Nkata unga ni dumbissa uku uta buya loko dambu dzi ju pswu), o mesmo que cantou Magilidana este lindo poema de amor (que em ocasião certa falaremos.), e bem diz que a sua felicidade nunca será plena sem a Magilidana no seu lar (hambi no nosha kaya kwanga ku pfumala dlovi yawu kati hime fenha Magilidana.)&lt;br /&gt;Mas que se diga que não era a primeira vez que Mahecuane esperava, pois,acontecera o mesmo com a música Celestina (Nu tchuwukela dlambu la tchona, loze lo mpu ni lava Celestina mina, Celestina waka Macaringue sati wa mina wa ku rhandza.), onde espera até ao pôr de sol, sem que a sua amada, Celestina Macaringue, se faça presente e como que lamentando fez a m&amp;shy;&amp;shy;úsica Celestina, tão linda, bem executada e graciosa como o seu amor.&lt;br /&gt;Aconteceu o mesmo ao mestre Fany com a Lidia, o seu grande amor que o troca por outro e ele canta (kambe utani dzimuka mina), certo que te vais lembrar de mim.&lt;br /&gt;Mahecuane irradiava acima de tudo alegria nas suas músicas, uma alegria contagiante que meia volta terminava num passo a Modaskavalu marrabenta senta baixo, porque ele sabia que no ar não se podia sentar.&lt;br /&gt;O Modaskavalu é exemplo dessa alegria, uma música que contamina pela maneira como foi executada e na verdade, a junção com o Fany trouxe este charme que perdura até hoje e a nova geração tenta resgatar.&lt;br /&gt;Um Mahecuane que teve a coragem de chamar atenção as mulheres para não andarem com homens sovinas, pois nem roupa para vestirem teriam (u rhanda kakata uta pfumala ni buluku....ni bhanchi) e porque estas, muitas vezes não ouviam seus conselhos, caiam em desgraça, mas não por falta de aviso, dai que ele diz (unga rile nwana mamani lwei wanuna wa ku biha hoti languela), não chores minha irmã, tu é que escolheste esse homem  com defeitos.&lt;br /&gt;Quando digo que Mahecuane cantava as mulheres talvez duvidem, mas se repararem com olhos de ver vão encontrar lá temas dirigidas a mulher como é o caso da sátira (wati vona ti mbuya tanga), onde diz gostar tanto da sua mulher, que a dá tempo de ir amantizar-se ( a sati wamina nimu rhandza swinene nimu nhica ni nkama waku famba a gueleza.), e podiamos olhar para esta, e interpretá-la sem o cinismo que esta carrega, e estaria implícita aqui, uma mensagem de confiaça que ele depositava na mulher, como quem diz, o que amo deixo livre, com certeza de que há de sempre voltar.&lt;br /&gt;Mahecuane sabia bem o efeito que criava nas mulheres, e sabia por isso mesmo que era odiado por homens, pois achavam que lhe tirava as suas mulheres a dizia a brincar “leswi Mahecuane wakona vamu vonaku ku sasseka” (como sabem que o tal Mahecuane é bonito), pensam que lhes vou roubar as mulheres, quando apenas vou tomar o meu copo. Era este sentido de piada e alegria que o Mahecuane imprimia nas suas músicas, era este gostinho de cantar a mulher, o seu charme, a sua garra, os seus problemas, anseios que faziam de mahecuane um artista de charme e execução únicas. Um homem que a sua guitarra, tinha um sabor especial, com uma voz que carregava uma melodia e uma força cuja leveza não se encontra hoje em dia e é justamente por isso que o procuro vezes sem conta para ouví-lo, porque para mim, homens como Mahecuane não morrem, de modo que, decidi de certa forma homenegeá-lo nesta página, que se chama Modaskavalu. &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8323406636377954775-333263908884614650?l=modaskavalu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://modaskavalu.blogspot.com/feeds/333263908884614650/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8323406636377954775&amp;postID=333263908884614650' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/333263908884614650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8323406636377954775/posts/default/333263908884614650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://modaskavalu.blogspot.com/2008/03/rosa.html' title='Rosa'/><author><name>amosse macamo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05043074663401470101</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8ZeJjNRbwy8/S0JEBB939hI/AAAAAAAAAE4/AYFe0m33YKw/S220/IMG_0106.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
